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23/02/2016

RIBEIRÃO PRETO TEM 1ª MORTE SUSPEITA POR SÍNDROME DE GUILLAIN BARRÉ

A Santa Casa de Ribeirão Preto (SP) confirmou nesta segunda-feira (22) a primeira morte suspeita da Síndrome de Guillain Barré no município. A vítima é um homem de 57 anos que morreu na madrugada de sexta-feira (19) na unidade.


A Secretaria Municipal de Saúde informou que investiga o caso e que aguarda os exames definitivos. A pasta não informou, no entanto, como os profissionais da rede municipal são treinados para o diagnóstico da doença.


A Síndrome de Guillain Barré é um problema neurológico que afeta as funções motoras do organismo geralmente causado por uma infecção bacteriana e que pode estar associado à transmissão da dengue, com 1.557 casos positivos, e zika, com ao menos 11 confirmações no município.





Na semana passada, o secretário municipal de Saúde, Stênio Miranda, informou que esses casos chegaram a ser tratados como alergia pelos profissionais.


De acordo com a Santa Casa, antes de morrer o paciente chegou a ficar uma semana internado. Além da síndrome, insuficiência de múltiplos órgãos, choque séptico e pneumonia foram registrados como causas da morte.


Mulher do paciente, Rosilene Aparecida de Souza descreve que, após ter manchas e dores pelo corpo, seu marido foi atendido na Santa Casa, mas acabou piorando.


Antes de morrer, ele já não sentia as pernas e chegou a ser encaminhado para a Unidade de Terapia Intensiva. "A doença evoluiu muito rápido. Em doze horas ele já não mexia mais as pernas nem os braços."


A síndrome


De acordo com o virologista Benedito Lopes da Fonseca, da USP de Ribeirão, em geral a Síndrome de Guillain Barré provoca perda motora e de sensibilidade no paciente, que começa nas pernas e pode afetar o sistema respiratório. Segundo ele, a morte é uma consequência rara.


"Geralmente a recuperação é muito demorada, podendo o paciente precisar de vários meses, às vezes anos de fisioterapia", diz.


Fonseca confirma que, embora seja comumente relacionada com a bactéria Campylobacter jejuni, causadora da diarreia, a síndrome pode estar associada também aos surtos de dengue e zika.


"A gente já fez diagnósticos anteriormente aqui em Ribeirão Preto de Síndrome de Guillain Barré associada à dengue. O que aconteceu mais recentemente é que na Polinésia Francesa o número de casos de Guillain Barré associados a uma epidemia de zika aumentou em torno de 20 vezes."


Relacionar a doença com as que são transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti, segundo o virologista, é difícil, assim como o diagnóstico do paciente da Santa Casa, principalmente após a morte.


Ainda assim, a suspeita é um alerta para se intensificar o acompanhamento na rede pública e o controle do mosquito.


"A Guillain Barré é uma doença rara no geral. Se nós temos 100 mil casos de zika ou de dengue, talvez tenhamos um caso de Guillain Barré. Ninguém pode prever quem tem."

Fonte: g1.globo.com

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