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04/10/2016

BRASILEIRA DE 16 ANOS IRÁ À GRÉCIA PELA 3ª VEZ PARA AJUDAR REFUGIADOS

Gabriela ajudava a receber os barcos com refugiados em Lesbos (Foto: Arquivo pessoal/Gabriela Shapazian)

A paulistana Gabriela Shapazian, de 16 anos, está terminando o ensino médio, mas decidiu que não vai fazer o Enem nem tentar vestibular por agora. Ela escolheu passar o próximo ano se dedicando a uma causa que se tornou sua prioridade na vida: a crise dos refugiados na Europa.



Gabriela já viajou duas vezes para ser voluntária na Grécia ajudando migrantes da Síria, do Afeganistão e de muitos outros lugares que chegam de barco às ilhas do país que é porta de entrada à Europa.

Da primeira vez, em dezembro de 2015, a garota foi com a mãe para Lesbos, a ilha grega que mais recebeu refugiados. Da segunda, em junho deste ano, voltou sozinha para o país que se tornou o epicentro da crise.

Com passagem comprada para a terceira viagem no próximo mês de novembro, ela planeja ficar 50 dias ajudando nos campos da Grécia. Depois, deve ir para Calais, na França, que é atualmente o maior campo de refugiados da Europa. A garota tem planos também de ir em 2017 para o Líbano, país vizinho à Síria que recebe muita gente fugindo da guerra todos os dias.

Gabriela despertou para esse assunto por causa de sua mãe, a jornalista Kety Shapazian, de 49 anos, que há muito tempo tinha interesse nas notícias sobre a Primavera Árabe e o Oriente Médio. “Eu sempre falei muito da Síria em casa. O que está acontecendo lá me enlouquece. No passado, quando a crise dos refugiados chegou àquilo que a gente viu, a Gabi falou: ‘Compra uma passagem e vai ajudar em vez de ficar reclamando’. A gente começou a arrecadar meias e sapatos, porque os refugiados precisam muito. Em uma semana ela estava tão envolvida que falou: ‘Preciso ir junto”, conta Kety.



Em Lesbos, as duas brasileiras faziam de tudo. Recebiam os barcos que acabavam de chegar, preparavam chá, sopa e centenas de sanduíches para distribuir, separavam roupas para doação, guiavam os recém-chegados até os campos, faziam atividades com as crianças.

A rotina era pesada. Gabriela acordava cedo, às vezes antes das 5h, para receber os primeiros barcos que chegavam. “Eu estava sempre dentro d’água, bem na linha de frente. Ajudava todo mundo a sair, principalmente mulheres, idosos, crianças”, diz. À noite, ela costumava ir para os campos ajudar na limpeza e na organização. “Eu não tinha horário para estar lá. Às vezes dava 10 horas da noite e eu estava fazendo sanduíches: eram 500, 800 de uma vez”, conta a adolescente.



As duas presenciaram cenas duras, como a morte de uma senhora por hipotermia e de uma criança que caiu na água. Apesar de tudo, ambas têm ótimas lembranças da experiência. Além dos vários amigos que fizeram, o contato com os refugiados foi marcante. “A gente estava rodeada de tragédia, mas também de pessoas que estavam muito felizes de estar vivas. Nunca vou esquecer todos os abraços, os beijos, os carinhos”, diz Kety.

Gabriela diz que hoje seus melhores amigos são os que conheceu nessa jornada. E também tem boas lembranças da hora da chegada dos barcos. “Eles fugiram da guerra, passaram por muita coisa e ainda passariam por mais. Aquele era o primeiro momento de felicidade que eles tinham em muito tempo. Muitos chegavam chorando. Depois que estavam quentinhos, alimentados e seguros, a felicidade era geral”, descreve.

A viagem, que deveria durar 15 dias, acabou se estendendo por 45. As duas só voltaram porque as aulas de Gabriela iriam recomeçar. “Ela não queria sair de lá de jeito nenhum. Nunca vi essa menina chorar tanto”, lembra a mãe.

Fonte: g1.globo.com

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