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ECONOMIA

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31/05/2015

USO IRRESPONSÁVEL DO CARTÃO DE CRÉDITO CAUSA ENDIVIDAMENTO

Cuidados devem ser tomados ao usar o cartão de crédito

Dívida do cartão pode passar de R$ 2 mil para R$ 1.934.873,71 em cinco anos

A pontado como o grande vilão do orçamento familiar, o cartão de crédito atrai os consumidores por ser um meio prático e seguro de pagamento, por oferecer vantagens como milhas aéreas e por ser essencial na aquisição de bens de valor elevado, como carros ou até mesmo em viagens e despesas médicas.

O que a princípio pode parecer algo vantajoso, pode rapidamente se tornar uma grande dor de cabeça, ainda mais desde abril, quando a taxa média do cartão de crédito subiu de 12,02% para 12,14% ao mês, atingindo 295,48% ao ano, de acordo com a Associação dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), é o patamar é o mais elevado desde março de 1999.

Também conhecido por ser uma modalidade de dívida cara, o juro do cheque especial foi a 9,74% ao mês em abril, atingindo 205,06% ao ano.

Especialistas recomendam que o consumidor sempre procure uma dívida com juros mais baixos para evitar permanecer no cartão de crédito ou no cheque especial. Como comparação, o juro médio do empréstimo pessoal contraído com banco foi de 4% ao mês em abril, representando uma taxa de 60,10% ao ano, bem inferior às outras modalidades.

Já no cartão de crédito, uma dívida de R$ 500, por exemplo, praticamente dobra em seis meses, e chega a R$ 994,33, enquanto que no empréstimo pessoal o valor sobe pouco mais de R$ 130, ou seja, para R$ 632,66. O cheque especial atinge um valor intermediário de R$ 873,29.

As simulações foram feitas pelo diretor executivo de Estudos e Pesquisas Econômicas da Anefac, Miguel José Ribeiro de Oliveira. Na mesma simulação é possível ver o efeito dos juros ao longo do tempo: em um ano, a dívida de R$ 500 no cartão quase quadruplica para R$ 1.977,40, enquanto que no empréstimo pessoal vai a R$ 800,52.

Risco
Com o efeito dos juros, também é possível observar o risco de se contrair uma dívida inicial alta. Basta ver que, no caso de uma dívida de R$ 1 mil, o ritmo de encarecimento é mais forte. Em seis meses, a dívida no cartão de crédito chega a R$ 1.988,67, valor R$ 723,35 maior do que um empréstimo pessoal. Em um ano, o valor chega a R$ 3.954,82, enquanto no empréstimo pessoal chegaria a R$ 1.601,03.

De acordo com a Anefac, o cenário de juros altos se deve ao crescente risco de inadimplência e à elevação da taxa básica de juros do País, a Selic – atualmente em 13,25% ao ano. Além disso, a perspectiva para os próximos meses é de que as taxas continuem subindo, uma vez que o Banco Central já sinalizou que deve continuar elevando a taxa Selic em esforço para conter a inflação elevada no país.

O outro lado
Para quem tem controle na hora de usar, o cartão de crédito, no entanto, pode gerar benefícios. “Não é um vilão, mas se usado de forma inadequada prejudica as finanças pessoais, pois os juros são altos”, assegura o presidente da Associação Brasileira de Educadores Financeiros (Abefin), Reinaldo Domingos.

Ele lembra que as taxas de juros dos cartões de crédito não são cobradas quando o pagamento da fatura for no prazo. Ter um limite condizente com a renda familiar, de acordo com o consultor, é a principal dica para o uso consciente do cartão. “Recomendo que o limite do cartão de crédito seja de, no máximo, 50% do salário ou ganho mensal”, alerta.

Patrimônio
Segundo o educador financeiro Rodrigo Azevedo, a principal vantagem do crédito é que dá o poder de compra, permitindo que sejam feitos investimentos de curto, médio e longo prazo. “Nas duas modalidades mais usadas de crédito, a pessoa utiliza um dinheiro que não é dela, tomando emprestado com a promessa de pagar depois, seja na cobrança automática realizada pelo banco e debitada da conta do cliente, no caso do limite do cheque especial, ou através de cobrança na fatura, no caso dos cartões de crédito”, explica.

De acordo com ele, porém, sem crédito não há desenvolvimento da economia. “Tudo teria que ser pago à vista e o consumo seria restringido de forma drástica”, afirma, argumentando que poucas pessoas têm capacidade financeira de fazer investimentos de alto valor à vista. “O crédito é uma ótima opção para investir e construir um patrimônio de valor, seja este uma casa própria, um carro, uma viagem, ou até mesmo no caso de um negócio”, defende.

Demanda
Apesar de a procura das empresas por crédito ter caído 12,3% em abril em relação a março, na série sem ajuste sazonal, a busca das companhias por fontes de financiamento apresenta expansão de 6,9% no acumulado dos quatro primeiros meses do ano contra o igual período de 2014, segundo informou a Serasa Experian.

No acumulado dos quatro primeiros meses do ano, a demanda empresarial por crédito aumentou 8,4% entre as micro e pequenas empresas (MPEs), mas caiu 14,2% entre as companhias de médio porte e 7,7% entre as grandes empresas. Na comparação com abril de 2014, houve retração de 1,2% no Indicador Serasa Experian de Demanda das Empresas por Crédito.

Ituverava
O diretor do Procon de Ituverava, Marcelo Liporaci Spósito Machado, alerta sobre os riscos do uso errado do cartão de crédito. “Primeiramente, o quesito segurança deve estar sempre na mira do consumidor, haja vista o grande número de fraudes envolvendo operações com cartões de crédito. Por isso, nunca guarde a senha junto com o cartão, bolsa ou carteira. Em caso de perda, furto, fica multo fácil para o gatuno usá-lo com compras, fazer saques, qualquer operação em nome do consumidor. Nesses casos, fica difícil a reparação do dano, posto que o consumidor agiu com imprudência. Tem sido comum também casos de familiares que, sem o consentimento do titular do cartão, mas de posse dele e da senha, fazem compras, saques. Somente quando chega a fatura é que o consumidor descobre”, afirma.

“Outro caso corriqueiro de fraude ocorre quando o estelionatário, ao receber o pagamento, clona o cartão do consumidor, através de um dispositivo chamado "chupa cabra". Isso ocorre quando o recebedor leva o cartão do consumidor até determinado local, depois volta com a máquina correta, mas deixa o campo do valor a ser pago em branco. Quando o consumidor digita a senha, ao invés de ficar oculto no visor, ela aparece grafada, no lugar do valor a ser pago. Assim, o estelionatário visualiza a senha, pede desculpas pelo erro, faz todo o procedimento correto e até vira o rosto para dar maior segurança para a digitação da senha novamente, mas ele já esta de posse do cartão clonado e da senha”, observa.

Machado ainda alerta sobre os perigos do endividamento. “O cartão de crédito, quando utilizado sem ponderação, pode ser uma armadilha para o consumidor. Pequenas parcelas mensais sendo agregadas mensalmente no cartão podem, ao final, uma fatura com valor muito alto, comprometendo a renda do consumidor ou levando-o a entrar no crédito rotativo, onde ele deixa de pagar o total da fatura, financiando o débito com juros estratosféricos, que podem chegar a 295% ao ano, ou seja, sua dívida triplica em um ano”, lembra.

“Portanto, fique atento e veja se o seu cartão de crédito não está comprometendo parte considerável do salário. Se estiver, não faça mais compras, até baixar ou zerar a fatura. Caso esteja no crédito rotativo, ou seja, não pagando o valor total da fatura, financiando o débito com juros altíssimos, procure uma modalidade de empréstimo mais barata, como o CDB, que tem juros menores, e pague o total do cartão de crédito, incluindo parcelas que vão vencer. Você continuará com uma dívida, mas o custo final diminuirá consideravelmente”, finaliza Marcelo Liporaci Spósito Machado.



Os dez mandatos para usar o cartão de crédito


1º) Não atrasarás o pagamento da fatura

Nunca deixe de pagar a fatura do cartão, pois os juros são os maiores do país.

Se não tiver dinheiro para quitar os gastos, procure o banco e faça um empréstimo pessoal, com juros menores, para não deixar o pagamento atrasar nem um dia.



2º) Não rasgarás os comprovantes de compra

Guarde os comprovantes de compra que foram emitidos.

Se possível, anote em uma planilha as compras à vista e as parceladas.



3º) Não esquecerás de participar de programas de vantagens

Todos os cartões têm clubes de vantagens e progra mas de milhas que dão direito a prêmios. Cadastre-se neles.

4º) Não deixarás a anuidade vencer automaticamente

Quando a fatura trouxer a penúltima parcela da anuidade, já tente negociar com a empresa um valor menor ou mesmo a gratuidade por um período.



5º) Não comprarás a prazo o que tem desconto à vista

Se o pagamento à vista trouxer vantagens, não pague no cartão de crédito.

A regra contrária também vale: quando o lojista não der desconto para o pagamento à vista, parcele.



6º) Não ultrapasse o seu limite de gasto pessoal

Os bancos nos dão um limite que não reflete, necessariamente, o nosso teto de gastos no mês.

Defina quanto pode gastar e calcule os parcelamentos e as compras no cartão sobre esse valor.



7º) Não emprestarás para amigos e familiares.

Quem empresta o cartão pode ver o nome ir parar na lista de devedores por uma dívida que nem é sua.

8º) Não cairás em tentação

As compras por impulso são as que fazem o orçamento sair do controle.

Deixe o cartão em casa ao sair para passear.



9º) Não terás mais do que dois cartões

Mais do que isso, já começa a haver descontrole; um deles, inclusive, deve ter anuidade grátis.



10º) Não entrarás no rotativo do cartão de crédito

Nunca deixe de pagar a fatura total.

Enquanto o dinheiro que você investe na poupança deverá render 7,19% neste ano, os juros anuais do cartão de crédito chegaram a 295,48% em abril.

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