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03/08/2015
Com a alta dos preços, pesquisa é uma alteranativa para comprar produtos mais baratosMuitos consumidores mudaram os seus hábitos para amenizar os efeitos causados pela inflação no país
Com aumento da inflação e dos preços – principalmente dos alimentos –, o Brasil vive um período de crise econômica. Se, na década de 1990, a inflação causava corridas aos supermercados e planejamento detalhado dos gastos domésticos, o que fazer no atual momento financeiro? Será que os velhos hábitos adotados naquela época, como o rancho mensal, o consórcio e a poupança ainda se aplicam?
Myrian Lund, planejadora financeira e professora dos MBAs da Fundação Getúlio Vargas e o professor de Economia da PUC-RS, Alfredo Meneghetti, analisam se os velhos costumes ainda podem ser aplicados.
Pesquisar preços
Segundo eles, não vale a pena estocar produtos. Na década de 1990, o que havia era um descontrole generalizado, em que a inflação chegou a 800% por ano. Hoje, a inflação está em 9%. De acordo com Meneghetti, o estoque não é recomendado, pois não há disponibilidade financeira das famílias para fazê-lo, uma vez que o endividamento da população está alto. Além disso, os preços de outros serviços também aumentaram e o risco de desemprego está presente.
“O que as pessoas precisam fazer é pesquisa de preço. O valor de um produto pode variar em até 40% em diferentes supermercados. É preciso procurar”, afirma o professor.
Outra modalidade que vale a pena é comprar coletivamente com familiares ou amigos em atacados visando diminuir o gasto. A compra no atacado vale a pena se o desconto for de 5% a 10%, já tendo embutido o valor gasto com deslocamento.
“A partir de 5% de desconto vale a pena, porque no Brasil temos que aprender a valorizar pequenas economias. Não temos esse hábito. Achamos que poupar dois reais por dia não é nada. Dois reais em um ano são R$ 720, que poderiam ser usados para comprar algo útil ou para ajudar a pagar as férias”, explica Myrian.
outras modalidades de investimento
Consórcio
É uma modalidade sugerida para quem não consegue guardar dinheiro de forma alguma. No consórcio o consumidor paga ao longo de um período por um produto que não pode usufruir de forma imediata. Ele deve lembrar que é preciso verificar a veracidade do consórcio junto ao Banco Central e nunca se deve comprar de instituições que não são autorizadas pelo mesmo.
“Eu creio que o financiamento ou parcelamento direto do consumidor que tem o negócio ou produto na mão é melhor do que utilizar um intermediário. O consumidor precisa avaliar caso a caso”, explica Meneghetti.
Comprar ouro
Quem compra ouro não está preocupado com rentabilidade, está preocupado em ter um bem real. Atualmente, as pessoas adquirem ouro quando estão em um momento de dúvida e incerteza quanto ao futuro da moeda. Este não é o caso do Brasil.
“Por exemplo, se eu estou na Grécia, onde o futuro da economia é incerto, posso comprar ouro para me prevenir”, pontua a planejadora.
Poupança
Essa hábito nunca foi voltado para grandes investimentos. É um produto para pequenos investidores, que não conhecem o mercado e querem segurança com pouco risco. Ele praticamente corrige a inflação. Para quem tem mais dinheiro na poupança, é aconselhável rever onde investir.
É preciso preparar o bolso para o segundo semestre
A economia, que já vinha cambaleante, só fez piorar desde o início do ano. A inflação está elevada e o desemprego é o maior desde 2010. Especialistas em finanças são unânimes: é preciso redobrar os cuidados com planejamento financeiro, evitar gastos desnecessários, escapar de juros altos e antecipar a solução de dívidas que possam crescer como bolas de neve.
Alguns compromissos são inevitáveis e inesperados, como conserto no carro ou na casa ou a compra de remédios para tratamento de saúde. Para estes casos, sempre é bom contar com uma poupança: CDBs e Fundos de Renda Fixa com baixas taxas de administração são boas alternativas, pois costumam render mais do que a inflação e têm flexibilidade caso seja necessário resgatar o dinheiro antes do vencimento.
O calendário dos impostos mais comuns para este segundo semestre prevê apenas a última faixa do imposto de veículos (IPVA), no entanto outros gastos difíceis de escapar, como férias e shows, podem ser minimizados com os descontos atraentes para compras à vista.
Confira dicas para se proteger da inflação
Para consumidores
1) Mapear gastos e receita
Como saber em que a inflação mais pesa se não souber com que o dinheiro do mês é gasto? O primeiro passo para se proteger dos efeitos da inflação é diagnosticar para onde vai o dinheiro que ganha (habitação, alimentação, transporte, educação etc.). Anotar, ainda que por um tempo delimitado, os principais gastos ajuda a mapear o consumo.
Com o consumo identificado, é possível tomar providências. Se o maior gasto for com transporte, por exemplo, talvez seja interessante vender o carro e passar a andar de ônibus e bicicleta.
2) Planejar as compras
No caso dos alimentos, comprar no atacado pode garantir preços bem menores. A dica é juntar alguns conhecidos para comprar grande quantidade de itens básicos e unânimes, como arroz e feijão.
3) Manter o equilíbrio
Cortar totalmente os gastos variáveis, tidos como supérfluos (como ir ao cinema ou a um restaurante), pode ser uma solução no curto prazo, mas difícil de ser mantida por muito tempo. "É como a dieta dos pontos, se você come o equivalente a 20 pontos em uma refeição, depois terá que comer apenas dois pontos na próxima. Por quanto tempo a pessoa agüenta esse jogo?", compara o economista da FGV e colunista da Folha, Samy Dana.
4) Trocar informações
Trocar informações com colegas é uma prática simples, mas muito útil. "As pessoas perderam essa noção de trocar serviços, dar dicas, indicar o cabeleireiro mais barato, o mercado mais em conta para determinados produtos", diz Dana. Hoje, há aplicativos que facilitam essa comunicação e comparação de preços, como o do Buscapé.
5) Rever o padrão de vida
A última opção para lidar com a inflação é reduzir o padrão de vida da família, mexendo em itens como escola e serviço de TV a cabo, por exemplo.
Para investidores
1) Avaliar riscos
Analise seu contexto financeiro para compor suas possibilidades de risco antes de escolher um investimento. Para um profissional autônomo, por exemplo, que tem uma renda mensal que costuma oscilar, pode ser melhor um investimento de baixo risco. Já um funcionário público, que tem estabilidade de renda e emprego, pode, se quiser, tentar investimentos mais arriscados.
2) Acompanhar indicadores
Para escolher o investimento ideal é possível trabalhar com projeções da inflação –como a pesquisa Focus, realizada semanalmente pelo Banco Central entre economistas– ou optar por ativos atrelados à inflação, como um título público –o que descartaria a poupança, por exemplo.
3) Ter atenção aos impostos
Não ignore o peso de impostos na hora de comparar e escolher investimentos. Por isso, compare todos os rendimentos em termos líquidos (ou seja, já com desconto de imposto).
4) Comparar aplicações
O título público do tipo NTN-B (Notas do Tesouro Nacional Série B) é o mais conhecido para o investidor se proteger da inflação. Ele rende o IPCA (índice que mede a inflação oficial do país) mais uma taxa de juros prefixada.
Ainda na renda fixa, outra alternativa são as debêntures (títulos de dívida emitidos por empresas em busca de financiamento) incentivadas (isentas de Imposto de Renda para pessoa física). Por serem incentivadas, elas também atendem a alguns critérios, como oferecer rentabilidade de IPCA mais uma taxa de juros.
O risco maior em relação às debentures é o de crédito (ou seja, de calote), exatamente porque o emissor é uma empresa privada. Por isso, antes de investir, é importante conhecer o risco que a empresa oferece.
A recomendação é não investir em uma única empresa, mas diversificar a aplicação.
Na renda variável, o fundo imobiliário pode ser uma opção, se o fundo comprar imóveis que têm contrataram com os inquilinos a correção do aluguel pela inflação (seja pelo IGP-M, mais comum, ou IPCA). A renda é mensal, isenta de Imposto de Renda e corrigida pela inflação.
O investidor deve se preocupar com quem é o inquilino que ocupa o imóvel, pois há risco de inadimplência, e se o imóvel é bom, para garantir que permaneça alugado.
5) Trocar informações
Assim como para tomar uma decisão de consumo, também na hora de escolher o investimento vale a pena conversar com colegas e familiares. "Para comprar o carro, a pessoa leva a família toda, mas, na hora de fazer um investimento maior, ela tem como principal consultor o gerente do banco, que é equivalente ao vendedor do carro", diz Dana.