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13/12/2015
A cirurgiã-dentista e mestranda Ana Rosa Matos Galdiano PilottoEvento contou com a participação de renomados palestrantes de vários países
Foi apresentado na JABRO/2015 (Jornada da Associação Brasileira de Radiologia Odontológica) o trabalho “Aspectos Imaginológicos do Carcinoma Epidermóide em Maxila”, de autoria principal da cirurgiã-dentista e mestranda Ana Rosa Matos Galdiano Pilotto, proprietária da Radiologia Padrão.
O evento contou com a participação de renomados palestrantes de vários países, como, Japão, Argentina e Alemanha.
Segundo ela, o objetivo do trabalho foi mostrar a importância de exames de imagem antes de qualquer intervenção odontológica, preservando desta maneira, não só a saúde bucal como a do organismo em geral. “Evita-se, dessa forma, possíveis complicações ou disseminações de patologias. Nos exames de imagem é possível detectar lesões cancerígenas em estágios iniciais, aumentando a chance de cura”, afirma Ana Rosa.
“O cirurgião-dentista desempenha um papel de suma importância no diagnóstico e tratamento destas lesões. No Brasil, a incidência de câncer bucal é considerada uma das mais altas do mundo e já ocupa o terceiro lugar entre os países com maior incidência”, ressalta.
Idade paciente
Ainda de acordo com ela, a idade média dos pacientes é de 60 anos, e 95% dos casos ocorrem após os 45 anos de idade. “Os cânceres bucal e de garganta antigamente afetavam mais homes em torno dos 50 anos, tabagistas ou alcoólatras, mas esse perfil mudou. Hoje, esses tumores atingem também os mais jovens entre 30 e 45 anos, mesmo que não fumem e nem bebam em excesso. Segundo estudo publicado na revista científica International Journal of Cancer, 32% dos tumores de boca em jovens tem associação com o papilomavírus (HPV)”, destaca.
“A taxa de incidência relacionada à infecção pelo HPV vem crescendo entre a população de jovens e adultos de ambos os sexos. As localizações mais comuns do câncer de boca são no terço anterior da língua, nos lábios, assoalho bucal e palato duro. A doença localizada na língua tem o pior prognóstico dentre todas as outras localizações da boca. A identificação dos fatores de risco é fundamental para que se estabeleçam medidas preventivas, de forma a reduzir a incidência desse tumor”, enfatiza a cirurgião-dentista.
Fatores
Ana Rosa Matos Galdiano Pilotto enumera os fatores que reconhecidamente aumentam o risco. “São eles: tabagismo – os indivíduos tabagistas apresentam um risco vinte vezes maior de desenvolver câncer de boca, quando comparados aos indivíduos que nunca fumaram; alcoolismo – o álcool atua como importante coadjuvante na gênese de vários cânceres; dieta pobre em vitaminas e sais minerais também está relacionada ao risco aumentado de câncer de boca; fatores hereditários; imunossupressão; infecção – infecção causada por alguns tipos de vírus, como o papilomavírus humano (HPV) e o vírus Epstein-Barr (EBV) pode estar associada ao desenvolvimento do câncer bucal. O exame físico cuidadoso da boca favorece a identificação de lesões precursoras ou iniciais desta patologia, embora exames complementares sejam necessários, como exames de imagem e biópsia, para conclusão diagnóstica”, destaca.
Identificação
Segundo ela, no Brasil o índice de identificação de lesões malignas iniciais na boca ainda é baixo, correspondendo a menos de 10% dos casos diagnosticados. “Embora a boca permita um acesso fácil ao exame visual, a maioria dos carcinomas não é diagnosticada até que sejam sintomáticos”, observa.
“Nesta fase, são maiores que 2 cm e com metástase regional para linfonodos já tendo ocorrido em 50% dos casos. O tratamento do câncer bucal é uma escolha entre a cirurgia, radioterapia e quimioterapia ou associação entre eles, dependendo de fatores como o local do tumor, estágio, tratamentos prévios, histopatologia e idade do paciente. O importante é se prevenir e fazer o auto-exame da boca e consultar o seu dentista periodicamente”, completa.
Previna-se contra o câncer de boca
O câncer de boca e faringe é o quinto tipo de câncer mais comum no mundo e são computados como responsáveis por 5% de todos os casos de óbitos entre todos os tipos de câncer, em todo o mundo. É duas vezes mais comum em homens do que em mulheres. Dependendo do estágio diagnosticado, a sobrevida é estimada em 5 anos, para 30% a 80% dos casos.
O uso do fumo, do álcool, microorganismos, nutrição inadequada e traumas constantes no mesmo ponto têm sido associados ao o câncer da mucosa da boca, porém não há evidência que dentaduras bem adaptadas possam causar câncer. As condições precárias de higiene, a presença de dentes quebrados, raízes, tártaro e as próteses inadequadas ou em más condições também podem contribuir para o surgimento do câncer.
O câncer de boca é a única doença letal que o dentista pode diagnosticar ou prever. O maior problema para o diagnóstico do câncer oral,é o fato de que pequenas lesões que são mais facilmente tratadas, geralmente não apresentam sintomas e, por este motivo, o paciente estará desatento para a sua presença.
O auto-exame para o câncer bucal é relativamente simples. Diante do espelho, com uma boa iluminação, apalpe todas as estruturas bucais e do pescoço. Durante o auto-exame, os principais indícios a serem observados são: feridas que permanecem na boca por mais de 15 dias, caroços (principalmente no pescoço e embaixo do queixo), súbita mobilidade dental, sangramento, halitose, endurecimento e ou perda de mobilidade da língua. É importante frisar que a dor pode ser um sinal de lesão avançada.
A prevenção e o diagnóstico precoce podem ser realizados pelo cirurgião-dentista através de exame clínico: afastamento dos fatores co-carcinógenos, diagnóstico e tratamento das lesões que podem evoluir para o câncer, exames complementares, como a biópsia e citologia esfoliativa e orientação e estimulação ao auto-exame.