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10/09/2016

EMPRESÁRIO É SUSPEITO DE PAGAR PROPINA A POLÍTICOS NA ELEIÇÃO DE 2012

Marcelo Plastini foi preso na 1ª fase da Operação Sevandija em Ribeirão. Relatórios mostram saques milionários da conta da Atmosphera no período.

Investigações da Operação Sevandija conduzidas pela Polícia Federal (PF) e pelo Grupo de Atuação Especial e Combate ao Crime Organizado (Gaeco) apontam que o empresário Marcelo Plastino, dono da Atmosphera Construções e Empreendimentos, efetuou saques em espécie de R$ 2,57 milhões entre 5 de outubro de 2012 e 31 de janeiro de 2013.

Ele também é suspeito de usar o dinheiro para pagar propina a políticos e a funcionários do alto escalão da prefeitura de Ribeirão Preto durante a campanha eleitoral de 2012. Na época, a prefeita Dárcy Vera (PSD) foi reeleita no segundo turno.

Deflagrada no dia 1º de setembro, a operação prendeu 13 suspeitos de fraudes em contratos de licitações da prefeitura que somam R$ 203 milhões, e de crimes de corrupção. O inquérito da primeira fase foi encerrado nesta quinta-feira (8) e remetido à Justiça.

Nove pessoas, entre elas Plastino, e os secretários da Administração e da Educação afastados pela prefeita, Marco Antônio dos Santos e Ângelo Invernizzi Lopes, seguem presas.

Movimentações atípicas
Segundo a PF e o MP, a Atmosphera foi beneficiada em licitações da prefeitura que somam cerca de R$ 26 milhões. A empresa intermediou a contratação de quase 700 funcionários terceirizados para trabalhar em secretarias e empresas públicas, e era usada como cabide de empregos para pessoas indicadas por vereadores. Em troca, os parlamentares apoiavam votações na Câmara a favor do Executivo. Nove tiveram os mandatos suspensos pela Justiça, entre eles o presidente, Walter Gomes (PTB).

Em 2012, as transações bancárias feitas por Plastino chamaram a atenção do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF) do Ministério da Fazenda. Um documento remetido pelo órgão à PF aponta que a empresa Tecmaxx Construções e Serviços, da qual ele também é dono, movimentou R$ 739 mil de janeiro de 2012 a dezembro de 2012, montante considerado incompatível com o faturamento declarado.

Um relatório do COAF sobre a Atmosphera relata saques após o período eleitoral até junho de 2016. Só em março deste ano, R$ 1,47 milhão foi retirado da conta da Atmosphera em saques feitos por Plastino, pela mãe dele, Marina Célia Lemelle Plastino, e pela funcionária e namorada do empresário, Alexandra Ferreira Martins, também presa na operação.

Para a polícia, conversas telefônicas gravadas, vídeos e fotos apontam fortes indícios de que o dinheiro foi repassado a políticos e a funcionários do governo municipal.

Procurados, os advogados de Plastino, da mãe e da namorada dele negam participação dos três no esquema de pagamento de propina. Segundo as defesas, os valores sacados foram para uso pessoal do empresário.

A prefeita Dárcy Vera , que foi alvo de um pedido de prisão temporária no decorrer da Operação Sevandija, negado pelo Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), informou que só vai comentar o caso após prestar esclarecimentos às autoridades.

Pagamentos de funcionários
A Atmosphera mantinha trabalhadores terceirizados em vários órgãos públicos de Ribeirão Preto, como escolas, Poupatempo, cemitérios, Procon e parques municipais. De acordo com a investigação, a empresa recebia cerca de R$ 5 milhões dos cofres públicos por mês para pagar os trabalhadores, mas depositava menos do que o previsto.

Em um edital de contrato com a Companhia de Desenvolvimento Econômico de Ribeirão Preto (Coderp), uma teleatendente deveria receber cerca de R$ 5,5 mil. No entanto, holerites mostram que o pagamento pela função era de menos da metade, cerca de R$ 2 mil.

No início desta semana, 586 funcionários foram demitidos pela Atmosphera depois que a prefeitura rompeu os contratos de terceirização.

Os bens de todos os presos na Operação Sevandija foram bloqueados pela Justiça. No caso da Atmosphera, o juiz responsável pelo caso vai nomear um interventor para fazer os acertos dos demitidos.



Fonte: g1.globo.com(EPTV)

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