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09/09/2016
Investigação da Polícia Federal e do Ministério Público aponta que o secretário da Educação de Ribeirão Preto (SP), Ângelo Invernizzi Lopes, preso na Operação Sevandija e afastado do cargo, recebeu R$ 100 mil de propina da Atmosphera Construções e Empreendimentos.
A terceirizada é considerada pela PF e pelo MP como uma espécie de “cabide de empregos” para trabalhadores indicados por vereadores, em troca de apoio político ao governo da prefeita Dárcy Vera (PSD) na Câmara.
Consta no inquérito que o dinheiro supostamente repassado ao ex-secretário foi depositado em 2014 na conta bancária de Simone Cicillini, dona da Mstech, prestadora de serviços à Companhia de Desenvolvimento de Ribeirão Preto (Coderp), assim como a Atmosphera.
Simone também é mulher de Johnson Dias Correa, um dos empresários presos em 1º de setembro na Operação Sevandija. Ela, no entanto, ainda não é citada no inquérito da PF.
As investigações apontam que a Mstech nunca existiu de fato, servia apenas para fazer repasses de propina a Lopes. Um dos indícios nesse sentido é um telefonema do ex-secretário à mulher dele, interceptada pela polícia com autorização da Justiça.
"Ângelo pergunta se tem algum dinheiro no cofre, mas Regina diz que não sabe se ele deixou alguma coisa lá. Ângelo diz que vai ver, mas que precisa pegar dinheiro como o Jonson, que vai na Mstech no almoço com Jonson", consta no inquérito.
A Mstech tem contrato de R$ 2 milhões com a Coderp para prestação de serviços à Secretaria Municipal de Educação. Entretanto, um parecer do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP) aponta que a empresa cobrava valores acima do praticado no mercado.
Investigação
Ainda de acordo com a PF e o MP, o ex-secretário da Educação também está envolvido no suposto esquema de contratação de trabalhadores indicados por vereadores para a Prefeitura de Ribeirão, por intermédio da Coderp.
Ligações telefônicas gravadas com autorização da Justiça revelam uma conversa entre Lopes e o ex-superintendente da Coderp, Marco Antônio dos Santos, sobre a contratação de pessoas supostamente indicadas pelo presidente afastado da Câmara, Walter Gomes (PTB).
Defesas
O advogado de Simone Cicillini e Jonson Dias Correa nega que eles tenham repassado dinheiro ao ex-secretário. Segundo a defesa, Correa só representava a empresa Mstech e que os R$ 100 mil depositados pela Atmosphera na conta de Simone foram por serviços prestados.
Procurados, Regina Invernizzi e o advogado dela não foram localizados.
A defesa do secretário afastado, Ângelo Invernizzi, disse que ele agiu corretamente a respeito da triagem das pessoas que concorriam às vagas de monitores. Sobre o recebimento de dinheiro, o advogado disse que não poderia comentar porque nunca falou sobre esse assunto com o cliente.
A defesa de Walter Gomes disse que ele nunca usou o cargo para benefício próprio.
Fonte: g1.globo.com