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08/08/2016

EDIÇÃO 3191 ENQUETE - IMPACTO DAS OLIMPÍADAS NA IMAGEM DO BRASIL É DISCUTIDO

Especialista acredita que Olimpíadas prejudicarão imagem do Brasil

Evento esportivo pode melhorar ou piorar a visão que os outros países têm em relação ao Brasil

Com a abertura oficial das Olimpíadas Rio 2016, dia 5 de agosto, cresce entre os brasileiros a insatisfação com a sua realização no país. O Rio de Janeiro foi eleito sede dos Jogos em outubro de 2009, no segundo mandato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Na época, o clima era de festa. Com a mudança do cenário econômico e a crise política instalada no Brasil, a situação se tornou mais preocupante com o decreto declarando calamidade pública no Estado do Rio de Janeiro, em junho, pelo governador em exercício, Francisco Dornelles, levando o prefeito Eduardo Paes a afirmar: “os Jogos são uma oportunidade perdida".

Nas últimas semanas, apesar do apelo midiático em torno dos Jogos, as Olimpíadas continuam indiferente para muitos brasileiros. As questões de segurança, com notícias sobre possível ataque terrorista, também causaram impacto negativo. As manifestações violentas durante o revezamento da Tocha Olímpica em várias cidades são emblemáticas da rejeição dos brasileiros ao evento.

Datafolha
Pesquisa recente do instituto Datafolha afirma que mais da metade dos brasileiros é contra a realização da Olimpíada. O levantamento foi realizado entre os dias 14 e 15 de julho em 171 municípios do país. Nas regiões Sul e Sudeste, as pessoas com mais instrução são as que mais reprovam a realização do megaevento esportivo. Já as taxas mais altas de apoio estão entre os moradores da região Norte (52%) e a população do Nordeste (54%).

Há três anos, 64% dos brasileiros eram favoráveis aos Jogos. Atualmente 63% consideram que eles trazem mais prejuízos do que benefícios. Deste número, 57% consideram que as Olimpíadas serão mais motivo de vergonha do que de orgulho. As maiores preocupações são com a segurança devido à ameaça de atos terroristas e a com a imagem do Brasil para o mundo.

As manifestações mais freqüentes nas redes sociais que apontam o evento é inoportuno e incompatível com a grave crise econômica e política do Brasil e responsabilizam os governos federal, estadual e municipal pelos desacertos na sua realização.

Países participantes
Participarão do evento, realizado pela primeira vez na América do Sul, 206 países. Segundo os organizadores, a maior parte do orçamento total dos Jogos - quase R$ 40 bilhões - foi investida nos projetos de infra-estrutura nas cidades-sede dos Jogos, o que é considerado positivo.

Outro legado será deixado pelo Parque Olímpico que terá as arenas transformadas em escolas e outras aproveitadas para o treinamento de atletas do país, mas os brasileiros não estão convencidos disto.

Olimpíada à la Brasil
O presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI), Thomas Bach, concedeu a primeira coletiva oficial para a imprensa mundial na manhã do último domingo, 31 de julho, no Centro de Mídia Principal (MPC, na sigla em inglês), e mostrou confiança no sucesso da operação da Olimpíada que começou no ontem, dia 5.

Ao comentar sobre problemas, ele chegou a brincar usando uma curiosa expressão. “Como sempre teremos alguns desafios de última hora. Mas, depois do que vimos nos últimos meses, nossos colegas brasileiros vão conseguir manter tudo sobre controle. Estamos mais confiantes do que nunca que teremos uma ótima Olimpíada à la Brasil, aqui no Rio de Janeiro, daqui a cinco dias”.

Mas, depois, minimizou a carga de ironia na expressão. “Falei Olimpíada ‘à la Brasil’ no sentido de que acho que são Jogos cheios de paixão e vontade de aproveitar a vida”, ressaltou.

Elogio
Um dia depois, Bach voltou a falar sobre o assunto e elogiou o Brasil. "Não é exagero dizer que os brasileiros têm vivido tempos extraordinários. A crise política e econômica do país é sem precedentes. Essa situação fez com que a preparação para os Jogos fosse desafiadora", diz Bach.

"Em um tempo em que o país está dividido social, política e economicamente, a transformação no Rio é histórica. O Rio não seria o que é hoje se não tivesse os Jogos como catalisador. A história vai falar sobre o Rio antes dos Jogos e sobre um Rio de Janeiro depois dos Jogos", completa.

Especialista diz que olimpíadas prejudicarão a imagem do país
Para o consultor britânico Simon Anholt, referência mundial em pesquisas sobre imagem internacional de países, problemas internos, com a crise financeira que o Brasil atravessa, não costumam afetar a percepção geral do público de fora sobre determinada nação.

O potencial maior de dano à “marca Brasil”, avalia, está no possível “choque de realidade” decorrente da exposição massiva, com a Olimpíada, de problemas locais como desigualdade e violência – fenômeno que ele detectou na Copa do Mundo de 2014.

“Na Copa de 2014, o Brasil tinha uma situação parecida (com a da África do Sul, em 2010).

Todos pensavam que o país era moderno, desenvolvido. Vieram horas e horas de transmissão e cobertura da mídia sobre problemas sociais, protestos, crimes”, afirma Anholt.

“O público se deu conta que era um país em desenvolvimento, e corrigiu aquela visão irrealista, foi um passo atrás. Acho que a Olimpíada será mais um pequeno passo para trás na imagem do país no exterior”, ressalta.

Reputação
Criador do conceito de marcas de países (nation branding) e de metodologias para medir a reputação de nações pelo mundo, Anholt produz desde 2005 o chamado Nation Brands Index (NBI), uma pesquisa global de opinião (20,3 mil entrevistas na edição 2015) que mede a imagem de 50 países em aspectos como governança, cultura e população.

Enquete
Para saber se a população acredita em benefícios ou malefícios proporcionados pelas Olimpíadas, a Tribuna de Ituverava foi às ruas nesta semana.

Confira as respostas:

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