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10/04/2016

GRIPE H1N1 TEM CAUSADO PREOCUPAÇÃO AOS BRASILEIROS

Sintomas da H1N1 são semelhantes ao da gripe comum

Ituverava tem casos suspeitos da doença, mas os resultados ainda não chegaram do Instituto Adolfo Lutz

Nos últimos dias, o vírus Zika deu lugar ao H1N1 como principal preocupação dos brasileiros quando o assunto é saúde. Causador da chamada gripe suína e identificado no México há seis anos, o H1N1 já havia provocado 46 mortes no país até o último dia 19, a maioria em São Paulo – número maior que em todo o ano passado, quando matou 36 pessoas.

O aumento de casos fora do inverno, quando o vírus se aproveita dos ambientes poucos ventilados para se multiplicar, intriga especialistas. A proliferação em locais bastante visitados por brasileiros, como a Flórida (EUA), e mudanças climáticas – a umidade é favorável ao H1N1 – estão entre as hipóteses levantadas.

Ituverava tem casos suspeitos da doença, mas os resultados ainda não chegaram do Instituto Adolfo Lutz. O secretário municipal da Saúde, Dr. Gonçalves Aparecido Dias, inclusive foi enfático ao desmentir boatos de que já se confirmaram casos da gripe suína no município.

A preocupação com a doença é tamanha, que pais têm levado seus filhos ao Pronto-Socorro assim que começam a espirrar. Porém, essa não é a indicação de pediatras. De acordo com eles, observar bem a criança e identificar mudanças comportamentais repentinas são medidas fundamentais para tomar a melhor ação em relação à saúde da criança, pois levá-la ao Pronto-Socorro que provavelmente estará lotado, possui riscos de novas infecções.

Os principais sinais da gripe suína são febre alta (acima de 38,5° C) e persistentes por mais de 48 horas, dificuldade de respiração, chiado no peito, fraqueza e mudança repentina de comportamento.

As medidas contra gripes e resfriados que podem ser tomadas em casa são: lavar as vias aéreas com soro, fazer inalação com soro, hidratar-se constantemente, ter alimentação adequada, e tomar medicamentos para alívio de sintomas, desde que prescritos pelo médico.

A doença já avançou por 11 Estados, matou 45 pessoas no país e tem provocado filas de horas por vacinas em hospitais e clínicas particulares de São Paulo.

n O que é a gripe H1N1?

É uma gripe do tipo A causada pelo vírus H1N1, que circula entre humanos. Ele foi detectado no México, em abril de 2009, e se disseminou rapidamente, causando uma pandemia mundial chamada, na época, de gripe suína.

Como ela é contraída?

Quando se inala secreções do doente ao falar, espirrar ou tossir e quando há contato com superfícies infectadas, como mesas, maçanetas ou talheres.

Como posso me prevenir?

A vacinação é a melhor maneira, mesmo não sendo 100% eficaz. Além disso, evite levar a mão aos olhos, ao nariz e à boca, lave sempre as mãos com sabão ou álcool e cubra a boca quando for tossir ou espirrar.

Como funciona o tratamento?

O doente deve repousar, beber muito líquido e evitar álcool e cigarro. Medicamentos como o paracetamol (Tylenol) podem ser usados para combater febre e dores. Em casos graves ou grupos de risco (idosos, crianças, asmáticos, cardiopatas, diabéticos, indígenas, entre outros), pode ser recomendado antiviral, como o oseltamivir (Tamiflu), vendido com receita médica.

Veja perguntas e respostas sobre a gripe H1N1, que vem causando um surto fora de época no Brasil
Qual é a diferença entre o H1N1 e os outros vírus da gripe?

O H1N1 tem mais chances de causar complicações como a SRAG (Síndrome Respiratória Aguda Grave), especialmente em pessoas de maior risco. No Brasil, houve 45 óbitos por SRAG ligada ao H1N1 até 22.mar.2016 –90% do total de mortes por gripe no país.

Por que a gripe chegou antes este ano?

Não se sabe exatamente, mas há certa tendência de antecipação a cada ano. Alguns dos motivos podem ser o contato com turistas –que trouxeram o vírus do hemisfério Norte–, a variabilidade do clima e a baixa vacinação em 2014 e 2015. Mas é difícil para especialistas chegar a uma conclusão.

Como reduzir as internações por causa da gripe?

Uma possibilidade seria priorizar a vacinação para grupos de maior risco na rede privada, assim como acontece na rede pública. Também é importante dar prioridade no atendimento, evitando a complicação da doença.

Devo ir ao hospital assim que sentir um dos sintomas da gripe ou sair correndo para tomar a vacina?

Nem sempre. Pode ser que seja apenas um resfriado. Ir a um pronto-socorro ou a um consultório médico pode expor a pessoa, que já está com a imunidade baixa, a microrganismos e fazer com que ela contraia a gripe ou outras doenças.

Como sei se estou com gripe ou se é apenas um resfriado?

No resfriado, os sintomas são nariz escorrendo, espirros, um pouco de dor no corpo e às vezes febre baixa e tosse. Já a gripe se inicia de repente e tem como principais marcas febre alta, tosse seca e fortes dores no corpo e de garganta. Ela também pode evoluir e provocar complicações no pulmão, resultando em falta de ar.

A vacina protege contra quais vírus?

A vacina dada na rede pública é a trivalente, contra as gripes A (H1N1), A (H3N2) e um tipo da B. Na rede privada também é oferecida a quadrivalente –que protege contra mais um tipo da B. Se o paciente também quiser tomar a segunda, deve aguardar o intervalo de um mês entre as doses.

Ela é 100% eficiente?

Não, a eficácia é de 60% a 90%, dependendo da faixa etária do paciente e de outros fatores, como presença de infecções e doenças crônicas.

Quanto ela custa?

Cerca de R$ 120 (trivalente) e R$ 200 (quadrivalente) na rede particular. Na rede pública a vacinação é gratuita e a preferência é para grupos de risco (idosos, crianças, asmáticos, cardiopatas, diabéticos, indígenas, entre outros).

Quem não pode tomar a vacina?

Bebês menores de seis meses e quem já teve reações anafiláticas em aplicações anteriores. Quem teve a síndrome de Guillain-Barré ou tem reações alérgicas graves a ovo –a vacina contém traços de proteínas do alimento– também deve ter cautela.

A vacina vale por quanto tempo?

Ela demora de três a quatro semanas para começar a fazer efeito e é útil por seis a oito meses, uma "temporada" do vírus. Normalmente as cepas mudam, por isso é preciso fazer a vacinação todo ano.

A vacina de 2015 pode ser usada em 2016, como aconteceu em algumas cidades paulistas ?

Sim, já que o H1N1 não mudou. Mas, mesmo para quem tomou a de 2015 neste ano, é necessário o reforço da vacina de 2016. A do ano passado também é pouco eficaz contra os outros tipos de gripe.

Quem toma a vacina tem chances de ficar gripado como "reação" da vacina?

Não. O máximo que pode acontecer são dores locais e mal estar.

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