Clique aqui para ver a previsão completa da semana
02/09/2016
A prefeita Dárcy Vera (PSD) teve sua residência e o gabinete oficial no Palácio Rio Branco revirados por agentes da Polícia Federal na manhã de ontem, mas conseguiu se livrar, por enquanto, da prisão temporária solicitada pelo Ministério Público Estadual (MPE).
Ela entrou na mira da divisão de Crimes de Prefeitos do MPE, comandada pelo procurador de Justiça Mário Antonio de Campos Tebet, que veio de São Paulo para Ribeirão com uma equipe para conduzir as buscas.
Em nota, Tebet explicou que Dárcy é investigada por “infrações penais ligadas à função pública”.
Segundo o A Cidade apurou, a prisão de Dárcy foi solicitada para que ela não atrapalhasse o restante das investigações, mas o pedido foi negado pelo desembargador Marcos Correa, da 6ª Câmara de Direito Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo.
Como prefeita, Dárcy tem foro privilegiado e as investigações só podem ser conduzidas pela Procuradoria Geral de Justiça na capital paulista. Seu processo corre sob sigilo judicial e o MPE não detalhou por quais motivos a prefeita é investigada
De acordo com o MPE, nos “próximos dias”, Dárcy Vera deverá ir a São Paulo para ser ouvida pelos procuradores.O Executivo entrou na mira da operação Sevandija devido a suspeita de compra de apoio político de vereadores por meio de indicações de terceirizados na Coderp e por suposto recebimento de propina no pagamento de honorários advocatícios de uma advogada que já atuou no Sindicato dos Servidores e, hoje, exerce cargo em comissão na prefeitura.
Em casa
Na manhã de ontem, cinco agentes da Polícia Federal cumpriram mandados de busca e apreensão na casa da prefeita, localizada no bairro Ribeirânia. Eles retiraram documentos do local. O mesmo foi feito no Palácio Rio Branco.
Dárcy estava em casa, segundo sua advogada, Cláudia Seixas, mas precisou ir para São Paulo acompanhar a filha em um vestibular e retornaria na noite de ontem a Ribeirão.
“Foram cumpridos mandados de busca e apreensão dentro da normalidade. A prefeita é a maior interessada em que tudo seja esclarecido”, afirmou Seixas, ressaltando a inocência de Dárcy.
Sobre o pedido de prisão, Seixas afirmou que foi “afastado pelo desembargador por não ter nenhuma sustentação”.
Seixas diz que não há nenhuma restrição judicial para que Dárcy conduza a prefeitura. Por meio de sua assessoria, a prefeita informou que se posicionaria apenas por meio de sua advogada. (Colaboração: Júlia Fernandes)
Dárcy perde ‘núcleo duro’ e base aliada
O governo Dárcy Vera (PSD) sai fragilizado logo no primeiro dia da operação Sevandija, com a perda de seus dois aliados mais fieis no governo: Marco Antonio dos Santos, superintendente da Coderp e do Daerp e ex-secretário de Administração, foi preso; já Layr Luchesi, destituído das secretarias de Esportes e da Casa Civil por determinação judicial. Ângelo Invernizzi, secretário de Educação, também foi preso.
O secretário de Governo, Marcus Berzoti, afirmou ao A Cidade que recebeu, na tarde de ontem, uma medida cautelar exigindo o afastamento dos três da prefeitura: “Amanhã [hoje], anunciaremos as substituições, mas é importante esclarecer à população que a prefeitura segue normalmente os seus trabalhos, não haverá prejuízos nos serviços prestados”. Além de perder o “núcleo duro” do governo, Dárcy viu esfarelar sua base aliada na Câmara, com nove vereadores suspensos do mandato por ordem judicial. Nas conversas internas, o Palácio Rio Branco prevê dois desfechos – ambos negativos para o Palácio: a predominância da oposição na Câmara, caso não haja substituição dos afastados; ou a convocação dos suplentes. Nesse último caso, o governo teme que os novos vereadores “esqueçam” que são base e votem com a oposição visando as eleições de outubro.
Análise - Descrédito é o efeito imediato
“O efeito imediato para o governo é o descrédito ainda maior da população em relação a esse final de mandato da prefeita Dárcy Vera (PSD) e, principalmente, nas pretensões eleitorais dos vereadores alvos da operação. Muito provavelmente ocorrerá uma renovação no Legislativo nas eleições. Quanto ao andamento da máquina pública, acredito que não haverá grandes prejuízos, pois a maioria dos envolvidos exerce cargo comissionado e pode ser substituído sem prejuízos. Ao meu ver, o ideal seria a nomeação de servidores públicos para esses cargos vagos [secretarias de Educação, Casa Civil, Esportes, Coderp e Daerp], que já conhecem a rotina da administração.” Marco Aurélio Damiã, Especialista em administração pública.
Fonte: www.acidadeon.com