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17/05/2015

NOVE EM CADA DEZ MORTOS POR DENGUE EM SÃO PAULO SÃO IDOSOS

Lixo urbano oferece condições para surgimento do mosquito Aedes aegypti

No país, 229 pessoas já morreram de dengue e 746 mil casos da doença foram notificados este ano

Segundo o jornal Folha de São Paulo, uma em quatro cidades está em estado de alerta por causa da epidemia de dengue. Nove em cada dez mortos pela doença neste ano, também em São Paulo, foram pessoas com 60 anos ou mais de idade, das quais 75% tinham algum tipo de doença preexistente.

O levantamento foi feito levando em conta informações de 130 dos 169 óbitos registrados, recorde desde 2010, quando houve 141 mortes, conforme balanço do Ministério da Saúde.

Na prática, embora representem perto de 12% da população paulista, os idosos são 87% das vítimas da dengue. O número de mortos é a segunda marca negativa gerada por São Paulo durante a epidemia em 2015. O Estado também registrou recorde histórico de casos de dengue, com 222 mil confirmações.

O levantamento feito nos municípios indica que, em média, as pessoas ficaram uma semana internadas antes de morrer.

Fatores determinantes para uma morte por dengue
O infectologista Esper Kallas, da Faculdade de Medicina da USP (Universidade de São Paulo), diz que alguns fatores são determinantes para uma morte por dengue. Segundo ele, idosos são as principais vítimas porque, na prática, estão mais sujeitos a esses agravantes.

Entre eles estão as condições gerais de saúde da pessoa, falta de diagnóstico rápido da doença, de medidas de atenção ao doente, além do sorotipo do vírus que a contaminou e a quantidade de vezes que ela foi infectada.

“A chance de um adulto saudável, que recebeu os cuidados necessários prontamente, morrer de dengue é muito pequena. A doença vai ser mais letal em um senhor com 78 anos, que tenha asma, ou em um recém-nascido desnutrido”, diz Kallas.

Mesmo com um número recorde de mortes em SP, ele é considerado "relativamente pequeno” se comparado a outras doenças epidêmicas, como ebola ou sarampo.

"Apesar da perda irreparável para as famílias, com menos de 0,1% de letalidade diante do número de casos, podemos dizer que esse índice de morte ainda é tecnicamente baixo, algo comparável com morrer pela gripe", afirma o infectologista.

Ituverava é cidade destaque no combate e controle da dengue

O ministro da Saúde, Arthur Chioro, afirmou nessa semana que, tecnicamente, o Brasil vive uma epidemia de dengue. No último levantamento divulgado, os casos de dengue positivos no país já somavam 745.957, sendo que 489.636 casos foram notificados na região Sudeste, a mais afetada pela epidemia.

Na região de Ituverava, os números também são surpreendentes. As cidades de Cajuru, Franca, Monte Azul Paulista, Bebedouro, Luís Antônio, Santa Rosa de Viterbo, Araraquara já declararam estado de emergência, sendo que em Araraquara três óbitos já foram confirmados por causa da doença.

Ao contrário de muitas cidades da região, Ituverava não vive uma epidemia de Dengue. Por conta disso, em reunião realizada na DRS (Diretoria Regional de Saúde) no dia 5 de maio, Ituverava foi citada como exemplo e destaque regional e nacional no controle dos casos de dengue.

Esse reconhecimento veio através do último levantamento dos casos de dengue na cidade. Até o momento, Ituverava apresentou apenas oito casos positivos da doença, sendo que três tiveram origem no município e cinco são importados, ou seja, foram adquiridos em outro município.

Além disso, na reunião, os participantes relembraram a situação de epidemia da doença que Ituverava viveu anos atrás. Em 2010, a cidade apresentou 494 casos; em 2011, 1.223 casos; em 2012 186 casos; em 2013, 1727 casos, e no último ano apenas 6 casos.

Segundo o prefeito Walter Gama Terra Júnior, a situação foi controlada através de mudanças nas ações de combate à dengue. “No início da nossa administração, sofremos uma grande epidemia, pois até então as ações aconteciam em épocas que já não conseguiríamos mais resultados. A partir de então, começamos a promover nossas ações durante todo o ano, e intensificamos na época em que começam a surgir os criadouros da doença”, explica o prefeito.

Ações
Entre as principais ações realizadas pela Prefeitura de Ituverava destacam-se: fiscalização de moradias e terrenos; arrastão para a limpeza de criadouros do mosquito; envolvimento de todos os setores da Saúde, desde agentes comunitários até os médicos; participação das demais Secretarias Municipais e lideranças locais; e a conscientização da população.

Segundo o secretário de Saúde, Dr. Gonçalves Aparecido Dias, a Sucen (Superintendência de Controle de Endemia) elogiou o trabalho incansável da Prefeitura de Ituverava, da Secretaria da Saúde e da Vigilância Sanitária no combate à dengue. “Todos esses destaques e o baixo número de casos positivos são consequência do empenho do prefeito Walter Gama Terra Júnior e de todos os setores da administração municipal. Os resultados são ótimos, e estamos todos de parabéns por essa conquista”, declara.

O prefeito Walter Gama Terra Júnior afirma que há um esforço incondicional da gestão no combate à doença. “A dengue é uma questão de saúde pública e nos últimos dois anos tivemos resultados bastante satisfatórios no controle da doença. Mas mesmo assim intensificaremos as ações de combate, para termos resultados ainda melhores nos próximos anos”, afirma o prefeito.

O secretário da Saúde aproveitou para deixar um recado para a população ituveravense. “É preciso manter a cidade limpa dos criadouros do mosquito e para isso contamos com os cidadãos de Ituverava. Não se pode descuidar, pois o risco é constante. É preciso estar vigilantes o ano inteiro, pois uma cidade limpa é uma cidade sem dengue”, finaliza Dr. Gonçalves.

Entenda as diferenças entre dengue, zika e chikungunya
Brasil vive uma epidemia de dengue com mais de 745 mil casos só neste ano. Mas esta não é a única doença transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, que tem trazido problemas para autoridades brasileiras.

Nos últimos meses, o país passou registrar casos de duas “primas” da dengue. Elas atendem pelos nomes exóticos de chikungunya e zika, são transmitidas pelo mesmo mosquito e têm alguns sintomas semelhantes.

Mas não se engane: as doenças são diferentes. Entenda a seguir quais são os sintomas de cada uma delas.

Dengue

Doença: Dentre as três, é a mais conhecida e presente no Brasil. O país vive hoje uma epidemia da doença com 367,8 casos para cada 100 mil habitantes registrados até o dia 18 de abril.

Transmissão: O vírus da dengue é transmitido pela picada do mosquito Aedes aegypti.

Sintomas: Febre alta (geralmente dura de 2 a 7 dias), dor de cabeça, dores no corpo e articulações, prostração, fraqueza, dor atrás dos olhos, erupção e coceira na pele. Nos casos graves, o doente também pode ter sangramentos (nariz, gengivas), dor abdominal, vômitos persistentes, sonolência, irritabilidade, hipotensão e tontura. Em casos extremos, a dengue pode matar.

Tratamento: A pessoa com sintomas da dengue deve procurar atendimento médico. As recomendações são ficar de repouso e ingerir bastante líquido. Não existem remédios contra a dengue. Caso apareçam os sintomas da versão mais grave da doença, é importante procurar um médico novamente.

Chikungunya
Doença: Até 18 de abril deste ano, foram registrados 1.688 casos de chikungunya. Os primeiros casos “nativos” da doença no Brasil apareceram em setembro do ano passado em Oiapoque, no Amapá. Antes disso, já haviam sido detectados casos de pessoas que contraíram a virose fora do país. A origem do nome chikungunya é africana e significa “aqueles que se dobram”. É uma referência à postura dos doentes, que andam curvados por sentirem dores fortes nas articulações.

Transmissão: É transmitida pelos mosquitos Aedes aegypti (presente em áreas urbanas) e Aedes albopictus (presente em áreas rurais).

Sintomas: O principal sintoma é a dor nas articulações de pés e mãos, que é mais intensa do que nos quadros de dengue. Além disso, são sintomas febre repentina acima de 39 graus, dor de cabeça, dor nos músculos e manchas vermelhas na pele. Cerca de 30% dos casos não chegam a desenvolver sintomas. Segundo o Ministério da Saúde, as mortes são raras.

Tratamento: Como no caso da dengue, não há tratamento específico. É preciso ficar de repouso e consumir bastante líquido. Não é recomendado usar o ácido acetil salicílico (AAS) devido ao risco de hemorragia.

Zika
Doença: A doença pode ter sido detectada na Bahia, mas ainda não está confirmada. A suspeita é de que ela tenha sido trazida para o Brasil durante a Copa do Mundo.

Transmissão: Mais uma vez, o Aedes aegypti é o vilão da história. Mas o vírus também é transmitido pelo Aedes albopictus e outros tipos de aedes.

Sintomas: O vírus não é tão forte quanto o da dengue ou da chikungunya e os pacientes apresentam um quadro alérgico. Os sintomas, porém, são parecidos com os das doenças “primas”: febre, dores e manchas no corpo. Quem é infectado pelo zika também pode apresentar diarréia e sinais de conjuntivite.

Tratamento: Assim como nas outras viroses, o tratamento consiste em repouso, ingestão de líquidos e remédios que aliviem os sintomas e que não contenham AAS.

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