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31/08/2015
Obesidade atinge pessoas de diversas idadesEstudo afirma que pessoas acima do peso têm mais probabilidade de desenvolver dezessete tipos de câncer
A obesidade é um grave problema de saúde pública mundial. A situação não é nada boa no Brasil, que está entre os países com maior número de obesos. Mais da metade da população adulta brasileira está acima do peso, segundo pesquisa do Ministério da Saúde (MS) divulgada em 2013.
Os dados são ainda mais preocupantes na medida em que estudos avançam e relacionam o Índice de Massa Corporal (IMC) elevado a fator de risco de câncer.
Estudo publicado na revista “The Lancet”, em 2014, considerado o mais abrangente sobre obesidade e câncer, concluiu que pessoas acima do peso têm mais probabilidade de desenvolver 17 tipos da doença, entre eles no intestino grosso, na mama da mulher (pós-menopausa), endométrio, rins, vesícula biliar, esôfago, ovário, fígado, tireóide e leucemia.
“Em relação ao câncer de mama, o aumento do risco depende do status menopausal. Após a menopausa, as mulheres obesas têm um risco 1,5 vez maior de desenvolver câncer de mama quando comparadas às mulheres com peso adequado, além de um risco maior de morrer em conseqüência desse câncer”, explica o oncologista Amândio Soares, diretor do Grupo Oncomed-BH.
Câncer de próstata
Segundo o especialista, entre os pacientes com câncer de próstata, existe uma clara relação entre obesidade e agressividade da doença, com aumentos nas taxas de recorrência e de mortalidade. “Esses aumentos são proporcionais ao grau de obesidade”, explica Soares.
A obesidade também tem relação com um subtipo específico de câncer de esôfago, chamado de “adenocarcinoma”. Já o aumento do risco de câncer de intestino grosso em pessoas obesas ocorre mais em homens quando comparados com as mulheres.
Causas
As principais causas da obesidade são o sedentarismo e o consumo exagerado de alimentos com alto valor calórico e/ou gorduras. “O sobrepeso e a obesidade são causados por uma alimentação pouco saudável”, destaca Soares.
Conseqüências
Além de câncer, obesos têm mais chances de sofrer com outras doenças, como diabetes, doenças cardiovasculares, aumento da pressão arterial e acidente vascular cerebral. “É importante lembrar que a obesidade é acompanhada pela redução na expectativa de vida, o que significa que, geralmente, as pessoas obesas vivem menos tempo”, ressalta o diretor do Grupo Oncomed-BH.
Crianças acima do peso vão viver menos que seus pais
No café da manhã, suco de caixinha. No almoço, lasanha congelada. De lanche, um salgadinho e, para o jantar, macarrão instantâneo. O que era para ser apenas uma alternativa conveniente e esporádica acabou se tornando rotina nas mesas de famílias pelo mundo todo — e a praticidade agora cobra seu preço.
Enquanto a expectativa de vida aumentou entre as últimas gerações, as crianças de hoje em dia provavelmente viverão menos do que seus pais. E muito da culpa será, justamente, das comidas industrializadas e fastfoods.
O alerta é da coordenadora do departamento de obesidade da Sociedade Brasileira de Endocrinologia, Zuleika Halpern, que classifica como epidemia os atuais números da obesidade no Brasil. De acordo com dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) em parceria com o Ministério da Saúde, uma em cada três crianças de cinco a nove anos está acima do peso recomendado pela OMS (Organização Mundial da Saúde).
Pesquisa
A pesquisa é de 2009 e, em comparação com os números de 1974, o registro do excesso de peso na infância triplicou, passando de 9,7% para 33,5%. A projeção para 2025 é de que a quantidade de crianças obesas chegue a 75 milhões, caso nenhuma providência seja tomada.
“Essa obesidade nas crianças não só faz com que elas fiquem doentes, mas também que tenham chance de morrer prematuramente de infarto, câncer e diabetes. Elas estão ficando hipertensas, com aumento de colesterol e triglicérides, fatores que, de acordo com estudos muito bem estabelecidos, contribuem para o aumento de morte dessas crianças no futuro”, afirma.
Além dos problemas físicos, que incluem também alterações hormonais e, posteriormente, sexuais, a obesidade infantil é responsável por distúrbios alimentares e depressão, podendo levar, inclusive, ao suicídio na adolescência.
“As crianças ficam absolutamente isoladas socialmente, são discriminadas. Ninguém as chama para a turma, para jogar bola, para brincar, e ainda viram motivo de chacota, recebendo apelidos horrorosos. Há crianças obesas que chegam ao ponto de não querer mais nem ir para a escola”, ressalta.
A culpa é dos pais
Embora os pequenos tenham certo poder de decisão sobre o que consomem ou não, quem acaba dando a palavra final são os pais — e é aqui que mora o perigo. Se não houver firmeza e a família toda se deixar levar pelos desejos das crianças, com certeza a despensa vai ter muito mais guloseimas do que alimentos saudáveis.
Para Zuleika, os pais são totalmente responsáveis pela saúde dos filhos, especialmente no que diz respeito ao peso e controle da obesidade.
Sem o envolvimento deles, a criança não conseguirá modificar seus hábitos sozinha, ainda mais quando há tamanha oferta de doces e salgadinhos em locais como farmácias, padarias e bancas de jornal, sempre em prateleiras estrategicamente dispostas na altura das crianças.
“A criança consome o que os adultos oferecem, ela se senta à mesa e vai comer o que tem. Vivemos em uma época em que as pessoas trabalham mais, e ninguém tem tempo de cozinhar. A pessoa entra no mercado, compra vários pacotes, põe a criança na frente da TV, dá um pacote e vai fazer outra coisa. A crise da obesidade tem vários componentes, mas, sem dúvida nenhuma, se houvesse uma oferta de alimentos prontos mais saudáveis, seria uma boa ajuda para os pais”, diz.
Saiba os principais vilões que podem levar a contrair câncer
Alimentos ricos em gordura (carnes vermelhas, frituras e bacon): consumidos regularmente em longo prazo, fornecem o tipo de ambiente que uma célula cancerosa necessita para crescer, se multiplicar e se disseminar.
Picles, salsicha, embutidos e alguns tipos de enlatados:
contêm níveis significativos de agentes cancerígenos, como nitritos e nitratos usados para conservar alimentos.
Defumados e churrascos:
São impregnados pelo alcatrão proveniente da fumaça do carvão, o mesmo encontrado na fumaça do cigarro e que tem ação carcinogênica conhecida.
Hábitos saudáveis têm de ser estimulados
A frase “você é o que você come” nunca fez tanto sentido. Algumas mudanças nos hábitos alimentares podem ajudar a reduzir os riscos de desenvolver câncer. O Instituo Nacional de Câncer (Inca) recomenda o consumo de frutas, verduras, legumes e cereais integrais, que contêm vitaminas, fibras e outros compostos que auxiliam as defesas naturais do corpo a destruir os carcinógenos antes que eles causem danos às células.
“A melhor recomendação para reduzir a obesidade é estimular, desde a infância, os hábitos saudáveis de alimentação e a prática regular de atividade física. Exercícios são altamente relevantes na promoção do bem-estar físico e emocional, além de favorecer a redução da taxa de obesidade”, destaca o oncologista Amândio Soares.
Hábitos alimentares devem ser observados diariamente
Todos os anos, um americano médio come 15 kg de queijo, 32 kg de açúcar, e, por dia, 8,5 gramas de sal, o dobro do recomendado pela Organização Mundial da Saúde. E, ao contrário do que se possa pensar, estas cifras não vêm de escolhas voluntárias, como, por exemplo, chacoalhar o saleiro em cima do prato, mas, vêm, sim, dos alimentos industrializados.
Para mostrar de que maneira chegamos à epidemia da obesidade e a hábitos alimentares tão prejudiciais à saúde, o jornalista vencedor do prêmio Pulitzer, Michael Moss, escreveu o livro Sal, Açúcar, Gordura, lançado no Brasil em 2014 pela editora Intrínseca.
A publicação se baseia em uma extensa pesquisa envolvendo as grandes companhias de alimentos multinacionais, laboratórios e cientistas, e aponta que, na guerra pela conquista dos consumidores, vale tudo, até mesmo apelar para o abuso dos três ingredientes que dão título ao livro, e para estratégias comerciais tão agressivas quanto eram as da indústria do tabaco, antes deste tipo de propaganda ter sua veiculação proibida.