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07/06/2015

EDIÇÃO 3133 ENQUETES - BRASIL ESTÁ NO 60º LUGAR EM RANKING MUNDIAL DE EDUCAÇÃO

Escola brasileira: país está em 60º lugar entre 76 países

Estudo mostra o enorme abismo na qualidade de ensino dos países da América Latina se comparado aos asiáticos

O Brasil é o 60º colocado entre 76 países listados no mais recente ranking de educação da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), divulgado no dia 13 de maio, em Paris.

Nas cinco primeiras posições da lista estão países e territórios asiáticos: Cingapura, Hong Kong, Coréia do Sul, Japão e Taiwan. Em seguida vêm quatro europeus: Finlândia, Estônia, Suíça e Holanda. O Canadá ocupa a décima posição.

No outro extremo estão países africanos, como Gana (na última colocação) e África do Sul (na penúltima). A Alemanha está em 13º lugar. Os Estados Unidos, em 28º, e o Reino Unido, em 20º. A França é a 23ª colocada no ranking.

Benefícios econômicos
O relatório foca nos benefícios econômicos da educação. Segundo a OCDE, o Produto Interno Bruto (PIB) dos países da organização seria, em média, 3,5% superior ao esperado todos os anos e pelas próximas oito décadas, se até 2030 os países alcançarem uma situação em que todos os estudantes de 15 anos estejam escolarizados e com um nível básico de conhecimentos.

No caso específico do Brasil, o PIB anual seria 16,1% superior, em média, pelos próximos 80 anos, se essa situação for alcançada até 2030. No último ano do período considerado, 2095, o PIB brasileiro seria 70% superior ao que será alcançado naquele ano se não houver a universalização do ensino, projeta a OCDE. O PIB de 2095 seria 751% (mais de sete vezes) superior ao atual.

Referencia
Os autores utilizaram como referência os resultados de 2012 do estudo Pisa de matemática e ciências, que avalia os conhecimentos dos alunos nessas matérias, e considerara que um resultado de 420 pontos é o mínimo que todos os adolescentes deveriam alcançar aos 15 anos. No Pisa de 2012, os estudantes brasileiros alcançaram, em média, 405 pontos em ciências e 391 pontos em matemática.

Na introdução do relatório, a OCDE e a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) afirma que universalizar um nível de educação básico como o descrito é um objetivo "completamente realista" em 2030, como demonstram os resultados alcançados por alguns países.

Exemplo
A Polônia é mencionada como um exemplo. Em menos de uma década, o país conseguiu reduzir a proporção de alunos que não chegam aos 420 pontos de 22% para 14%. Outro caso citado é justamente o Brasil, que entre 2003 e 2012 conseguiu aumentar de 65% para 78% a proporção de alunos escolarizados aos 15 anos, enquanto a qualificação dos examinados subia de forma notável. Em matemática, por exemplo, passou de 356 para 391 pontos.

Autor do relatório enumera lições que América Latina deve aprender
Eric Hanushek, professor da Universidade de Stanford (EUA) e um dos mais respeitados acadêmicos especializados em Educação, é um dos autores do novo relatório internacional que mostra, mais uma vez, o enorme abismo entre os estudantes latino-americanos e os do leste asiático.

O ranking divulgado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o mais amplo publicado até agora, compara o desempenho de estudantes em Matemática e Ciências em 76 países, com base nos testes internacionais, como o PISA.

O relatório vai além do ranking e vincula a educação em cada país ao futuro de sua economia. Qual seria o crescimento econômico de países da região se seus estudantes alcançassem um nível básico de desempenho em Matemática e Ciências? A seguir, cinco lições que o relatório ensina para os países latino-americanos:

educação ruim faz mal à economia
O relatório diz que as falhas educacionais de um país cobram seu preço não apenas em oportunidades perdidas a milhões de adolescentes, mas também impacta a economia do país inteiro.

A conclusão é de que, se o Brasil proporcionar educação básica universal eficiente para todos os adolescentes de 15 anos, pode ajudar seu PIB a crescer mais de sete vezes nas próximas décadas.

E se todos os adolescentes do México cursassem o Ensino Médio e obtivessem um nível básico em Matemática e Ciências - ou seja, capacidade em raciocinar e resolver problemas com os conceitos aprendidos -, o PIB do país poderia ser 551% maior em 80 anos. O PIB da Argentina também cresceria 693% nessas condições.

“Claro que há considerável incerteza (nas projeções do PIB). Mas mesmo se reduzíssemos as projeções pela metade, veríamos que as mudanças em educação representam melhorias dramáticas no bem-estar de toda a população”, diz Hanushek.

Educação de qualidade e petróleo não se misturam
O exame PISA mostra uma relação negativa entre o dinheiro que os países ganham a partir de seus recursos naturais e as habilidades de seus estudantes.

“Em países com poucos recursos naturais, como Finlândia, Japão ou Cingapura, a educação é muito valorizada em parte porque toda a população entendeu que o país tem de ganhar a vida com o seu conhecimento - e este depende da educação”, diz o estudo.

Qual o recado, então, para a Venezuela, rica em petróleo, e o Brasil, onde os royalties da exploração do pré-sal serão destinados à educação?

“No curto prazo, os países conseguem grande parte de sua renda com seus recursos naturais. Mas cada vez mais, à medida que o mundo se move em direção a economias baseadas em conhecimento, a renda e o desenvolvimento dependerão do que as pessoas sabem - o que chamamos de capital de conhecimento das nações”, afirma Hanushek.

O que importa é a qualidade
Educação universal e obrigatória é apenas um primeiro passo: o crucial são as habilidades transmitidas aos alunos.

“Os estudantes da América Latina têm aprendido muito menos em cada ano escolar do que seus pares no leste da Ásia", afirma Hanushek. "Os latino-americanos passam muitos anos na escola, mas não aprendem nem de longe o que aprendem os estudantes de outros países”, destaca.

Para o especialista, atualmente metade da população mundial é “analfabeta funcional”, já que até mesmo o conceito de alfabetização mudou.

Não basta saber ler e escrever, mas sim “ter capacidade de compreender e refletir criticamente sobre a informação, além de raciocinar com conceitos matemáticos e extrair conclusões baseadas em evidências”.

A alta renda de um país não o protege da educação ruim
Cerca de 25% dos alunos de 15 anos dos EUA não completam com êxito o nível básico do PISA em Matemática e Ciências. E a maior potência mundial está abaixo do Vietnã no ranking da OCDE.

A conclusão é de que o mais importante é a forma como os recursos são gastos. Desempenho de estudantes do leste asiático tem superado o de outras partes do mundo

Um dos fatores mais importantes é melhorar o nível e a habilidade dos professores, aponta Hanushek. “As escolas devem reconhecer e premiar os professores mais eficientes e garantir que os menos eficientes recebam ajuda para melhorar. Ou desempenhem outras tarefas, nas quais não tenham uma influência negativa sobre crianças e adolescentes”, opina o especialista.

O relatório cita o exemplo de sucesso do Brasil em melhorar, ainda que não em níveis suficientes, seu desempenho em Matemática, em parte por conta de iniciativas para melhorar o salário e a formação dos professores.

Valores são fundamentais para melhorar o nível educacional
“Podemos aprender com os países que lideram o ranking", diz o relatório. "Eles parecem ter convencidos seus cidadãos a fazer escolhas que valorizam a educação acima das outras coisas”, enfatiza.

Pais e avós chineses, por exemplo, costumam investir suas poupanças na educação de filhos e netos.

Outra idéia difundida em países de boa performance é que todas as crianças consigam alcançar um bom nível educacional.

Para Hanushek, “China e Cingapura ensinam que todas as crianças podem aprender, e não só as que vieram de lares privilegiados. E os pais devem se envolver na vida escolar de seus filhos”.

Sobre a América Latina, Hanushek adverte que, sem melhorias na educação, a região estará cada vez mais distante do bem-estar econômico desfrutado por outros países.

“Mas se melhorarem seriamente suas escolas, podem ter benefícios econômicos sem precedentes. Não há alternativas. Se a América Latina quer competir e se desenvolver, tem de melhorar as habilidades de sua população”, defende o autor.

Confira as respostas:



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