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29/05/2015
Juan Ángel Napout falou que vai lutar pela manutenção da quinta vaga sul-americanaNeste mês, a Fifa vai anunciar quantas seleções para cada continente no próximo Mundial
Sem poder mais contar com a influência de João Havelange, Júlio Grondona e Ricardo Teixeira e com um resultado esportivo abaixo de sua média histórica, a América do Sul corre o risco de perder uma vaga para a Copa do Mundo de 2018.
Neste mês, a Fifa vai anunciar quantas seleções para cada continente no Mundial de 2018e, em plena campanha eleitoral, o presidente da entidade Joseph Blatter não hesita em fatiar a competição para ganhar apoio. Enquanto isso, a Europa avisa: quer mais vagas para suas seleções que venceram os três últimos mundiais.
Hoje, a Conmebol é a associação regional mais representada em um Mundial. Dos dez países que formam parte do bloco, quatro ganham classificação direta e um quinto lugar disputa repescagem, normalmente contra uma equipe fraca da Ásia, América Central ou Oceania.
Desta vez, porém, a Europa deixa claro que chegou o momento de rever a divisão de vagas para as 32 seleções que irão à Copa. Para 2018, a Uefa quer passar de 13 para 14 ou 15 seleções no torneio, incluindo os anfitriões russos.
Proposta
A proposta foi oficialmente apresentada em março por Gianni Infantino, secretário-geral da Uefa, aos 54 membros do bloco europeu, e reunião em Viena. "Temos uma grande chance de ter mais de 13 lugares", disse. "Se considerarmos fatos objetivos, temos 19 seleções nas 32 primeiras posições do ranking mundial. Os vencedores das três últimas Copas foram europeus (Itália, Espanha e Alemanha) e, portanto, seria justo pedir mais uma vaga", insistiu. Para ele, a Copa precisa ocorrer "entre os melhores".
Para os europeus, está muito claro: a Conmebol terá de ceder. Na prática, se tal redução ocorrer, a disputa por vagas entre as seleções da região promete se transformar em uma das mais emocionantes. Se há dez anos Brasil, Argentina e Uruguai eram os líderes incontestáveis do continente, hoje precisam disputar o espaço com Colômbia, Chile, Paraguai e Equador. Peru, Bolívia e Venezuela correm por fora.
Em março, o ex-presidente da CBF, José Maria Marin, deixou claro que as Eliminatórias da Copa de 2018 podem ser o momento mais delicado da história do futebol nacional. Entre cartolas da Conmebol, a expectativa é de que, mesmo sem o corte de uma vaga, a disputa será a mais emocionante já vivida pela região. "Pelo menos seis seleções têm chance real de ter uma vaga na Copa", disse um deles, na condição de não ter o nome revelado.
Pressão
Mas a pressão sobre os sul-americanos não vem apenas da Uefa. Outros continentes insistem que, se de fato o evento é global, não seria equilibrado manter um sistema em que quase metade dos sul-americanos vão ao Mundial.
Blatter, em buscas de votos para sua reeleição, declarou diante dos países da Concacaf (América do Norte e Central) que a região deveria passar de três vagas e meia para quatro. "Se a Copa ficar com 32 times, defendo que a Concacaf tenha quatro lugares", declarou o cartola, que fez os membros do bloco se levantarem para aplaudi-lo, em encontro nas Bahamas.
Possibilidade de perder quinta vaga
Juan Ángel Napout, presidente da Conmebol, admitiu no dia 21 de maio, em entrevista à Fox Sports, a possibilidade de a América do Sul perder a quinta vaga para o Mundial de 2018, na Rússia. No entanto, negou que tal fato seja uma punição em relação ao episódio ocorrido no clássico entre Boca Juniors e River Plate pelas oitavas de final da Libertadores.
“Existe a possibilidade de perder a vaga, mas não por causa do tema Boca-River. Talvez nossa incapacidade política seja a culpada. Faz mais de 14 anos que nos querem tirar a vaga. Só queremos os 180 minutos da repescagem, a América do Sul só quer jogar, contra o rival que for. Vou defender o direito que tem a América do Sul, por sua história, tem”, afirmou.
Logo após o incidente, o jornal "AS" noticiou que a Conmebol aceitaria perder a quinta vaga para a Copa do Mundo em troca punir o Boca Juniors de forma mais "branda". A Fifa, especula-se, teria pedido um castigo mais rigoroso, com o afastamento do clube argentino de competições continentais por cinco anos. O fato foi negado por Napout.
“Isso é irreal. Blatter nunca ligou. Ele respeita a independência de cada uma de suas confederações. Tampouco existiu alguma ligação política”, finalizou.
Barganha
A atitude de Blatter de sair em busca de votos usando o Mundial já tem sido duramente criticada por seus adversários. O cartola suíço convocou uma reunião da Fifa para o 30 de maio, para definir as novas vagas. A decisão provocou a ira dos concorrentes de Blatter, que o passaram a acusar de barganhar votos por lugares na Copa.
"Minha preocupação é a de que essa decisão de vagas seja usada por razões políticas ao se fazer promessas que podem não ocorrer", alertou Ali bin Al Hussein, atual vice-presidente da Fifa e que concorre contra Blatter nas eleições. Michel Platini, presidente da Uefa, também atacou. "Blatter está jogando com a alocação de lugares para a Copa."