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16/11/2015
A Dra. Manuelina Macruz BritoNeurologista Manuelina Macruz Brito fala sobre sintomas e tratamentos das cefaleias
Dor de cabeça é uma das queixas mais comuns da população. Pare e pense quantas pessoas você conhece que nunca tiveram dor de cabeça? Poucas, não é? De acordo com estudos 99% da população sofrerá ao longo da sua vida, pelo menos uma vez, de dor de cabeça.
A dor de cabeça acompanha a humanidade em toda a sua história. Achados arqueológicos com data aproximada de 7000 anos A.C. já sugeriam humanos com intensas crises que eram interpretadas como a presença de maus espíritos dentro do crânio. Os primeiros tratamentos consistiam em trepanações (buracos no crânio) para que demônios e maus espíritos pudessem escapar da cabeça do paciente.
Muito se evoluiu desde então, mas ainda é muito comum existirem dúvidas quando se fala de dor de cabeça. Por este motivo, Tribuna de Ituverava ouviu, nesta semana, a neurologista Dra. Manuelina Macruz Brito, que para falou um pouco obre esse assunto tão importante.
Tribuna de Ituverava: Enxaqueca, dor de cabeça, migrânea e cefaleiasão são a mesma coisa?
Dra. Manuelina: Não. Cefaleia é o termo médico que usamos para falar de dor de cabeça de uma maneira geral. Enxaqueca e migrânea são sinônimos e são um dos possíveis tipos de cefaleia. Embora a enxaqueca seja a dor mais conhecida ela não é a única. Essa dor é de um lado só da cabeça, latejante (parecendo um coração na cabeça), que piora com luz, barulho, cheiros e que é acompanhada de náusea e/ou vômito. Outra dor muito comum é a cefaleia tipo tensional, que costuma estar associada ao stress. Nesse tipo a sensação de dor é em aperto e é percebida na cabeça toda. Costuma acontecer mais no final do dia e geralmente melhora com um analgésico simples.
Tribuna de Ituverava: Ter dor de cabeça é normal? Toda cefaléia é grave?
Dra. Manuelina: Ter dor de cabeça é comum, porém não é normal, mas isso não significa que toda cefaléia é grave, pois maioria é benigna, ou seja, não oferece risco de morte, e são chamadas de primárias. Dentre as primárias, a mais conhecida é a enxaqueca. Existem várias outras causas de cefaléia que podem variar desde uma simples ressaca até algo potencialmente fatal como um tumor ou uma meningite.
Tribuna de Ituverava: Como o neurologista sabe se a dor é grave?
Dra. Manuelina: A parte mais importante da investigação de uma cefaléia é a história da dor. De acordo com as características da dor, podemos, na grande maioria das vezes, suspeitar da origem e quando necessário alguns exames podem ser solicitados para complementar a investigação, como, por exemplo, a tomografia de crânio.
É muito comum o paciente dizer: Dra. “tomo tudo que a senhora pode imaginar de remédio mas minha dor não passa”, ou “Dói tanto que não é possível que não tenha alguma coisa ruim na minha cabeça”. Porém a intensidade da dor não tem relação com a sua gravidade e ouso exagerado de medicação para controle da dor é uma das principais causas de cronificação de cefaléia fazendo com que a pessoa passe a maior parte do tempo em sofrimento.
Alguns aspectos da dor devem chamar a atenção e sempre que presentes devem ser investigados. Exemplos desses sinais são: início súbito, febre, início depois dos 50 anos, perda de peso acentuada, crises convulsivas ou alteração de força junto com a dor.
Tribuna de Ituverava: Cefaléia tem cura?
Dra. Manuelina: Não, mas ao contrário do que muitos pensam cefaléia é passível de controle. Mais do que risco de morte a cefaléia crônica causa perda de qualidade de vida. Nos últimos anos houve um grande avanço no conhecimento sobre cefaléia e isso ampliou muito as possibilidades de tratamento.
O tratamento pode ser feito somente para as crises de dor ou com uso de medicação diariamente, o que chamamos de tratamento profilático. Mesmo para as dores consideradas refratárias, que não melhoram com nenhum remédio por boca, existe a opção do tratamento com aplicação de Botox®, que já bons resultados comprovados. É importante também lembrar da parte não medicamentosa do tratamento, como por exemplo exercício físico, alongamentos, regularidade do sono e acupuntura.
Outro fator importante no tratamento é a alimentação. Não existe uma lista de privações, mas de maneira individualizada, a restrição de alimentos ingeridos pode melhorar bastante a freqüência das dores.
Tribuna de Ituverava: Todo mundo que tem dor tem que tratar?
Dra. Manuelina: Não. A decisão sobre tratamento é tomada em conjunto entre o médico e o paciente, mas deve ser pensada sempre que a dor atrapalhar o dia a dia da pessoa independente se ela acontece 1 vez por mês no período menstrual ou todos os dias.
Tribuna de Ituverava: Quando devo procurar um neurologista?
Dra. Manuelina: Sempre que a dor atrapalhar ou preocupar. Assim se você apresenta qualquer sofrimento com sua dor de cabeça ou tem qualquer dúvida sobre a mesma deve procurar atendimento médico com um neurologista.
Profissional
Dra. Manuelina Mariana Capellari Macruz Brito fez sua formação em neurologia pelo Hospital de Base de São José do Rio Preto – FAMERP. Sua sub-especialização aconteceu no Hospital das Clínicas HC-FMRP em Ribeirão Preto, nas áreas de Distúrbios do Movimento e Neurologia Comportamental. Participa, como membro titular, da Academia Brasileira de Neurologia e da International Parkinson and Movement Disorder Society.
Atualmente é médica assistente no HC em Ribeirão Preto, atuando nos ambulatórios de Distúrbio de Movimento, Neurocomportamental Etoxina Botulínica.
Ela é colaboradora do Ambulatório de Distúrbios do Movimento, Aplicação de Toxina Botulínica e Neurologia Comportamental do HCRP-USP. Dr. Manueline atende em Ituverava na Clínica Ducatti, à Rua Maria Liporaci, 311, telefones (16) 3839-0755 ou (16) 3839-0104.
Mitos
Pressão alta: A elevação da pressão arterial não causa dor de cabeça, o que acontece é que às vezes quando a pessoa vai medi-la já está sentindo o incômodo.
Problemas de visão: como a miopia e as cefaleias são duas doenças muito freqüentes é comum que elas existam na mesma pessoa, mas o uso de óculos não alivia a dor.
Sinusite: a sinusite quando aguda pode causar dor de cabeça, mas tem que melhorar após tratamento.
Grávida não pode tratar: a escolha do medicamento é mais criteriosa, mas não é preciso esperar o parto para o início do tratamento.