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24/01/2016

EDIÇÃO 3163 ENQUETE - ANVISA AUTORIZA VENDA DE TESTE DE HIV EM FARMÁCIA

Segundo o órgão, a idéia é disponibilizar um mecanismo de “triagem” de possíveis casos de infecção pelo vírus

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) aprovou, no final do ano passado, a resolução que autoriza a venda de auto-teste para detecção do vírus HIV, em farmácias. O modelo é similar aos testes vendidos nas farmácias para detectar a gravidez.

Em geral, esses testes de HIV fazem o diagnóstico por meio de fluidos da gengiva ou da mucosa da bochecha. Outros utilizam uma gota de sangue, com um pequeno furo na ponta do dedo. Os resultados saem em até 30 minutos.

A nova norma permite que as empresas que fabricam os testes solicitem registro para venda dos produtos no país, o que não era possível até então.

Segundo o diretor Renato Porto, a idéia é disponibilizar um mecanismo de “triagem” de possíveis casos de infecção por vírus HIV.

Hoje, a estimativa é que 20% das pessoas que vivem com HIV e Aids no Brasil ainda não foram diagnosticadas, o que representa cerca de 150 mil, de acordo com dados do Ministério da Saúde.

“Isso abre a possibilidade para as pessoas fazerem os testes e, tendo resultado positivo, fazerem uma busca mais detalhada. A descoberta o quanto antes possível do HIV é importante para o tratamento”, diz.

A discussão sobre a liberação da venda de auto-teste de HIV, porém, tem sido alvo de polêmica em diversos países. Um dos impasses é o receio de que resultados falso-positivos ou falso-negativos confundam e tragam prejuízos ao paciente, além de riscos para parceiros, como deixar de usar.

preservativo em relações sexuais. Após o teste, as pessoas devem procurar confirmar o diagnóstico com mais exames.

Exigências
Relator do processo, o diretor Renato Porto diz que exigências inseridas no processo poderão mitigar falhas. Na resolução, a agência estabelece critérios para que os produtos sejam colocados no mercado.

Uma delas é a exigência de que os rótulos tenham a informação de que o resultado pode ser alterado devido a fatores como a chamada “janela imunológica”, intervalo de tempo entre a infecção pelo vírus da Aids e a produção de anticorpos no sangue, entre outros.

Empresas que fabricam os produtos também devem informar, na embalagem, um número de telefone com equipes 24h para dar orientações aos clientes após o resultado. Além do contato das empresas, os rótulos devem ter a informação também dos telefones de atendimento do SUS em caso de resultado positivo.

“O teste é absolutamente seguro. Mas todos precisam entender que é uma triagem. Posteriormente, é preciso fazer a confirmação por um teste clínico”, diz.

O modelo de auto-teste é diferente dos chamados testes rápidos, disponíveis nas unidades de saúde. Neste caso, um profissional de saúde acompanha o processo e é habilitado para auxiliar no diagnóstico.


Além do Brasil, outros países que já autorizam a venda deste tipo de teste são Estados Unidos, Reino Unido e França, segundo a Anvisa.

HIV
Desde os anos 1980, foram notificados 757 mil casos de Aids no Brasil, segundo o Ministério da Saúde. Apesar de apresentar índices estáveis, com cerca de 39 mil casos novos ao ano, o avanço da epidemia entre os jovens têm preocupado o governo.


Jovens têm hoje a maior taxa de detecção da doença no país, um índice que vêm crescendo nos últimos dez anos. Em 2003, a taxa de detecção da Aids entre os jovens era de 9,6 a cada 100 mil habitantes. Em 2013, essa taxa passou para 12,7.

Pesquisa de cientistas brasileiros busca encontrar a cura da Aids
Uma equipe de cientistas brasileiros começa a pesquisar a cura da Aids. Os pesquisadores vão trabalhar com a última geração de drogas que combatem o HIV.

Há pelo menos 20 anos, os cientistas buscam uma jogada de mestre que encurrale o HIV. Quando foram descobertas as drogas anti-retrovirais, eles chegaram muito perto de vencer, mas elas nunca foram fortes o suficiente. O vírus tem uma capacidade de latência. Fica adormecido no corpo e volta a se multiplicar. E o vírus tem outra "esperteza biológica": se instala em partes do corpo onde as drogas não atuam bem.

Paramentado com roupas de proteção e armado com novas drogas, o infectologista coordenador da pesquisa, Ricardo Sobhie Diaz encara o vírus de frente no laboratório de alto risco biológico da Unifesp.


Ele trabalha em um estudo inédito. “Estou bastante otimista. Acho que a gente vai descobrir bastante coisa e acredito que a cura a gente pode alcançar. Acho que entre dois e três anos a gente vai ter grandes novidades a esse respeito”, diz o médico.


Confira as respostas:

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