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13/01/2017
Salários atrasados, amontoado de dívidas, prédios públicos deteriorados, frota sucateada, água e luz cortadas. Cofres vazios. Num piscar de olhos, o sonho da posse se transformou em pesadelo para os novos prefeitos de cidades da região que se depararam com uma dura realidade após assumirem. “Não sei se me dou os parabéns ou os pêsames”, disse Vicente de Paula Massino (PSDB), em sua primeira entrevista após se tornar prefeito interino de São José da Bela vista.
Massino, que decretou estado de calamidade financeira por conta da situação encontrou o município, não é o único que sente na pele as dificuldades de administrar uma cidade em período de crise financeira. Pelo menos outros dois prefeitos disputam com ele o “título” de quem está em pior situação. “A Prefeitura está quebradíssima. Pedregulho está na UTI. Você não acha o fundo do buraco”, afirma Dirceu Pólo Filho (PSDB). “A água e luz foram cortadas de prédios públicos por falta de pagamento. A Santa Casa está em situação de calamidade. Não tem dinheiro para nada. Os salários dos médicos estão atrasados desde outubro. Tive que garantir meu nome para poder ter combustível. Dívidas do INSS foram parceladas pelo governo anterior sem autorização da Câmara”, completou. Uma de suas primeiras medidas foi suspender por 120 dias o concurso público que havia sido aberto pelo ex-prefeito.
Se a situação é crítica em Pedregulho, em Restinga, onde aconteceram oito mudanças no comando da Prefeitura na administração passada, o cenário é tão ruim quanto. Na solenidade de posse, o prefeito Amarildo Nascimento (PMDB) usou um projetor para mostrar dados sobre o estado de abandono do município. “A coisa é séria. Restinga está pedindo socorro. Se a gente não se unir e não der as mãos, a tendência é acabar Restinga. A frota de veículos da Saúde está danificada, a maioria dos prédios públicos está abandonada e temos muitas dívidas a pagar.”
A exemplo do ocorrido em São José da Bela Vista, Amarildo também foi obrigado a decretar estado de calamidade financeira. “Nos anos anteriores, Restinga trocou de prefeito várias vezes, o que trouxe desgaste político e financeiro para o município. Está difícil de tocar. Não temos receita à altura para honrar compromissos. A situação é caótica.”
Em Cristais Paulista, a prefeita Katiúscia Leonardo (PSD) se deparou com salários atrasados, falta de medicamentos e veículos sem uma gota de combustível. “Não poderei implantar muita coisa do plano de governo por conta dos problemas. Primeiro, precisamos organizar para, depois, começar a caminhar. Minha prioridade é regularizar os medicamentos que são fornecidos pelo município à população.”
Mauro Barcelos (PSDB), de Patrocínio Paulista, disse que os prefeitos estão sendo sacrificados por conta da queda na arrecadação. “A crise econômica afetou muito a receita dos municípios. Na minha cidade, o gasto com os funcionários é muito alto. Atingimos o limite prudencial da Lei de Responsabilidade Fiscal. Não precisava ter chegado a este ponto, como chegou na administração anterior. Sobra pouco recurso para fazer investimento. Temos que enxugar gastos e priorizar.”
O prefeito de Pedregulho, Dirceu Pólo Filho (PSDB), disse que a Prefeitura está `quebradíssima´
Fonte: gcn.net.br