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10/09/2016
Areia que estava em vasos e foi jogada por criminosos, que levaram vasos de túmulo Nos últimos meses roubos têm ocorrido quase todos os dias, segundo o administrador do local
Um problema recorrente no passado voltou a indignar aos ituveravenses: diversos objetos - como vasos, placas e argolas - estão sendo furtados quase que diariamente no Cemitério “Ariró Procópio dos Santos” (Central). A ação dos criminosos ocorre pela madrugada, e é facilitada pelos muros dos fundos do cemitério, que são muito baixos.
Segundo o administrador dos cemitérios de Ituverava, João Miguel Marques, nos últimos meses já foram furtados mais de 80 vasos de bronze, além de placas e argolas, que totalizam mais de 100 túmulos danificados pela ação dos bandidos.
“Tem acontecido com uma freqüência cada vez maior. Quando chego no elo cemitério pela manhã, me deparo com túmulos danificados, bem como areia - que antes estava dentro de vasos - espalhada pelo chão, pois os criminosos jogam fora para que os vasos fiquem mais leves”, explica, em entrevista concedida à Tribuna de Ituverava.
“O cemitério nunca teve um vigia noturno e os muros são muito baixos, o que sempre facilitou ações desse tipo. Porém, nos últimos meses elas estão ainda mais freqüentes.
Os principais alvos são os vasos de bronze, que certamente são vendidos a um valor pelos criminosos”, destaca.
João Miguel Marques chegou a registrar boletins de ocorrência sobre os furtos. Porém, a orientação é que a própria família prejudicada faça a queixa na Delegacia.
Famílias
Dentre os túmulos que tiveram objetos furtados mais recentes estão odas famílias: João Rodrigues da Rocha, Rosa Geraldini, Maria Barbosa, Pedro Oliveira Tanajura, Francisco Diniz Queiroz, Jerônimo José de Matos, Camila Okubo, Hermes Procópio dos Santos, Alcides Mesquita Garcia, Valdemar Melki, Lineu de Paula Leão, Joaquim Menezes, Benedito Lobo, Marcos Vinícius da Silva, Aparecida Silva, Elias Abdalla e José Teoro.
Furtos
Também foram furtados objetos dos túmulos das famílias Bonacorci, Silva, Faleiros, Fakuhara, Telles, Bernardes, Ferreira, Abdalla, Rodolfo, Ribeiro, Nunes, Villela, Carrer, Mendes, Abud e Dalmanda.
De acordo com o delegado João Paulo Marques, os casos estão sendo investigados. “E é importante lembrar que se alguém compra esses produtos, passa a responder pelo crime de receptação”, destaca.
Queixas da população
O comerciante Marcos Vinícius da Silva (“Marcos dos Nove Irmãos”) lamenta o fato. “É algo extremamente triste, não pelo valor material dos objetos furtados, mas porque eles representam o amor que temos pelos entes queridos que se foram. É uma falta de respeito muito grande as pessoas chegarem a esse ponto, em que não se tem consideração nem pelos mortos. Isso precisa acabar”, indigna-se.
O advogado Alcides Barbosa Garcia também fala sobre os roubos. “O que mais me aflige não é a lesão ao patrimônio. O que me deixa consternado é a ofensa à memória dos nossos entes queridos. Visitar o túmulo de meu pai e avós é uma forma de aliviar a dor de suas perdas. Estes furtos são repulsivos”, diz.
O historiador Celso Barbosa Sandoval fala sobre o que tem ocorrido. “Como tenho hábito constante de visita o cemitério central de nossa cidade, há muito tempo tenho percebido roubos e vandalismos nos túmulos, pois são levados pelos bandidos correntes, porta-retratos, argolas e vasos de bronze. Por curiosidade diante da constância desses crimes, sempre converso com funcionários e o administrador do cemitério. O que me intriga, é que sempre ouço que os transgressores são os mesmos, mas infelizmente as autoridades a não encontram recursos para flagrar os criminosos. Como forma de colaborar com a polícia, sugiro que todos as famílias cujos túmulos foram desrespeitados registrem um boletim de ocorrências, para que se tenha a dimensão da ousadia desses bandidos, pois, como estão impunes, continuam a cometer os crimes”, afirma.
“Também seria ideal seria aumentar a altura dos muros que circundam o cemitério,além de colocar vigilantes noturnos”, completa Celso Barbosa Sandoval.