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24/05/2015

EDIÇÃO 3131 ENQUETES -CASOS DE ABUSO E EXPLORAÇÃO INFANTIL SÃO ALARMANTES NO PAÍS

Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual Contra Crianças e Adolescentes foi na última segunda-feira

Um dos atos mais repugnantes, mas sórdidos e desumano, não há dúvida que ó abuso e exploração sexual, e foi com o objetivo de combater este crime que é considerado hediondo, foi estabelecido 18 maio, como o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual Contra Crianças e Adolescentes. A data trouxe diversas reflexões na sociedade, especialmente em relação ao perigo dos abusadores sexuais, pessoas que estão em todas as faixas etárias, em todas as classes sociais e, muitas vezes, mais próximo do que se imagina.

São pessoas comuns, com uma rotina de vida comum e que agem em qualquer lugar e oportunidade para estuprar crianças e adolescentes. Eles não têm um estereótipo específico, por isso os pais ou responsáveis precisam ficar atentos aos sinais das crianças para identificar possíveis casos. São pessoas que criam um processo de escolha da vítima, aproximam-se, estabelecem contatos socialmente aceitos e vão evoluindo até chegar ao abuso.

Mulheres também podem ser abusadoras
Apesar de ser menos comum, mulheres também são abusadoras e devem receber os olhos atentos dos pais. Os pedófilos procuram exercer profissões ou atividades que envolvam crianças.

Crianças abusadas tendem a mudar de comportamento dentro de casa e na escola. Algumas, por exemplo, passam a se masturbar na frente de todos ou a terem gestos sensuais.

O normal da criança é se esconder na hora de mexer nas partes íntimas, mesmo com outros coleguinhas. Gestos obscenos podem indicar que a criança foi abusada ou exposta à pornografia.

Também é comum passar a se excluir da família, voltar a fazer xixi na cama, chupar o dedo, ter transtornos alimentares e ter repulsa à figura masculina (caso tenha sido abusado por um homem).

Internet
O Brasil é o maior fornecedor de conteúdo pornográfico infantil do mundo pela internet. É por meio da rede social também que os pedófilos agem. Eles são pacientes e se infiltram em grupos de videogames, jogos infantis e sites para chegar até onde querem. Isso pode durar meses.

Os pais devem ficar atentos caso a criança mude a tela do computador quando alguém passa ou tenha preferência por navegar durante a noite, quando todos estão dormindo.

O que fazer ao desconfiar?

Se os pais desconfiarem de qualquer possibilidade de abuso, mas não conseguirem, pessoa e situação que ele ocorre, o ideal é buscar a ajuda de psicólogos antes mesmo de chamar a polícia.

No caso de um suspeito identificado, o ideal é procurar uma delegacia imediatamente e já inserir a criança em um tratamento psicológico. Também é importante não ter medo de denunciar alguém da família, ou qualquer outra pessoa. É muito comum o receio de denunciar por talvez a pessoa achar que a criança está mentindo ou porque a família será desestruturada depois do “escândalo”.

Traumas vividos pela vítima podem se tornar irreversíveis. Quanto mais tempo ela viver o estupro, mais traumatizada poderá ficar para o resto da vida. Crianças abusadas podem ser tornar abusadores no futuro formando um ciclo sem fim.

A escola tem um grande papel na identificação de vítimas. Funcionários e toda a direção têm o papel social de denunciar à polícia e orientar em situações de abuso sexual.

Denúncias podem ser feitas pelo Disque 100
No Brasil, as denúncias relativas ao abuso e à exploração infantil podem ser feitas através do Disque 100, do Governo Federal, que recebeu no ano passado um total de 23 mil chamadas sobre violência sexual contra adolescentes e crianças. Com o sistema já implantado, o próximo passo nas políticas públicas será a melhoria dos serviços (hospitais, delegacias, órgãos da justiça, escolas) que atendem as vítimas de exploração e abuso sexual na infância.

Governo e entidades da sociedade social vêm trabalhando para adequar as formas de atendimento à realidade da infância. “Estamos criando uma orientação mínima, um protocolo. A vítima não precisa, por exemplo, ter de repetir várias vezes o relato da violência sofrida”, diz Heloiza Egas, coordenadora geral de Enfrentamento da Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes, da Secretaria de Direitos Humanos (SDH), da Presidência da República.

Melhorias no atendimento
A melhoria do atendimento é uma das principais metas da campanha do Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, lançada pelo ministro da SDH, Pepe Vargas. A secretaria terá uma série de eventos nesta semana para discutir o tema.

Nessa orientação de melhorar o atendimento público, o Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) está investindo em um programa para juízes e funcionários da Justiça que conversam com vítimas de violência sexual na infância.

Em parceria com o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e a ONG World Childhood, o organismo implantou 200 salas adequadas para depoimentos em várias regiões do Brasil.

“Se é difícil conversar com um adulto sobre violência sexual, imagina com uma criança. É preciso abordar a questão conversar de forma menos traumática”, afirma Fabiana Gorenstein, oficial de proteção à infância do Unicef no Brasil.

Perfil
Segundo Heloiza Egas, as denúncias do Disque 100 permitem conhecer melhor o perfil das pessoas envolvidas em casos de violência sexual na infância. Os abusadores têm, em média, de 18 a 30 anos de idade e são homens. Quem sofre o abuso ou a exploração tem entre 12 e 17 anos, sendo meninas em sua maioria

“Violência sexual é sempre uma trajetória, e nunca um caso isolado. Começa numa negligência, um ato doméstico violento, e vai até na exploração comercial”, avalia Heloiza, lembrando que a maioria dos casos envolve um agressor conhecido ou vizinho da criança.

A exploração comercial merece atenção especial há anos. Hoje, existe um consenso de que houve um avanço no combate ao turismo sexual nos Estados do Nordeste. Também aumentou a conscientização sobre os problemas nas estradas.

No ano passado, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) identificou 1.969 pontos vulneráveis de prostituição infantil nas rodovias brasileiras, tendo uma concentração de casos nos estados de Minas Gerais, Bahia e Pará.

As conseqüências do abuso sexual infantil
O papel da família é essencial na recuperação física e emocional da criança que sofreu abuso sexual, pois a atenção que deverá proporcionar a esta criança não deve somente centrar-se no cuidado das suas lesões físicas, mas deve ser acompanhada por outros profissionais para dar-lhe também acompanhamento psicológico.

A criança que sofre ou sofreu algum abuso sexual sofrerá conseqüências em curto e longo prazo. O Manual de Prevenção do Abuso Sexual, publicado por Save the Children (Salvem as crianças), mostra as seguintes conseqüências:

Curto prazo
Físicas: pesadelos e problemas com o sono, mudanças de hábitos alimentares, perda do controle de esfíncteres.

Comportamentais: Consumo de drogas e álcool, fugas, condutas suicidas ou de autoflagelo, hiperatividade, diminuição do rendimento escolar.

Emocionais: medo generalizado, agressividade, culpa e vergonha, isolamento, ansiedade, depressão, baixa auto-estima, rejeição ao próprio corpo (sente-se sujo).

Sexuais: conhecimento sexual precoce e impróprio para a sua idade, masturbação compulsiva, exibicionismo, problemas de identidade sexual.

Sociais: déficit em habilidades sociais, retração social, comportamentos anti-sociais.

Longo prazo
Físicas: dores crônicas gerais, hipocondria ou transtornos psicossomáticos, alterações do sono e pesadelos constantes, problemas gastrointestinais, desordem alimentar.

Comportamentais: tentativa de suicídio, consumo de drogas e álcool, transtorno de identidade.

Emocionais: depressão, ansiedade, baixa auto-estima, dificuldade para expressar sentimentos.

Sexuais: fobias sexuais, disfunções sexuais, falta de satisfação ou incapacidade para o orgasmo, alterações da motivação sexual, maior probabilidade de sofre estupros e de entrar para a prostituição, dificuldade de estabelecer relações sexuais.

Sociais: problemas de relação interpessoal, isolamento, dificuldades de vínculo afetivo com os filhos.

Ituverava está promovendo ações contra o abuso sexual em crianças
Em Ituverava, a Secretaria Municipal do Bem-Estar e Integração Social, Conselho Municipal da Criança e do Adolescente (CMDCA), CRAS (Centro de Referência da Assistência Social) e CREAS (Centro de Referência Especializado de Assistência Social) promoveram ações em alusão ao Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual Contra Crianças e Adolescentes, que ocorreu na última segunda-feira, 18 de abril.

Foi realizado um pedágio com panfletagem na Avenida Dr. Soares de Oliveira, na esquina da agência do Banco do Brasil, e um trabalho junto às escolas da rede municipal, quando foram distribuídos panfletos informativos para os alunos.

A data é lembrada no dia 18 de maio porque neste dia, em 1973, uma menina de 8 anos foi seqüestrada, violentada e cruelmente assassinada no Espírito Santo. Seu corpo apareceu seis dias depois carbonizado e os seus agressores, jovens de classe média alta, nunca foram punidos.

No município, além do Disque 100, é possível fazer denúncias o Conselho Tutelar de Ituverava, pelo telefone 3839-7633.

Exploração sexual
O abuso sexual envolve contato sexual entre uma criança ou adolescente e um adulto ou pessoa significativamente mais velha e poderosa. As crianças, pelo seu estágio de desenvolvimento, não são capazes de entender o contato sexual ou resistir a ele, e podem ser psicológica ou socialmente dependentes do ofensor. Ele acontece quando o adulto utiliza o corpo de uma criança ou adolescente para sua satisfação sexual.

Já a exploração sexual é quando se paga para ter sexo com a pessoa de idade inferior a 18 anos. As duas situações são crimes de violência sexual.

Confira as respostas:





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