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ECONOMIA

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22/07/2016

ESTRANGEIROS PÕEM R$ 4,2 BI NA BOLSA EM JULHO E IMPULSIONAM BOVESPA

Mesmo com o país ainda em recessão, a melhora das expectativas em relação à recuperação da economia brasileira combinada com ventos um pouco mais favoráveis do exterior tem garantido fortes ganhos da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira acumula alta de quase 10% em julho e de 30,66% no ano.





Da mínima de 37.497 pontos atingida em meados de janeiro, o Ibovespa saltou nesta semana para um patamar acima de 56 mil pontos, o maior desde maio do ano passado, chegando a registrar uma sequência de 10 altas seguidas, a série mais longa desde agosto de 2010. Nesta quinta-feira (21), o índice fechou em alta de 0,11%, aos 56.647 pontos.


Os investidores estrangeiros, que respondem por cerca de metade do volume financeiro movimentado na Bovespa, vêm elevando suas apostas e contribuindo para o avanço do índice. Em julho, no acumulado até o dia 19, as entradas de capital externo (compras de ações) superaram as saídas (vendas de ações) em R$ 4,219 bilhões, segundo os últimos números disponibilizados pela BM&FBovespa.


Em junho, o ingresso de recursos externos somou R$ 1,16 bilhão, após uma retirada de R$ 1,8 bilhão em maio. Veja gráfico acima


Entre janeiro e julho, a entrada líquida (entradas menos saídas) de capital estrangeiro na Bovespa está em R$ 16,86 bilhões. O valor já supera o resultado fechado de 2015, quando as compras de ações por investidores e fundos de outros países superaram as vendas em R$ 16,38 bilhões.





Sinais de recuperação mais rápida


Ainda que alguns analistas vejam um “certo exagero” no ritmo de subida do indicador, cresce a percepção de que sinais de melhora no ambiente político e econômico, associados à perspectiva de maior ingresso de recursos estrangeiros, justificam o otimismo e podem dar suporte à manutenção do atual patamar e até mesmo a uma alta adicional até o final do ano.





“A bolsa e os mercados financeiros em geral costumam antecipar os movimentos da economia real e, sem dúvida, a gente vê sinais de virada de preços e da economia”, afirma Phillip Soares, analista da Ativa Investimentos.


“Ainda não estamos vendo uma recuperação agressiva. Mas já parou de cair e está se estabilizando, o que já é grande coisa”, acrescenta o economista, citando ainda a melhora nas previsões para o PIB, como a última divulgada pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), que passou a avaliar que o Brasil voltará a crescer em 2017, após 2 projeções de crescimento zero.


Fatores externos


Outro fator que contribui para a alta da Bovespa é a perspectiva de que um aumento de juros nos Estados Unidos irá demorar mais do que se imaginava. Nas últimas semanas, ficaram menores também os temores em relação a uma ruptura na União Europeia após a vitória do Brexit no Reino Unido.





“Há uma percepção clara de que os riscos externos ainda vão permanecer reduzidos e que os juros internacionais vão ficar muitos baixos por um bom tempo”, diz Eduardo Velho, economista-chefe da A2A Asset.





Taxas de juros próximas de zero nos Estados Unidos, Europa e no Japão tendem a fazer com que investidores busquem ativos de maior rentabilidade, como ações, e costumam garantir também um fluxo maior de capital estrangeiro para países emergentes como o Brasil. Com uma taxa de juros básicos em 14,25% ao ano, o país segue na liderança do ranking mundial de juros reais (descontada a inflação), com uma taxa de 8% ao ano – espécie de termômetro do retorno oferecido a detentores de títulos do Tesouro.


O mercado financeiro avalia que a tendência de fluxo cambial negativo (saída de dólares maior que a entrada) vista neste ano deverá ser revertida nos próximos meses. "Não vamos ver uma megaentrada de recursos como vimos anos atrás, mas acredito que a direção está virando", diz Velho.


Na última semana, a entrada total de dólares, somando os canais financeiros e comerciais, superou o saída de recursos no país em US$ 1,1 bilhão, segundo informou o Banco Central. No acumulado no ano até julho, entretanto, US$ 11,04 bilhões deixaram a economia brasileira.


A recente queda do dólar e a redução das projeções de desvalorização do real para o final de 2016 e 2017 também estariam contribuindo para tornar o país mais atrativo para o investidor estrangeiro. "Quando há uma expectativa de desvalorização da moeda internacional frente à local e de maior estabilização do câmbio, o investidor tende a antecipar a entrada e reduzir a saída", explica o analista.





`Cota de exagero´


Para Adeodato Volpi Netto, especialista em Mercado de Capitais da Eleven Financial, apesar da melhora das expectativas em relação à recuperação da economia há uma "cota de exagero" no comportamento das ações na bolsa.





"Quando há uma mudança de quadro, o mercado começa a precificar a tendência e a antecipar movimentos da economia real, mas na minha leitura o mercado superestima a velocidade da melhora", diz o analista, lembrando que até o momento "praticamente nenhuma medida econômica saiu do papel".


Ele cita, por exemplo, a expectativa em torno de privatizações como as de empresas do setor elétrico. Segundo Netto, a venda de alguns ativos pode sim melhorar a performance de estatais, mas o processo de venda não será simples e enfrentará um cenário ainda repleto de incertezas e obstáculos.


"Sem a aprovação de medidas fiscais e econômicas no Congresso, sem a confirmação do fim da interinidade deste governo, sem que medidas efetivas aconteçam, qualquer patamar no Ibovespa acima de 55 mil pontos tenderá a ser artificial, sem suporte na realidade da economia", avalia Netto.


Dependência de medidas no Congresso


Os analistas alertam que alguns papéis já estariam sobrevalorizados, o que pode motivar a qualquer momento um movimento de venda expressiva de ações para o embolso de ganhos por parte dos investidores, o que faria cair as cotações das ações.


"Hoje ainda existe uma pressão compradora muito grande, mas não se pode esquecer que o lucro só vira lucro quando realizado", observa Netto, lembrando que o o mercado de ações é um investimento de risco, composto por múltiplos ativos e sujeito a mudanças repentinas.


"O movimento ainda é de compra, mas obviamente em algum momento vai ter uma parada para esperar qual vai ser o formato da PEC fiscal, da reforma da Previdência e da capacidade do Banco Central atingir a meta de inflação", avalia Eduardo Velho, da A2A Asset.


Bovespa acumula 3 anos de perdas


A bolsa lidera o retorno de investimentos financeiros feitos no país no 1º semestre, de acordo com ranking elaborado pelo administrador de investimentos Fabio Colombo.


Apesar da alta de mais de 30% no ano, o Ibovespa ainda está bem longe das máximas históricas. O patamar recorde foi registrado em 20 de maio de 2005, quando o índice chegou a 73.516 pontos. Já a barreira dos 60 mil pontos não é rompida desde setembro de 2014.


A bolsa brasileira acumula 3 anos seguidos de perdas. Em 2015, a Bovespa foi o pior investimento do ano, com perda de 13,31%. Em 2014 e 2013, o Ibovespa também acumulou baixas, de 2,91% e de 15,5%, respectivamente.


A série de desempenhos frustrantes levou a uma fuga de investidores do mercado de ações brasileiros. A Bovespa fechou junho com 559.518 investidores individuais pessoas físicas, ante um total de 562 mil em maio e um pico de 610 mil em 2010.


Maiores altas e baixas


Da carteira de 59 ações do Ibovespa, apenas 10 acumulam perda no ano, segundo dados da provedora de informações financeiras Economatica.


Confira a seguir a variações das ações do Ibovespa no acumulado no ano, até o dia 20 de julho, por ordem de desempenho:


CSN ON: 156,25%


Bradesparx PN: 99,40%


RaiaDrogasil ON: 80,79%


BMF&Bovespa ON: 78,73%


Petrobras PN: 76,42%


Multiplan ON: 69,34%


Bradesco PN: 67,89%


BR Malls Par ON: 65,72%


Usiminas PNA: 63,39%


Smiles ON: 62,92%


Bradesco ON: 61,76%


Sabesp ON: 59,86%


Ecorodovias ON: 59,53%


Qualicorp ON: 59,48%


Petrobras ON: 59,28%


Kroton ON: 59,10%


Lojas Renner ON 58,89%


Cemig PN: 56,60%


CPFL Energia ON: 53,88%


Localiza ON: 51,2%


MRV ON: 50,03%


Gerdau Met PN: 49,07%


Cyrela Realt ON: 49,06%


Brasil ON: 48,75%


Equatorial ON: 47,62%


Gerdau PN: 46,88%


Copel PNB: 45,23%


Cosan ON: 44,59%


CCR SA ON: 44,20%


Itausa PN: 38,33%


Estacio Part ON: 36,89%


Telef Brasil PN: 34,69%


ItauUnibanco PN: 34,56%


P.Acucar-CBD PN: 33,96%


Vale PNA: 32,98%


Cielo ON: 31,52%


Ibovespa: 30,52%


Santander BR UNT N2: 29,55%


BBSeguridade ON: 27,85%


Energias BR ON: 27,57%


Vale ON: 26,71%


Engie Brasil ON: 24,66%


Ultrapar ON: 22,43%


Natura ON: 20,99%


Hypermarcas ON: 19,21%


Cetip ON: 17,67%


Tim Part S/A ON: 17,49%


Lojas Americ PN: 12,52%


Cesp PNB: 8,94%


Ambev S/A ON: 8,59%


Weg ON: -2,50%


Rumo Log ON: -5,45%


BRF SA ON: -5,93%


JBS ON: -11,75%


Marfrig ON: -13,70%


Braskem PNA: -27,72%


Klabin S/A UNT N2: -30,36%


Suzano Papel PNA: -40,68


Embraer ON: -43,03%


Fibria ON: -60,26%

Fonte: g1.globo.com

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