Clique aqui para ver a previsão completa da semana
03/10/2016
Pesssoas se comunicam através de Libras. No destaque, a ituveravense Ariane Silva Rabelo Professora ituveravense Ariane Silva Rabelo fala sobre importância da data e desafios dos surdos
A última segunda-feira, 26 de setembro, foi o Dia Nacional do Surdo, data instituída no Brasil pela Lei nº 11.796/2008. Devido a importância da data, que ainda não é tão difundida quanto deveria, a professora ituveravense Ariane Silva Rabelo, hoje docente na cidade de São José do Rio Preto, abordou o assunto em texto enviado à Tribuna de Ituverava.
De acordo com ela, este momento deve ser utilizado para refletir sobre os direitos da pessoa surda e se eles têm seus direitos garantidos e respeitados.
“Para falar sobre da pessoa surda, é preciso também falar sobre a Língua Brasileira de Sinais – Libras, que é reconhecida pela Lei nº 10.436/2002, como meio de comunicação e expressão da comunidade surda brasileira. Sim, os surdos têm uma Língua! E esta língua é para eles o que a Língua Portuguesa é para nós, ouvintes, a principal forma de se comunicar e conhecer o mundo. Ela pode e deve ter acesso aos seus direitos constitucionais, tais como, educação, saúde, trabalho entre outros direitos sociais?”, questiona a professora.
Segundo ela, a legitimidade desta data comemorativa mostra que a luta da comunidade surda, é legítima e pouco a pouco está conquistando espaço.
“Nos dias atuais, ainda há pessoas que compreendem a surdez tal como definiu Aristóteles na antiguidade: indivíduos surdos seriam incompetentes por não apresentarem a linguagem oral e, para o filósofo grego, a expressão dos pensamentos era o que atribuía condição humana ao indivíduo e, no caso dos indivíduos surdos, isso não seria possível, uma vez que eles não poderiam se utilizar da oralidade”, dizia.
Contraponto
“Contudo, Sócrates, que antecedeu a Aristóteles, tinha uma visão diferente sobre o assunto. Segundo a pesquisadora Maria Cecília de Moura, Sócrates questionava se, sem linguagem oral, a pessoa surda poderia, por exemplo, transmitir o que sente através de suas mãos, pés, cabeça e outras partes do corpo. O pensamento de Sócrates é o que chega mais próximo das definições atuais que reconhecem a Língua de Sinais como meio de comunicação da pessoa surda e, por isso mesmo, parte integrante de sua cultura”, relata.
Segundo Ariane, os pensamentos socráticos e aristotélicos foram se perpetuando ao longo da história até que a Língua de sinais foi banida, em 1880, no congresso de Milão.
“A proibição do congresso de Milão seguiu forte por muito tempo, entretanto, esse cenário modificou-se progressivamente, conforme foram avançando as pesquisas sobre a Língua de Sinais, o que contribuiu para o seu reconhecimento como código complexo e como língua genuína”, diz.
Línguas de Libras foi legitima no Brasil no ano de 2001
Em 2002, o Brasil legitimou a Libras e, três anos depois, o Decreto nº 5.626 dispôs, dentre outras coisas, sobre a inclusão da Libras como Disciplina Curricular, sobre a formação de profissionais interpretes e guia-interpretes para surdos-cegos, sobre uso e difusão da Libras e da Língua Portuguesa para o acesso das pessoas surdas à educação, e sobre a garantia à educação da pessoa surda.
“Nós, comunidade surda, lutamos por uma escola bilíngüe pública e de qualidade, pela garantia do direito à saúde, por Tradutores e Intérpretes de Libras (TILS) nas escolas, nos bancos, nos hospitais, consultórios médicos, pelo tratamento clínico e especializado, respeitando as especificidades de cada caso, e por orientações às famílias sobre as implicações da surdez, bem como sobre a importância para a criança com perda auditiva de ter, desde o nascimento, acesso à Libras e à Língua Portuguesa”, enfatiza.
Além disso, segundo ela, é imprescindível que poder publico e das empresas que detêm a concessão ou a permissão de serviços públicos no apoio ao uso e difusão da Libras.
“Portanto, diante desta data tão especial, gostaria de motivar a todos a estarem conosco nesta luta por condições dignas para os surdos. As mãos que acariciam, são as mesmas mãos que podem nos falar ao coração”, completa.
Ituveravense
Ariane Silva Rabelo cursou a pré-escola na Creche Municipal “Nossa Senhora da Aparecida”, o Ensino Fundamental na EMEF “Professor Antônio Josino de Andrade” e o Ensino Médio na Escola Estadual “Capitão Antônio Justino Falleiros”.
Cursou Matemática pela Universidade Estadual Paulista (Unesp), campus de São José do Rio Preto; Pedagogia pela Universidade de Uberaba, e Aperfeiçoamento em Atendimento Educacional Especializado para alunos Surdos, Educação Especial e Atendimento Educacional Especializado e Língua Brasileira de Sinais pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU).
É certificada como proficiente no uso e Ensino de Libras – ProLibras pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), e pelo Instituto Nacional de Educação de Surdos (INES)
Ariane é filha de Davi Rabelo e Aparecida de Fátima Alves da Silva Rabelo e há oito anos reside na cidade de São José do Rio Preto, onde estuda e trabalha como professora interlocutora de Libras (Língua Brasileira de Sinais) pela Secretaria da Educação do Estado de São Paulo.
Ela também ministra aulas, cursos e profere palestras sobre Libras, Ensino de Surdos e Matemática para alunos surdos.