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20/02/2016
Perdão aumenta os níveis de felicidade, segundo estudoMelhorias vão desde sistema imunológico à redução da dor e da pressão arterial
A Raiva é um dos sentimentos mais pesados e perturbadores que as pessoas podem ter, se não for o pior. Como disse Buda “persistir na raiva é como apanhar um pedaço de carvão quente com a intenção de atirá-lo em alguém. Sempre quem segura o carvão sai queimado”. Após tudo, guardar rancor causa maior dor psicológica do que à pessoa que provou o mal. E, por pior que isso seja, deixa a pessoa sempre ligada àquela que a feriu.
Há um ditado em inglês que diz "forgiven, not forgotten", expressão que traduzida se tornaria "perdoado, mas não esquecido". Cientistas da Universidade de St. Andrews, na Escócia, podem ter descoberto que esse ditado pode destoar um pouco da realidade.
É que, de acordo com eles, perdoar alguém é muito mais fácil esquecer a experiência dolorosa causada por aquela pessoa.
Cientistas da Universidade de St. Andrews, concluíram, em um estudo, que vítimas de algum tipo de ofensa que perdoam têm mais chances de esquecer os detalhes do episódio que lhes ofendeu. No cérebro, essas duas habilidades - a de esquecer coisas ruins que lhe foram feitas e perdoar quem quer lhe tenha feito essas coisas - estão ligadas.
Testes
Os cientistas pediram a 40 voluntários que lessem uma série de histórias de infidelidade, traição e difamação, e pediram que eles dissessem se perdoariam ou não os causadores dos problemas.
Depois, nos próximos 15 dias, as mesmas histórias foram apresentadas aos voluntários. Em seguida, os cientistas pediram a eles ou que se lembrassem dos detalhes, ou que evitassem de pensar neles.
O estudo descobriu que os participantes tinham mais facilidade de esquecer a lembrança daqueles cenários que disseram que perdoariam, e que eram incapazes de esquecer cenários que disseram que não perdoariam, mesmo quando orientados pra fazer isso.
Sistema Imunológico
Outros estudos mostram que perdoar também melhora o sistema imunológico e que evitar a raiva é bom para se prevenir contra a pressão alta. Então, se não for perdoar pelo outro, perdoe por vocês mesmo.
E também vale pra perdoar a si mesmo: esse estudo mostrou que culpa e a incapacidade de se perdoar estão ligados a depressão, ansiedade e um sistema imunológico mais fraco.
Dor Física
Mas além de tudo isso, guardar rancores pode causar dor física. Ciência e religião, por mais distintas que às vezes estejam, concordam que o caminho do perdão fez um bem enorme à mente e ao corpo. Existem muitos benefícios para a saúde que demonstram que manter o rancor realmente não vale a pena.
É importante saber que o perdão não tem que ser um ato verbal. Não é somente uma formalidade, senão um estado mental. Para perdoar se deve, primeiro de tudo, que deixar o orgulho e o ego de lado. Parece um grande desafio, porém quando isso é feito vem uma sensação enormede leveza.
Níveis de estresse mais Baixos
De acordo a um estudo realizado por pesquisadores do Centro Hope, um dos benefícios do perdão é que reduz a quantidades de cortisol. Os pesquisadores examinaram as respostas físicas de 71 voluntários enquanto falavam a respeito de rancores e enquanto falavam a respeito do perdão e a empatia. Aqueles que mostraram mais perspectivas de perdão tiveram respostas de estresse psicológico menores.
Mantém o coração saudável
O perdão também é bom para o coração. Um estudo sugere que as pessoas que guardam rancor tendem a ter ritmos cardíacos mais altos, enquanto aqueles que são mais empáticos e capazes de perdoar tendem a ter ritmos mais baixos.
Reduz a Dor
De acordo a um estudo feito por pesquisadores do Centro Médico da Universidade de Duke, perdoar àqueles que causam algum dano pode reduzir a dor tanto emocional quanto física. De 61 participantes que sofriam de dor nas costas crônica, aqueles que tinham mais caráter para perdoar reportaram níveis de dor menores. Isto levou os pesquisadores a pensar que "existe uma relação entre o perdão e aspectos importantes de viver com constantes dores".
Especialista diz que perdão é ato de amor incondicional
Apesar de ser difícil – dependendo da situação que gerou atritos - perdoar e aceitar o perdão sempre faz bem. A lista de benefícios inclui melhor condição de saúde física e mental, segundo o doutor em psicologia e líder do Grupo de Estudo e Pesquisa sobre o Perdão (GEPP) da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), Júlio Rique Neto.
"O perdão é uma atitude voluntária e é mais do que simplesmente desculpar, pois está relacionado ao pensamento de justiça. Devemos perdoar por amor incondicional ao outro, mas esse amor não substitui a obrigação que temos com a justiça. Quem ama verdadeiramente o outro busca ser justo", salienta.
Perdão
Se o perdão traz uma série de benefícios, alimentar o rancor pode levar ao surgimento de doenças psicossomáticas, ao mal-estar na presença do outro, à depressão e à alta ansiedade, bem como o evitar de ambientes sociais.
Então, o que explica o fato de tantas pessoas preferirem alimentar o rancor, muitas vezes ao longo de toda uma vida? O primeiro passo para a resposta é lembrar que o rancor e a vingança são respostas naturais às injustiças sofridas, embora a compaixão também seja uma energia que nasce da mesma fonte que a vingança e o rancor.
"É preciso aplacar o rancor e o desejo de vingança pelas razões corretas, que ajudarão a compaixão a surgir e a se unir ao sentimento de justiça, fazendo com que a pessoa possa ser justa em seus julgamentos e ações e, ao mesmo tempo, misericordiosa e cuidadosa com relação ao bem-estar geral (dela própria, do outro a quem ofendeu e dos que são próximos aos relacionamentos)", explica.
Rancor Cultiva a Raiva
Como o rancor é resposta natural – cultivada pela raiva que a lembrança de uma injustiça provoca –, as pessoas acreditam serem justas se mantiverem o rancor. Essa "justiça da vingança" – o tão conhecido "olho-por-olho e dente-por-dente" – é primitiva e precisa ser superada.
"Precisa-se entender que a justiça requer razões adequadas para ser justa e não é a raiva ou o rancor que vão prover essas razões. A compaixão surge e a pessoa passa a compreender o ato de outra forma e pode vir a ser capaz de perdoar, desde que se busquem razões a partir de perguntas como: quem é o outro que ofendeu, o que levou ele(a) a cometer a injustiça, como ele(a) vê a situação", complementa.