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ECONOMIA

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30/09/2015

NÚMERO DE SALÁRIOS USADOS PARA PAGAR UM CARRO CAI EM 10 ANOS

Volkswagen Gol: Para comprar um carro hatch, hoje são necessários 66 salários mínimos, ante 124 em 2005

São Paulo - O esforço para comprar um carro diminuiu significativamente nos últimos dez anos. Se em 2005 eram necessários 124 salários mínimos para comprar um veículo hatchback - segmento que inclui modelos como Volkswagen Gol e Fiat Uno -, hoje são necessários 66 salários mínimos.



A constatação faz parte de um levantamento da consultoria automotiva Jato Dynamics, que comparou a evolução do salário mínimo e dos preços médios de carros de diferentes categorias entre 2005 e 2015.



No período analisado, o salário mínimo do brasileiro passou de 300 reais para 788 reais, um aumento de 162% e o valor médio dos veículos hatchbacks saltou de 37.227,79 reais para 51.987,87 reais, uma alta de 39,65%.



De acordo com o estudo, o número de salários necessários para comprar um carro hoje é bem inferior ao que era necessário há dez anos em todas as categorias compreendidas pelo levantamento: hatchback, SUV, sedã, SW e Mini MPV.



No caso da categoria SUV, que inclui modelos como Hyundai Tucson e Ford EcoSport, enquanto em 2005 o consumidor precisava de 384 salários mínimos para comprar um veículo do segmento, hoje ele precisa do valor equivalente a 152 salários, menos da metade do que era necessário antes.



O valor médio dos veículos SUV subiu 3,83% entre 2005 e 2015, passando de 115.010 reais para 119.424,38 reais, o maior preço médio entre as categorias analisadas no estudo.



Já os carros sedãs passaram de um valor médio de 51.125 reais para 68.655 reais de 2005 a 2015, uma alta de 34,28% no período. Assim, se em 2005 eram necessários 170 salários mínimos para quitar um sedã, hoje são necessários 87.



Na categoria SW, que inclui carros como o Fiat Palio Weekend e Volkswagen Parati, se em 2005 o valor médio dos carros era equivalente a 186 salários mínimos, hoje o preço médio equivale a 86 salários mínimos. E no segmento Mini MPV, que engloba carros como o Chevrolet Meriva, Chevrolet Zafira, Citroën Xsara Picasso, o número de salários necessários caiu de 191 para 79.



Demanda x oferta



De acordo com Mauricio Ogata, pesquisador da Jato Dynamics responsável pelo levantamento, um dos principais fatores que contribuiu para a diminuição do número de salários necessários foi a expansão das montadoras no país, que resultou na maior oferta de carros.



“Em 2005, existiam 30 marcas no mercado, agora temos 44. Assim, temos hoje mais versões e modelos disponíveis e com o aumento da oferta, o preço caiu”, diz Ogata.



Além da maior oferta, com a presença de mais empresas no mercado, a disputa pelos clientes também aumentou. “Enquanto em 2005 quatro montadoras dominavam o mercado, hoje temos uma presença maior de outras marcas, o que aumenta a competividade e leva as montadoras a reduzirem os preços”, diz Ogata.



Ele acrescenta ainda que o avanço tecnológico na fabricação dos modelos também contribuiu para que o aumento nos preços dos veículos fosse inferior ao avanço dos salários, à medida em que possibilitou reduções nos custos de produção dos modelos.



Veja na tabela a seguir o número de salários mínimos necessários para comprar os carros das marcas mais vendidas das categorias hatchback, sedã, SUV, SW e Mini MPV entre os anos de 2005 e 2015.



As marcas mais vendidas são: Fiat, Chevrolet, Ford, Volkswagen, Hyundai, Kia, Renault, Citroen, Peugeot, Honda, Toyota, Nissan e Mitsubishi



O levantamento também avaliou as variações dos preços dos veículos premium, que compreendem os carros das seguintes montadoras: Audi, BMW, Mercedes Benz, Land Rover, Volvo, Dodge, MINI, Subaru, SMART, Lexus, Jaguar e Chrysler.



Confira a seguir como a relação entre os salários mínimos e os preços médios dos veículos mudou entre 2005 e 2015 no caso dos veículos premium.



Os dados dos veículos premium mostram que entre os carros de luxo também foi verificada uma redução significativa na relação entre os salários mínimos e os valores médios dos veículos.



Milad Kalume Neto, gerente de desenvolvimentos de novos negócios da Jato Dynamics, afirma que o avanço da indústria automotiva no perído da gestão de Luiz Inácio Lula da Silva explica em boa parte o resultado do estudo.



De acordo com ele, entre o fim da década de 90 e o início dos anos 2000, a indústria automotiva foi afetada pelas crises asiática, russa e a crise do dólar, mas em 2005 a indústria automotiva já estava em plena recuperação e o nível de desemprego passou a cair, ocasionando o aumento da competitividade no setor. "O aumento dos salários nominais e a diminuição dos preços dos veículos, em função da alta competividade, ocasionaram os resultados observados na pesquisa", afirma Kalume.

Fonte: br.msn.com

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