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16/04/2016

DOENÇA DE ALZHEIMER ATINGE 35 MI DE PESSOAS NO MUNDO

A neurologista Manuelina Macruz Brito

No Brasil são 1,2 milhão de casos, a maior parte deles ainda sem diagnóstico

A doença de Alzheimer é neurodegenerativa que comumente acomete pessoas acima 65 anos de idade. Também é conhecida como “esclerose” ou “caduquice”. Segundo a Abraz, Associação Brasileira de Alzheimer, estima-se que existam no mundo cerca de 35,6 milhões de pessoas acometidas com a Doença de Alzheimer e no Brasil esse número seria de cerca de 1,2 milhão de casos, a maior parte deles ainda sem diagnóstico.

Para falar sobre o assunto, a neurologista Manuelina Macruz Brito concedeu entrevista à Tribuna de Ituverava. Segundo ela, uma dúvida bastante comum é se doença de Alzheimer e demência são sinônimos. “É importante esclarecer que existem vários tipos de demências e dentre essas a doença de Alzheimer é a mais comum, no entanto, podemos citar a demência vascular, demência por corpúsculos de Lewy e demência fronto-temporal”, explica.

“A perda de memória é a manifestação clínica mais comum da doença e geralmente é o que chama a atenção do paciente e de seus familiares, porém mudanças de humor e dificuldade em realizar atividades antes eram fáceis, também podem estar presentes desde o início do quadro”, ressalta.

Ainda de acordo com ela, o fato de uma pessoa estar mais esquecida não significa que ela tenha demência. “Existem várias outras doenças que podem causar a perda de memória dentre as quais podemos citar o estresse, deficiência vitamínica, alterações de hormônios tireoidianos, depressão e ansiedade”, observa.

“O diagnóstico de demência é primordialmente clínico e realizado por meio de testes aplicados pelo médico durante a consulta. Quando necessárias avaliações complementares podem ser feitas por um neuropsicólogo e exames de imagem, como tomografia e ressonância, podem ser solicitados como complementação da investigação”, afirma a médica.

Maiores Riscos
Manuelina lembra que os familiares de pacientes com Alzheimer têm risco maior de desenvolver essa doença no futuro, quando comparados com pessoas sem parentes com a doença. Outros fatores de são hipertensão, diabetes, obesidade, tabagismo e sedentarismo.

“Não existe cura para o Alzheimer, mas quando diagnosticada no início, é possível lentificar a evolução da doença. Alguns sintomas como agitação, falta de sono e apetite, irritabilidade e alucinações podem ser controlados, garantindo uma melhor qualidade de vida ao paciente e à sua família”, destaca.

Prevenção
“Quando falamos em prevenção o que deve ser feito é o controle dos fatores de risco, como controle da pressão arterial e prática de atividade física. O uso de vitaminas para o cérebro não tem comprovação científica. Exercícios mentais como palavra-cruzada e sudoku são também uma boa forma de manter a mente ativa”, destaca.

Como a doença de Alzheimer é degenerativa e progressiva ao longo dos anos, o paciente passa por várias fases. “No início o mais comum é esquecer palavras durante uma conversa, esquecer itens da lista do supermercado, não se recordar de recados, confundir o dia da semana ou ano atual”, diz.

“Com o evoluir, cozinhar, sair de casa sozinho, realizar planejamento de atividades – como preparar um jantar de fim de ano, realizar transações financeiras e dirigir - podem estar comprometidas e difíceis de realizar. Em fases mais avançadas o paciente pode ficar significativamente comprometido com necessidade de auxílio para higiene pessoal e alimentação e dificuldade para locomoção”, observa.

Evolução
A neurologista lembra que cada paciente é individual e pode ter uma evolução mais tranquila ou agitada. “Algumas pessoas podem apresentar alucinações, ver ou ouvir coisas que não existem. Não discuta se a pessoa estiver confusa, responda ou distraia a pessoa para outro assunto se necessário e lembre-se de não levar para o lado pessoal se a pessoa não ter reconhecer, não for gentil ou responder de forma agressiva”, afirma.

“Algumas modificações podem ser necessárias na casa de pessoas com Alzheimer, como travas de segurança em portas, janelas e portões; retirar as trancas de portas de banheiros para evitar que pacientes se tranquem dentro desses; identificar e guardar remédios em locais fora do alcance; trancar ou colocar travas em locais onde produtos de limpeza e facas e ferramentas são guardados”, destaca.

Ela ainda lembra que o paciente deve sempre sair de casa acompanhado, mas alguns pacientes saem e algumas vezes não avisam. “É importante que os vizinhos estejam avisados, pois podem auxiliar na condução da pessoa de volta a sua casa. Identificação, por documento colocado na carteira ou até uma pulseira com nome e endereço são medidas que também podem ajudar”, enfatiza.

“A direção de automóveis é um ponto bastante delicado. Mesmo que a pessoa ainda tenha a o conhecimento sobre como é dirigir, em algum momento, a atenção e a adaptação a imprevistos estão comprometidas e esta atividade deve ser interrompida. Algumas vezes é necessário que o carro seja relocado para um local em que o paciente não o veja mais”, ressalta.

Portadores da doença devem ter um cuidador
Ainda de acordo com a neurologista Manuelina Macruz Brito, uma pessoa bastante importante na doença de Alzheimer é o cuidador. Cônjuges, filhos e netos são os parentes que mais comumente se ocupam dessa tarefa e frequentemente ficam sobrecarregados, estressados e até deprimidos.

“Como a idade de manifestação da doença é acima de 65 anos, a maioria das pessoas que tem o diagnóstico moram sozinhas, pois são viúvas, ou com o seu parceiro, que na maioria das vezes também é idoso. Aceitar outra pessoa em casa ou se mudar para a casa dos filhos é uma opção muitas vezes rejeitada e ponto de grande conflito e o paciente pode estar se colocando em perigo decidindo ficar sozinho”, ressalta.

“Para muitos cuidadores, chega um momento em que eles não são mais capazes de cuidar do parente em casa e escolher um lar de idosos é o próximo passo. Tal ação não deve ser interpretada como abandono e sim como uma forma de oferecer ao ente querido toda a atenção que é necessária”, diz.

Observações
Ainda de acordo com ela, algumas questões legais também devem ser levadas em consideração. “Com o avançar da doença o paciente pode ter dificuldades em se lembrar de senhas e de como operações bancárias são realizada e não conseguir mais assinar documentos. Pode ser necessária uma interdição”, afirma.

“A interdição é um procedimento judicial através do qual uma pessoa que não possui mais condições de praticar os atos comuns da vida civil por alguma doença que impeça a ou reduza a capacidade de entendimento e compreensão sobre a realidade por essa pessoa, pode se fazer substituir por um curador, que administrará e responderá pela pessoa interditada. Em regra, o curador é o cônjuge e faltando o cônjuge, a curatela é outorgada ao pai ou a mãe da pessoa ou ao descendente mais apto ao exercício dessa função”, destaca.

Gastos
Como um paciente com demência tem gastos elevados, com medicamentos e outras atividades uma ajuda financeira pode ser conseguida. “A Lei da Seguridade Social prevê um acréscimo de 25% (vinte e cinco por cento) no valor da aposentadoria do segurado que necessitar de assistência permanente de outra pessoa, nos termos do art. 45 da Lei 8.213/91. Assim quando uma pessoa apresentar uma doença que exija permanência contínua no leito, alteração das faculdades mentais com grave perturbação da vida orgânica e social ou incapacidade permanente para as atividades da vida diária”, completa.

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