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19/09/2015
O ituveravense Lineu de Paula Leão e a esposa Elza Telles Faleiros Leão Ituveravense Lineu de Paula Leão foi um atuante político no Estado e o responsável por conquistas para Ituverava
Foi aprovado na última sessão da Câmara Municipal de Ituverava, realizada no dia 1° de setembro, o Projeto de Lei que concede o Título de Honra ao Mérito, ao ex-deputado estadual, o ituveravense Lineu de Paula Leão. A homenagem partiu do vereador Luiz Araújo, e foi aprovada por unanimidade.
Com uma história repleta de vitórias e conquistas e com um relevante trabalho prestado para Ituverava, o ex-deputado estadual Lineu de Paula Leão completou 87 anos, dia 10 de agosto.
Foi um atuante político no Estado de São Paulo, o ituveravense foi, além de deputado estadual, chefe de Gabinete, do secretário da Casa Civil, Henrique Turner, do governo Abreu Sobre. Sempre muito dedicado e predeterminado a alcançar os seus objetivos, também foi bem-sucedido como bancário, chegando a assumir o cargo de chefe da Carteira Agrícola da agência de Presidente Venceslau, em 1961.
Lineu de Paula Leão é casado com a professora Elza Telles Faleiros Leão e são seus filhos Sandra Maria Leão Fernandes, casada com Saturnino Fernandes, e Lineu Júnior (in memorian), e netos Flávia Leão Fernandes e Ivan Leão Fernandes. O homenageado nasceu em 10 de agosto de 1929, em Ituverava, e é filho de Aristides de Paula Leão e Alayde de Paula Silveira, e são seus irmãos Valter de Paula Leão, José de Paula Leão, Francisco de Paula Leão, Luzia de Paula Leão Costa e Fausta Leão Gambi.
Para falar sobre seu trabalho político, suas conquistas e trajetória, Lineu de Paula Leão concedeu entrevista à Tribuna de Ituverava.
Nascimento
“Nasci em 10 de agosto de 1929, em Ituverava, e sou filho de Aristides de Paula Leão e Alayde de Paula Silveira. Tenho, portanto, 86 anos. No entanto, o meu pai me registrou como nascido em 10 de setembro daquele ano. Perguntei a ele o motivo da escolha do meu nome e ele afirmou-me que leu em um almanaque, homenageando o grande naturalista e médico sueco de nome idêntico. Éramos seis irmãos, sendo quatro homens e duas mulheres. Vivo, só resta eu.
Alguns dos meus irmãos dão nomes a logradouros na cidade. José de Paula Leão, político de âmbito municipal, vereador por diversas gestões e presidente da Câmara, dá nome a uma rua. Outro irmão, o médico, Dr. Francisco de Paula Leão, empresta seu nome à principal avenida da vizinha Guará.
Fui homenageado pela Lei Nº 3.250/99, promulgada em 10 agosto de 1999, com meu nome dado à avenida projetada a ser construídas às margens do Córrego Lavapés (que será canalizado), com início na Praça Balduíno Paiva Lino até a rua José Carrer.
Assim, quando e se for construída, meu nome será o da avenida que ligará as avenidas Orestes Quércia e Paulo Borges de Oliveira”.
Condição socioeconômica
“Meu pai, capitão de Guarda Nacional, e meu avô materno, José Honório da Silveira, coronel da mesma, foram grandes fazendeiros em Ituverava e Guará, porém faliram na crise de 1929.
Meu avô, com o tempo, tornou-se novamente bem de vida. Meu pai, não. Nasci na pobreza, ao contrário de meus irmãos, mais velhos, basta dizer que até hoje conservo uma foto de meu irmão, Valter, nascido em 1919, montado em um pônei, cujos adereços eram de prata”.
Ituveravense é bacharel em Ciências Econômicas
“Exceto por curto espaço de tempo quando freqüentei o Colégio Champagnhat, dos Irmãos Maristas, em Franca, mas fiz o curso primário no Grupo Escolar ‘Fabiano Alves de Freitas’, único existente nesta cidade, na época.
Aos dez anos distribuía pela cidade, a programação do saudoso Cine Santa Cecília, a fim de poder entrar de graça.
Meu pai, de grande fazendeiro, tornou-se carpinteiro. Como ele, aprendi algumas coisas sobre carpintaria. Antes de sair do primário, já tinha minha caixa de engraxate, feita por mim. Aos sábados e domingos, percorria as ruas então poeirentas da cidade, procurando sapatos para engraxar. Logo depois, construí mais quatro caixas, que forneci a amigos, juntamente com o respectivo material (graxa, escovas, etc.), sendo que lhes pagava porcentagem do que ganhavam. Creio que, aos 10 anos, já praticava, sem saber, os conceitos de empresa e capitalismo.
Também freqüentei o saudoso Ginásio Municipal de Ituverava, dos irmãos Antônio e Cícero Barbosa Lima, que era localizado na Praça Dez de Março (Bar do Japão), em prédio de dois andares.
Embaixo, a Sorveteria do Severino e em cima, o ginásio. Vivos, dos que me lembro que cursaram o ginasial comigo, estão os ex-colegas Arlindo Alexandre Barbosa (“Arlindo Gato”), Madalena Barbosa, Edna Borba de Paula, Jacy Barbosa Faleiros e Lucy Barbosa Lima.
Em dezembro de 1948, conclui o curso científico no Colégio Estadual de Franca, com a média de 8,5, obtendo o segundo lugar da turma.
Em 1961, como primeiro colocado, bacharelei-me em Ciências Econômicas na agora Universidade de Marília. Em 1975, voltei à mesma instituição para o curso de Atualização Empresarial. Meu registro no Conselho Regional dos Economistas do Estado de São Paulo, número 1.872, é um dos mais antigos”.
História de amor de Lineu e Elza já dura sessenta anos
“Prestei concurso para o Banco do Brasil, no qual tomei posse em 5 de março de 1954, na cidade de Rancharia, na alta Sorocabana paulista.
Em 3 de julho de 1954 (4 meses após ingressar no Banco do Brasil) casei-me com a também ituveravense Elza Telles Faleiros, de tradicional família local, que conheci em março de 1947, e pela qual apaixonei-me. Após 60 anos de casados, continuo cada vez mais a admirando, respeitando e amando”.
Filhos
“Com Elza tive dois filhos: Sandra Maria Leão Fernandes, casada com Saturnino Fernandes, e Lineu Júnior (in memorian), que nós perdemos tragicamente, em acidente ocorrido em Campo Grande, capital do Mato Grosso do Sul, no dia em que fez 27 anos: 12 de julho de 1985, recém-formado engenheiro civil. São meus netos Flávia Leão Fernandes e Ivan Leão Fernandes”.
Lineu de Paula Leão atuou na Força Aérea Brasileira
“Em concurso de âmbito nacional, ingressei, em 1950, no Curso Superior de Oficiais Aviadores da Força Aérea Brasileira, então sediada no Campo dos Afonsos, no Rio de Janeiro.
Na academia começaram a nascer os meus ideais de homem público, plasmada que foi minha formação por uma plêiade de oficiais em que se distinguiam meu primeiro instrutor de vôo, o então tenente José Chaves Lameirão, um dos protagonistas da Rebelião de Jacareacanga, no governo de Juscelino Kubitschek, e o então comandante do Corpo de Cadetes, major Délio Jardim de Matos, posteriormente ministro da Aeronáutica.
Também freqüentei o curso da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra, em 1973, em São Paulo”.
Saída da Força Aérea Brasileira
“Em virtude de acidente aviatório ocorrido em 1952, no final do curso, fiquei alguns meses hospitalizado. Verificado que meu estado de saúde não permitia continuar como aviador militar, dei baixa na Força Aérea.
Nesta ocasião, meu mundo desabou sobre minha cabeça. Nunca imaginei deixar a carreira de aviador militar.
Continuei no Rio, onde cursei dois anos do curso de Matemática, da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da hoje Universidade do Rio de Janeiro, trancando minha matrícula no início do terceiro ano”.
Cronograma de gastos
“Desde que ingressei no Banco do Brasil e após meu casamento, eu e minha esposa organizávamos mensalmente um cronograma de ganhos e gastos de tal maneira que sempre economizávamos algo. Ela, como professora primária, concursada do Estado, durante 30 anos, não via um só níquel de seus proventos, pois eram juntados aos meus, pois fazia parte do tal cronograma. Economizávamos tanto que durante anos eu ia trabalhar no Banco do Brasil com os grosseiros borzeguins de militar, o que era motivo de chacota por partes de alguns colegas.
Lote de terras
Em 13 de abril de 1960, comprei meu primeiro lote de terras, no município de Rancharia. Tratava-se de 15 alqueires paulistas. Continuei comprando lotes anexos até 9 de julho de 1979, perfazendo o total de 359 alqueires os quais vendi, já valorizados, quando comecei a comprar terras no Mato Grosso do Sul”.
Visão
“Logo lancei meus olhos sobre o mapa do Mato Grosso do Sul. Constatei, pelos estudos efetuados, que havia uma região de excelente regime pluviométrico, clima quente, fartura de água e esquecida de todos, pois para ir até lá, do Estado de São Paulo, tinha-se que percorrer centenas de quilômetros de estrada de terra e vindo de capital do Mato Grosso do Sul (Campo Grande) aproximadamente 450 quilômetros da pior estrada que se pode imaginar.
Tratava-se de Alcinópolis, cidade iniciada em 8 de outubro de 1975, hoje município e, anteriormente, distrito de Coxim. As terras eram baratíssimas e comecei a comprá-las.
No governo Geisel, foi instituído, através do Banco do Brasil, o programa intitulado Polocentro, com juros baratíssimos, 4 anos de carência para iniciar o pagamento e com prazo total de 15 anos. Comecei, então, a desmatar o cerrado, formar pastagens e comprar novilhas e touros. Este foi o início de meu rebanho.
No início, tudo foi muito difícil. O jipe Toyota Bandeirantes, em que andávamos (eu e minha esposa), era extremamente duro e desconfortável. As casas, de madeira, tinham de ser construídas às beiras do córrego. O banheiro se constituía de um “Tiradentes” (balde de lata, com um chuveiro adaptado em baixo). Os utensílios de cozinha eram lavados no córrego.
Hoje, a situação é outra. A estrada federal de Coxim a Alcinópolis, está totalmente asfaltada. Campo Grande está a 310 quilômetros de Alcinópolis, em estrada asfaltada. Naturalmente, as terras já estão se valorizando extraordinariamente”.
Paixão por Aviões
“O máximo que consegui, em virtude do estado físico, motivado pelo acidente a que me referi anteriormente, foi a carteira de piloto privado. É de se notar que sou o sócio 4.119, admitido em 8 de setembro de 1953 no Aeroclube do Brasil, do Rio de Janeiro Hoje, possuo avião, um Cesna 210, de seis lugares, e piloto particu- lar. Com tal avião é que percorro minhas fazendas”.
Religião
“Sou cristão, kardecista. Acredito na reencarnação, pois pressupondo como um dos atributos de Deus a bondade extrema, não posso acreditar que, como bom Pai, Ele possa nos punir pelo que erramos em uma única existência sem nos dar a oportunidade de nos redimirmos em outra”.
Orientação Política
“Acredito que só a democracia nos dá a oportunidade de crescermos econômica e financeiramente, de acordo com nosso esforço, tenacidade e trabalho. Sou, portanto, democrata de centro-direita”.
Carreira
“Fiz rapidamente minha carreira no Banco do Brasil, de tal sorte que no início de 1961 já era chefe da Carteira Agrícola da agência de Presidente Venceslau. Nesta agência, deslanchei com rapidez minha situação econômica, agora ajudado pela renda que auferia na gleba de Rancharia.
Como chefe na Carteira Agrícola, eu tinha clientes do Estado do Mato Grosso do Sul e sabia, portanto, os valores das terras, as condições de pagamentos, etc.
Não havia ainda sido construída a ponte Maurício Jopert, sobre o rio Paraná, que ligaria com conforto e rapidez o Estado de São Paulo e Mato Grosso do Sul. A travessia era efetuada em balsas, demoradas, de horários aleatórios e sem nenhum conforto.
No final do trabalho semanal no Banco do Brasil (às sextas-feiras), saia às 18h da agência. Sem voltar ao lar, atravessava o rio de balsa com jipe, e adentrava ao Mato Grosso do Sul e ia direto às glebas e aos respectivos proprietários, os quais, como eu já fora informado, queriam vendê-las.
Proprietários que não conheciam o fator inflação, recém-instituída por Juscelino Kubistchek na construção de Brasília. Assim, passei a adquirir terras com até 5 anos de prazo e com pagamentos anuais sem correção monetária. Posteriormente, vendia-as, com os compradores assumindo minhas dívidas e deixando-me lucro”.