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30/04/2016

EDIÇÃO 3177 ENQUETE -POPULAÇÃO DIZ O QUE ESPERA DO EVENTUAL GOVERNO TEMER

O vice Michel Temer

Caso Dilma Rousseff sofra impeachment, vice-presidente deverá assumir o seu cargo

Há certo consenso de que a recessão econômica ajudou a derrubar a popularidade da presidente Dilma Rousseff (PT), criando condições para o processo de impeachment que está sendo apreciado pelo Senado.

Mas o que esperar de um eventual governo do vice Michel Temer na área econômica, caso o afastamento de Dilma seja aprovado? Como ele pretende lidar com a recessão que ceifa empregos e comprime a renda dos brasileiros?

Ao menos no curto prazo, a avaliação de analistas é a de que o vice deve apostar em medidas que dêem um "aceno" aos mercados financeiros, mostrando que está comprometido com o ajuste fiscal – embora haja divergências entre economistas de diferentes correntes teóricas sobre se essa seria uma boa estratégia.

Isso significa, inclusive, a adoção de medidas impopulares como um eventual aumento de impostos, que Temer tem descartado, e de outras menos polêmicas como o corte radical no orçamento.

No médio prazo, a avaliação de analistas é que a grande aposta do vice seria uma reforma da Previdência, com inclusão da idade mínima de aposentadoria – apesar de isso também poder gerar uma resposta das ruas e de seu eventual apoio no Congresso para o projeto ser incerto.

Boa vontade
"O mercado está com boa vontade com Temer, parece ver no vice uma luz no fim do túnel", diz Alessandra Ribeiro, economista da Consultoria Tendências.

"E até para evitar perder esse apoio, a sua estratégia, caso chegue à presidência, deve começar por indicar uma equipe econômica ortodoxa”, ressalta.

Entre os nomes que estariam sendo contados, segundo rumores que circulam no mercado, estão o do ex-presidente do Banco Central Henrique Meirelles. Ilan Goldfajn, economista-chefe do Itaú, estaria sendo considerado para o Banco Central.

"Como esse aceno aos mercados, o vice poderia ganhar algum alívio para pensar em reformas ou projetos mais amplos. O real a se manteria valorizado por um tempo – o que ajudaria no controle da inflação. Os juros também tendem a cair com essa melhora das expectativas, o que no médio prazo melhora as condições para investimentos", completa Ribeiro.

Curto Prazo
Para Marcos Molica, sócio-responsável pela gestão de recursos da Rosenberg Partners, entre as medidas de curto prazo que devem ser analisadas pelo vice, caso chegue à Presidência, também está o corte de ministérios e do número de cargos comissionados. "Essas são medidas de baixo impacto fiscal, mas com um peso simbólico muito importante", diz.

Tanto Molica quanto Ribeiro acham difícil, porém, que uma eventual gestão Temer consiga evitar um aumento de impostos – apesar da polêmica que isso cria.

Vice-presidente possui projeto chamado Ponte para o Futuro
Temer parece ciente de que a economia deve ser um de seus maiores desafios caso chegue à Presidência. Ainda em outubro, o vice apresentou à imprensa um documento da Fundação Ulysses Guimarães com indicações do que poderia ser o seu governo nessa área – o Ponte para o Futuro.

"Ele (o documento) é um norte (para um eventual governo Temer) porque já foi muito debatido com a sociedade e com o PMDB e expressa as posições que o partido vem adotando ao longo de sua própria história", disse a BBC Brasil Wellington Moreira Franco, presidente da Fundação Ulysses Guimarães, ex-ministro da Aviação Civil e um dos mais próximos colaboradores de Temer.

"Sempre fomos favoráveis ao equilíbrio fiscal, a uma administração favorável da dívida com taxas de juros civilizadas – e com o governo gastando o que pode. As famílias gastam o que podem.

Poucas pagam dívidas com novas dívidas. E o que o governo fez foi isso, por isso chegamos a essa situação de desequilíbrio fiscal."

O Ponte para o Futuro segue a mesma linha de raciocínio, identificando o desequilíbrio fiscal como uma das principais causas da crise.

O documento defende as reformas tributária e trabalhista. Também o destrave do programa de concessões nas áreas de logística e infra-instrutora. E uma maior abertura comercial, com a busca de acordos comerciais com Estados Unidos, União Européia e Ásia ("com ou sem a companhia do Mercosul, embora preferencialmente com eles").

Sobre impostos diz o seguinte: "Qualquer ajuste de longo prazo deveria, em princípio, evitar aumento de impostos, salvo em situação de extrema emergência e com amplo consentimento social."

São a reforma da Previdência e do orçamento, porém, os projetos que mais recebem atenção, havendo um capítulo dedicado a cada um deles – e são também os mais polêmicos.

No que diz respeito à Previdência, o texto defende a idade mínima para aposentadoria para aliviar as contas públicas e se diz a favor de uma revisão da regra para o reajuste dos benefícios, eliminando a indexação de benefícios ao salário mínimo.

"Esse tema da Previdência vem sendo discutido desde o final do século passado, com Fernando Henrique Cardoso, depois no governo Lula. Mesmo no governo Dilma projetos foram mandatos para o Congresso nesse sentido", diz Moreira Franco.

"Precisamos discutir esse problema, mas isso não significa que qualquer medida será tomada sem respeito a direitos adquiridos."

Questionado sobre se o partido não teria os mesmos problemas para aprovar esse projeto no Congresso, ele diz que a tradição do PMDB sempre foi de "negociar, discutir e debater". "O PMDB cresceu respeitando o contraditório. Problemas fazem parte da vida", diz.

Enquete
Para saber se os ituveravenses acreditam que o Senado aprovará o pedido de impeachment, e o que esperam do governo Temer, a Tribuna de Ituverava foi às ruas nesta semana.

Confira as respostas:



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