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09/10/2015
Número de linhas no Brasil caiu em agosto pelo 3º mês seguido. Uso de aplicativos como Whatsapp também contribui para a queda.
A situação de fraqueza econômica e a tendência de maior uso de aplicativos de mensagens pela Internet têm contribuído para a queda da base de linhas celulares em uso no Brasil, uma tendência que deve permanecer pelo menos até o fim deste ano, segundo analistas.
A redução da base total é provocada por uma queda no número de celulares pré-pagos, que não está sendo compensada em volume pelo aumento das linhas pós-pagas.
Efeito Whatsapp
Além disso, o uso cada vez mais disseminado de aplicativos de mensagens pela Internet como Whatsapp, que atrela as conversas dos usuários a um único número de telefone, acaba intensificando a tendência de redução do número de chips por usuário.
"O mercado de celular brasileiro já está saturado, estamos com penetração de 148%", disse Ari Lopes, analista da consultoria de telecomunicações Ovum.
"É muito comum as pessoas terem dois ou três chips. Agora, estão desconectando o segundo e o terceiro, por conta do maior uso de mensagens (pela Internet)", completou Lopes.
Número de linhas caiu pelo 3º mês seguido
Na quinta-feira, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) informou que a base de telefonia celular do Brasil em agosto voltou a cair, com o número de linhas móveis recuando em 1,42 milhão sobre julho e encerrando o mês em cerca de 280 milhões.
O recuo foi o terceiro consecutivo desde maio, em um movimento em que as operadoras estão vendo redução da base de linhas pré-pagas, menos rentáveis que as pós-pagas. Desde maio, a base total do país teve redução de 4,132 milhões de linhas celulares.
Para 2015, a Ovum prevê estabilidade frente ao ano passado, quando a base ficou em 280,7 milhões de acessos móveis. Segundo o analista da consultoria, a queda do pré-pago e do uso de voz e SMS tem afetado negativamente a receita por usuário das operadoras, já que a alta do faturamento com dados ainda não compensou esse declínio.
"O pré-pago deve continuar encolhendo até o fim do ano. Hoje a participação (na base total) está em 74%, deve se estabilizar em 70%", declarou Eduardo Tude, presidente da consultoria especializada Teleco. "A situação econômica ruim ajuda essa tendência de queda", completou.
O analista da corretora XP Investimentos Celson Plácido também credita a redução da base ao cenário econômico deteriorado. "Mesmo tendo mais de um chip, o usuário precisa colocar crédito sazonalmente para conseguir ligar para a mesma operadora", declarou. "Então, há o problema econômico entre as pessoas de mais baixa renda, que cortam as operadoras que usam menos."
De fato, os dados da Anatel confirmam essa tendência. O indicador de densidade, que é a quantidade de acessos por 100 habitantes, teve queda nos últimos meses, passando de 138,23 em junho, para 136,86 em agosto.
Fonte: g1.globo.com