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18/01/2016
Ação de combate a dengue em ItuveravaAlém de dengue, mosquito também é o transmissor do zika vírus e da chikungunya
O ano de 2016 começou aumentando a preocupação dos brasileiros com a explosão da dengue, que é transmitida pelo o mosquito Aedes aegypti, e outras terríveis novidades: zika e chikungunya, doenças graves que podem, inclusive, levar à morte.
Mais do que nunca, assim como a Tribuna de Ituverava tem alertado ao longo dos anos, é fundamental que a população se atente para criadouro do mosquito, pois todos estão (você próprio, filhos, pais, etc.), sujeitos a contrair estas doenças e, talvez, até vir a óbito por conseqüência delas.
Considerado uma das espécies de mosquito mais difundidas no planeta pela Agência Européia para Prevenção e Controle de Doenças (ECDC, na sigla em inglês), o Aedes aegypti – nome que significa “odioso do Egito” – é combatido no país desde o início do século passado.
A partir de meados dos anos 1990, com a classificação da dengue como doença endêmica, passou a estar anualmente em evidência. Isso ocorre principalmente com a chegada do verão, quando a maior intensidade de chuvas favorece sua reprodução.
Agora, um novo sinal de alerta vem da epidemia de zika, uma doença com sintomas semelhantes aos da dengue, em curso desde o meio do ano passado.
Zika vírus
Foi confirmado pelo Governo Federal que o zika vírus está ligado a uma má-formação no cérebro de bebês, a microcefalia, que somente o ano fez ao menos 1.248 vítimas, em 311 municípios, de 14 Estados, a maioria deles no Nordeste.
O Aedes aegypti também esteve no centro de um surto de febre chikungunya ocorrido no país no ano passado, quando este vírus chegou ao Brasil e se espalhou pela infecção do mosquito.
E, apesar de a febre amarela ter sido considerada erradicada de áreas urbanas brasileiras em 1942, casos de contaminação foram confirmados em cidades de Goiás e no Amapá em 2014.
“O Aedes aegypti está ligado ainda a males mais raros, do grupo flavivírus”, afirma Felipe Pizza, infectologista do hospital Albert Einstein. “Entre os agentes de contaminação, esse mosquito é o que tem a capacidade de transmitir a maior variedade de doenças”, ressalta.
Eficiência
Alguns fatores contribuem para tornar o Aedes aegypti um agente tão eficiente para a transmissão desses vírus. Entre eles estão, segundo especialistas, sua capacidade de se adaptar ao ambiente e sua proximidade do homem.
Surgido na África em locais silvestres, o mosquito chegou às Américas em navios ainda na época da colonização. Ao longo dos anos, encontrou no ambiente urbano um espaço ideal para sua proliferação.
“Ele se especializou em dividir o espaço com o homem”, afirma Fabiano Carvalho, entomologista e pesquisador da Fiocruz Minas.
“O mosquito prefere água limpa para colocar seus ovos, e qualquer objeto ou local serve de criadouro. Mesmo numa casca de laranja ou numa tampinha de garrafa, se houver um mínimo de água parada, seus ovos se desenvolvem”, alerta.
Mas a falta de água limpa não impede que o Aedes aegypti se reproduza. Estudos científicos já mostraram que, nesse caso, a fêmea pode depositar seus ovos em água com maior presença de matéria orgânica.
Os ovos também podem permanecer inertes em locais secos por até um ano, e, ao entrar em contato com a água, desenvolvem-se rapidamente – num período de sete dias, em média.
“Outros vetores não têm essa capacidade de resistir ao ambiente”, afirma Pizza, do Hospital Albert Einstein. “Por isso ele está presente quase no mundo todo, a não ser em lugares onde é muito frio”, destaca.
Simbiose
Por ser um mosquito urbano que fica em contato constante com o homem, ser muito adaptável e ter um apetite especial por sangue humano, o inseto se tornou um eficiente vetor para a transmissão de doenças.
“Todo ser vivo busca uma forma de se proliferar, e com os vírus não é diferente. Nestes casos, eles podem ser transmitidos por outros vetores, mas que não são tão efetivos”, afirma Erico Arruda, presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia. “Os vírus conseguiram no Aedes aegypti e na forma como este mosquito evoluiu uma relação de simbiose muito boa”, diz.
Para ser capaz de infectar uma pessoa, o vírus precisa estar presente na saliva do inseto. A bióloga Denise Valle, pesquisadora do laboratório de biologia molecular de flavivírus do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), explica que, no caso da dengue, por exemplo, após o Aedes aegypti picar alguém que esteja infectado, o vírus leva cerca de dez dias para estar presente em sua saliva.
“São poucos os mosquitos que vivem mais de dez dias. Mas, quanto menos energia ele precisa gastar para se alimentar e colocar ovos, mais tempo ele vive”, diz.
“Assim, o aglomerado urbano, com muitos locais de criadouro e muitos alvos para picar, faz com que o mosquito viva mais, favorecendo o processo de infecção”, destaca.
A bióloga destaca ainda que é um mosquito especialmente arisco: “Quando vai picar, se a pessoa se mexe, ele tenta escapar e picar outra pessoa. Se estiver infectado com algum vírus, vai transmiti-lo para várias pessoas”, enfatiza.
Flexibilidade
Outro aspecto que também favorece a reprodução é o fato de a fêmea colocar em média cem ovos de cada vez, mas faz isso em um único local, ela os distribui por diferentes pontos. “Quando tentamos exterminá-lo, é muito grande a chance de um destes locais passar despercebido”, diz Carvalho.
Também se trata de um mosquito flexível em seus hábitos de alimentação. O Aedes aegypti é, geralmente, diurno: prefere sair em busca de sangue pela manhã ou no fim da tarde, evitando os momentos mais quentes do dia.
“Mas ele é oportunista. Se não tiver conseguido se alimentar de dia, vai picar de noite. Isso não ocorre com o pernilongo, por exemplo, que é noturno e só vai estar quando o sol começa a se pôr”, afirma a bióloga Denise Valle, pesquisadora do laboratório de biologia molecular de flavivírus do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz).
Além disso, o mosquito costuma ter como alvos mamíferos, especialmente humanos. Como explica a agência européia, mesmo na presença de outros animais ele “se alimenta preferencialmente de pessoas”.
Saiba mais sobre a Vacina contra a Dengue
No Brasil, foram notificadas 1.587.080 infecções por dengue no Brasil em 2015. Além disso, o ano teve 839 mortes provocadas pela doença, o maior número de óbitos registrado desde que o vírus voltou ao país, em 1982.
Para tentar conter o avanço da doença, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou recentemente o uso da primeira vacina contra a dengue, "Dengvaxia", produzida pelos laboratórios Sanofi Pasteur, com sede em Lyon, na França. Sheila Homsani, diretora médica da empresa, esclareceu as principais dúvidas sobre o medicamento.
Funciona mesmo?
Nos estudos realizados pelo laboratório, a vacina se mostrou capaz de prevenir os quatros tipos de dengue que existem no mundo. A eficácia foi de aproximadamente 66% e a redução das hospitalizações, de 80%. Mais: reduziu quadros graves em 93%. "Teríamos menos casos de óbtido, sangramento, choque da dengue", diz Sheila.
Por que é restrita à faixa etária de nove a 45 anos?
Quando se realizou os estudos foi avaliado que a faixa etária de nove meses a 60 anos de idade. Foi observado que as crianças menores de nove anos não conseguiam ter uma eficácia tão boa. Elas formavam anticorpos, mas não respondiam tão bem à vacina. Então foi preferível manter até que outra avaliação melhor nos pequenos. No caso do idosos, as vacinas com vírus vivo não são indicadas, em razão também de uma resposta mais baixa.
Tem outras contra-indicações?
Sim. A vacina não pode ser tomada por grávidas, mulheres amamentando, pacientes imuno-deprimidos (como HIV positivos), com febre ou alguma doença aguda, além de pessoas alérgicas a componentes da fórmula (o que não é comum, de acordo com o laboratório).
Posso pegar dengue por causa da vacina?
Apesar de serem vírus vivos, não. Os vírus são muito enfraquecidos, para que não causem a doença. Foi feita uma recombinação genética, em que foi tirado partes do vírus da dengue 1, 2, 3 e 4, e foram colocados no vírus da vacina da febre amarela. Não é o vírus inteiro. É incapaz de causar a doença.
Só precisa tomar uma vez?
Não, são três doses. O intervalo é de seis meses entre cada dose. Até agora, a empresa francesa diz não ter observado a necessidade de reforço.
Há quanto tempo vem sendo testada a vacina e onde foi desenvolvida?
A Sanofi Pasteur diz ter iniciado os estudos 20 anos atrás. "Nenhuma outra vacina terminou os estudos obrigatórios para submissão para o registro. Para colocar qualquer medicamento no mercado, ele deve passar por várias fases de estudos clínicos. Em média, isso leva de 10 a 15 anos”. Os testes ocorreram em 15 países — incluindo Brasil, Estados Unidos e Austrália. Mais de 3,5 mil pessoas no país participaram das pesquisas.
Em que países já foi aprovada?
O Brasil foi o terceiro país no mundo a aprovar a vacina. Os primeiros foram México e Filipinas. Até o fim do ano passado, o dossiê de registro havia sido submetido a 20 países. Todos, áreas endêmicas — sobretudo na Ásia e América Latina.
Previne contra zika e chikungunya?
Não. A vacina está ligada à própria dengue e não ao Aedes aegypti. Ou seja, a população ainda fica vulnerável às outras doenças transmitidas pelo mosquito.
Por que ainda não está no mercado?
Falta a aprovação da Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED) para definição de preços. O governo ainda precisa informar a empresa se incluirá a vacina no sistema público. A capacidade de produção da companhia é de 100 milhões de doses por ano, para o mundo todo.
Tomei a vacina. Não preciso mais me preocupar com o mosquito?
A vacina é apenas mais uma ferramenta de combate, pois sozinha não vai resolver todos os problemas de dengue. E o mosquito pode transmitir várias doenças, então as pessoas têm de continuar a fazer um trabalho em casa. Se a pessoa relaxar, vai ter mais zika e chikungunya.
Ituverava mantém ações de combate ao Aedes aegypti
Em uma situação diferente da enfrentada por diversas cidades em todo o país, inclusive na região, Ituverava registrou apenas 106 casos de dengue ao longo de 2015, e nenhum de chikungunya e zika vírus.
Neste ano, até o momento, a cidade não teve casos de dengue, chikungunya e zika vírus. No entanto, existem 56 casos suspeitos de dengue. Diante disso, a Secretaria Municipal de Saúde tem acelerado ações de combate ao mosquito Aedes aegypti, pois a situação é preocupante.
Para alertar sobre os perigos, o prefeito Walter Gama Terra Júnior; o secretário municipal da Saúde, Dr. Gonçalves Aparecido Dias, e a assessora de Saúde, Cláudia Maria Carrera Frata gravaram um vídeo nesta semana. A gravação tem tido bastante repercussão em redes como o Facebook e o Whatsapp.
Nele, as autoridades explicam que Ituverava pode ter casos de dengue hemorrágica neste ano. “A situação de Ituverava é de grande risco, pois temos uma possibilidade de epidemia de dengue e de dengue hemorrágica, devido à grande circulação de vários casos de dengue aqui na cidade no passado. Então, se houver uma epidemia, as autoridades sanitárias acreditem que é possível podemos ter até 40 mortes por dengue hemorrágica, portanto precisamos atirar contra este mosquito”, alerta Cláudia.
Secretário da Saúde
Segundo o secretário da Saúde, Dr. Gonçalves Aparecido Dias, a situação é preocupante. “Estamos nos reunindo com freqüência pois estamos realmente muito preocupados com a dengue em nosso município. É uma epidemia que provavelmente acontecerá em todo o país, e Ituverava não está fora disso, por isso precisamos lutar, combater os focos do mosquito para que possamos impedir essa epidemia em nossa cidade”,diz.
“Aos pacientes que apresentarem possíveis sintomas de dengue, como por exemplo, dor no corpo, febre alta e dor nas articulações, peço por gentileza que procure as unidades de saúde de seus bairros, os PSFs, para que possam ser atendidos, medicados e ter os seus exames devidamente solicitados”, ressalta.
Ainda de acordo com o Dr. Gonçalves, os postos de saúde de Ituverava têm equipe médica composta por dois clínicos gerais, enfermeiras e técnicos em enfermagens. “Ou seja, temos toda uma equipe médica em nossos bairros nos PSFs, que irão atender e diagnosticar ou até descartar a possibilidade de dengue. Mas para isso precisamos que qualquer diante de qualquer sintoma a unidade mais próxima de sua residência”, destaca.
Prefeito
Walter Gama Terra Júnior faz um alerta à população pelas redes sociais. “Não é brincadeira, e eu, como prefeito de Ituverava, peço encarecidamente, o favor de todos vocês, por quê? Porque 80% dos focos estão dentro das nossas casas. E pode morrer um filho ou um familiar, a Cláudia, o Gonçalves, seu pai, mãe, avó, tia e irmão, todos estão sujeitos a contrair as doenças. Não é brincadeira, temos que olhar as nossas casas todos os dias, porque se não, podemos ter uma epidemia”, afirma.
“É preciso evitar uma epidemia, porque como a Cláudia disse, 40 pessoas podem morrer aqui na cidade. E nós não queremos que morra nenhuma pessoa, por isso estamos em sua situação de guerra. Nós vamos fazer a nossa parte, a Prefeitura Municipal também fará a sua parte, vocês podem devem fazer a sua. Então, peço, por favor, façam a parte de vocês. Muito obrigado por nos escutar mais uma vez”, completa Gama Terra.
Ações a serem desenvolvidas
Uma importante ação, além do mutirão que tem sido realizado no município e a freqüente vistoria de agentes de saúde em residências e empresas, foi a reativação do Comitê de Mobilização Social Contra a Dengue, Chikungunya e Zika Vírus.
Além disso, o prefeito Walter Gama Terra Júnior e a Secretaria Municipal de Saúde têm promovido reuniões entre todos os secretários municipais para a discutir ações do Plano Intersetorial de Combate ao Aedes Aegypti. O plano é uma das medidas para intensificar o combate ao mosquito transmissor da dengue, chikungunya e zika vírus.
O prefeito Gama Terra reafirma o pedido de apoio da população no combate ao mosquito. “Em 2013, quando assumi a prefeitura, enfrentamentos uma grande epidemia de dengue, eram 1.727 casos, porém, com um trabalho correto e contínuo, revertemos a situação nos últimos anos, tendo poucos casos positivos (11 em 2014 e 103 em 2015), enquanto o restante do país sofria com a conseqüência de uma grande incidência de casos”, afirma.
“Estamos fazendo a nossa parte intensificando o combate ao mosquito, porém, é extremamente importante que a população faça parte dessa luta. Se todos fizermos a nossa parte, a nossa cidade estará livre da dengue e de outras doenças causadas pelo Aedes aegypti”, completa Gama Terra.