Nossa Capa


Publicidade





SAϿ�DE

Voltar | imprimir

05/08/2016

BRASIL COMEÇA A UTILIZAR VACINA CONTRA A DENGUE

No lançamento da campanha de vacinação contra dengue no Paraná, morador de Paranaguá é vacinado ao lado do governador daquele Estado, Beto Richa

As primeiras doses da vacina contra a dengue distribuídas pelo sistema público no Brasil foram aplicadas na última semana, na cidade de Paranaguá, no litoral paranaense. A cidade foi uma das mais fustigadas pela doença neste ano, com 10% de seus habitantes diagnosticados positivamente. Ela e outros 29 municípios do Paraná fazem parte de uma ação pioneira que pode mudar definitivamente o combate à doença no país.

A um custo de R$ 100 a dose, a imunização está sendo bancada pelo governo estadual. Os municípios escolhidos foram os mais castigados pela dengue nos últimos cinco anos, com registro de mais de 500 casos por 100 mil habitantes.

Eles funcionarão como laboratório para a eventual adoção da vacina em todo o território nacional. “O Estado do Paraná poderá servir como experiência para o restante do Brasil”, disse o ministro da Saúde, Ricardo Barros, na cerimônia de abertura da ação. “É uma iniciativa louvável.”

As 30 cidades paranaenses receberão 500 mil doses da vacina. Entre elas estão Londrina, Maringá, Cascavel e Foz do Iguaçu. Em 28 localidades, serão vacinadas pessoas entre 15 e 27 anos, faixa mais atingida pelo vírus localmente.

Quadro calamitoso
Nos dois casos restantes, de Paranaguá e Assaí, porém, o quadro é tão calamitoso que as autoridades decidiram ministrar o medicamento dos 9 aos 44 anos, ou 60% da população. A estimativa é que a campanha proteja, de maneira indireta, de 50 a 90% dos habitantes, já que a doença se alastra mais devagar caso o inseto tenha menos pessoas infectadas para picar.

As três doses necessárias serão aplicadas agora, em fevereiro e agosto de 2017. O maior desafio será atrair jovens e adolescentes, mais refratários a aderir às campanhas de imunização coletiva.

Como o Brasil vem perdendo a batalha para o Aedes aegypti e os avanços no controle biológico do mosquito ainda dão os passos iniciais, a imunização pode ser a melhor saída para o país.

Um estudo feito pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) descobriu que, em cinco anos, casos de dengue e mortes decorrentes poderiam cair 81% se fosse feita campanha via Sistema Único de Saúde (SUS) entre 9 e 40 anos.

Para se ter uma idéia, se o remédio estivesse em circulação desde 2010, no ano passado o número de casos teria caído do recorde de 1,6 milhão para 300 mil. O de mortes, despencaria de 863 para 169.

Entraves
Por enquanto, não há previsão para incorporar o medicamento no sistema público nacional. O primeiro entrave é a falta de conhecimento sobre seu funcionamento em larga escala. “Ainda não temos estudos suficientes”, diz o infectologista Marcos Boulos, chefe da Coordenadoria de Controle de Doenças do Estado de São Paulo. “Vai ser avaliado, até o fim desse ano ou o começo do ano que vem, se essa vacina terá impacto. Aí poderemos decidir”, ressalta.

A segunda crítica é que, apesar de a imunização oferecer uma proteção semelhante à da gripe (66%), a eficácia contra o tipo 2 do vírus, que está crescendo no Brasil, é considerada baixa (47%). “A vacina vai fazer efeito justamente no ano em que o vírus contra o qual ela é menos eficiente vai atingir o ápice”, afirma Artur Timerman, presidente da Sociedade Brasileira de Dengue e Arboviroses.

Custo
O terceiro problema é de custo. Em maio, o então ministro de Saúde Agenor Álvares, da presidente afastada Dilma Rousseff, disse que, a R$ 88 a dose, o impacto seria de três vezes o orçamento do Programa Nacional de Vacinação: “Fica praticamente impossível incorporá-la”, afirmou na época. Para o governo paranaense, cada dose saiu por R$ 12 a mais.

Como toda doença, a dengue cobra seu principal preço em vidas. Mas o prejuízo também se dá nos cofres públicos. Um levantamento feito em 2015 pela Universidade Federal de Goiás (UFG) calculou que a perda chega a R$ 4,7 bilhões por ano.

INSTITUTO Butantan
Nos últimos anos, houve uma corrida no estudo dessas vacinas no mundo. A primeira a ser aprovada por órgãos regulatórios foi a da Sanofi. Uma concorrente desenvolvida pelo Instituto Butantan se encontra na fase final de testes, mas não deverá chegar ao mercado antes de 2018.

Enquanto isso, a medicação da empresa francesa começou a chegar às clínicas particulares do Brasil na última semana. Depois de sete meses de espera, a Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMed) – órgão composto por cinco ministérios que define o preço máximo dos remédios vendidos no território nacional – definiu o valor de R$ 132,76 a R$ 138,53, dependendo do Estado.

Custos
Para o consumidor final, porém, o custo será bem maior, com clínicas cobrando entre R$ 300 e 400 devido à alta procura. A distribuição deve começar nesta semana, mas o consumo do cliente privado não mudará o quadro da doença no Brasil.

Ainda não há previsão que vacina chegue a Ituverava
Em Ituverava ainda não há previsão para que a vacina esteja disponível. No município, neste ano, segundo a Secretaria Municipal de Saúde, foram registradas 1.284 notificações de dengue, 450 foram positivas, 13 negativas e 29 descartadas. As outras 796 aguardam resultado.

Também foram registradas 14 notificações de zika vírus e 10 de chikungunya, porém os resultados ainda não chegaram.

Em Ribeirão Preto, as primeiras doses da vacina contra a dengue já estão disponíveis em clínicas particulares, por até R$ 300. Em todo o primeiro semestre deste ano, a cidade confirmou 34.900 casos da doença, quase sete vezes mais do que em 2015, e registrou sete mortes.

A Prefeitura de Ituverava, através da Secretaria Municipal de Saúde, tem desenvolvido importantes ações de combate ao mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, de zika vírus e de chikungunya. Além de trabalho informativo e de conscientização, a Secretaria realizou o bloqueio de criadouros (nebulização) em todo o município.

Lei municipal
Uma Lei Municipal em Ituverava, elaborada através de projeto do Poder Executivo e aprovada pelo Poder Legislativo, multa as pessoas que não manterem suas residências e terrenos livres dos criadouros do mosquito transmissor das doenças. Prevê também multa para quem impedir que os agentes de controle de vetores entrem nas residências.

Voltar | Indique para um amigo | imprimir