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31/01/2017
Pessoas devem ficar atentas a chás “milagrosos”Com promessas milagrosas, bebidas na verdade podem proporcionar diversos danos à saúde
No período de férias e após feriados, receitas de chás com ervas e plantas prometem milagres para curar a ressaca, emagrecer, desintoxicar e até limpar os rins e fígado. Porém, apesar de comum, o uso de chás para “tratamentos” não é recomendável por médicos hepatologistas. É o que alerta a Secretaria Estadual da Saúde, que em comunicados enviados à imprensa, se mostrou preocupada com o crescimento do número de pes- soas que consomem chás desse tipo.
De acordo com a especialista em Gastroenterologia e Hepatologia e médica da equipe de transplante hepático do Hospital de Transplantes Euryclides de Jesus Zerbini, Carolina Pimentel, não há um limite seguro para o consumo de chás derivados de ervas e plantas ditas medicinais. “Ao contrário do que a população imagina, alguns tipos de chá podem provocar graves intoxicações ao fígado independentemente da quantidade consumida. Por esse motivo, é preciso ficar atento às limitações de cada pessoa e a erva utilizada”, explica.
Diversos relatos de pacientes sugerem problemas causados por chás comuns como o verde, cascara sagrada e cavalinha, até outros mais raros. “As ditas ‘receitas para a desintoxicação do fígado’, muito comuns depois de festas, férias e feriadões, por exemplo, podem causar dano ainda maior ao fígado. A má informação no consumo de chás pode levar a sérias complicações de saúde como inflamação e até perda do fígado, algumas vezes com necessidade de transplante”, observa a médica.
Esta intoxicação não é fácil de ser diagnosticada pois, na maior parte dos casos, não produzem sintomas. “Alguns dos sinais que podem servir de alerta é fraqueza e olhos amarelados. Por ser uma doença na maioria das vezes silenciosa, é fundamental o conhecimento e alerta da população. Apenas exames de sangue e uma avaliação médica são capazes de confirmar o diagnóstico”, diz a especialista.
Mas para que serve o chá de Hibisco?
A flor de hibisco tem diversos benefícios para a saúde, sendo útil para controlar desde os níveis de colesterol até regular a pressão arterial. Substâncias como enzimas e mucilagens presentes nesta planta facilitam a digestão, impedem que parte do carboidrato e da gordura dos alimentos sejam absorvidos e tem efeito anulador da ação do hormônio antidiurético presente nos rins.
Com grande quantidade de flavonoides e ácidos orgânicos, substâncias antioxidantes e anti-inflamatórias, o chá de hibisco estimula a queima de gordura corporal, previne a retenção de líquidos, facilita a digestão e regulariza o intestino, contribuindo para a perda de peso. Essas mesmas substâncias ajudam o corpo a se desfazer das toxinas, que são as grandes vilãs do emagrecimento.
Dois flavonoides são grandemente interessantes para quem deseja perder peso: a quercetina, que proporciona a ação diurética, e a antocianina, que evita o acúmulo de gordura. Isso só ocorre porque a bebida reduz a quantidade de células adiposas maduras sejam criadas, evitando o processo chamado de adipogênese. Essas mesmas substâncias também ajudam a aumentar o “colesterol bom” (HDL), e a diminuir o “colesterol ruim” (LDL).
Mal-estar
Com esse chá, muitas pessoas podem experimentar outros males como tontura, enjoo, escurecimento da visão, sensação de fraqueza e até desmaios. “Por ter ação diurética, o consumo em excesso pode fazer com que a pessoa elimine muito eletrólitos, nutrientes essenciais para o funcionamento do organismo composto principalmente por cálcio, potássio, sódio e magnésio. Logo a falta dessas substâncias pode levar à desidratação”, completa a Dra. Carolina Borges
Como qualquer outro alimento, a pessoa deve ficar atenta se sentir qualquer mal-estar ou alterações no corpo com o consumo do chá – e procurar um profissional para orientá-la.
Pressão Arterial
O chá de hibisco ainda diminui a pressão arterial e melhora a circulação sanguínea, devido à presença de vitamina C. Outras vitaminas também estão fortemente presentes, como a vitamina B1 (tiamina), responsável por auxiliar o metabolismo do oxigênio e da glicose, que funcionam como “combustíveis” para as células, tendo principal ação nas células formadoras do sistema nervoso, os neurônios; e a vitamina B2 (riboflavina), que ajuda a manter pele, ossos e cabelo saudáveis.
Conseguir estes benefícios depende, porém, da receita de como fazer chá de hibisco, dado que o preparo incorreto pode prejudicar os efeitos terapêuticos da bebida.
Chá de hibisco requer moderação pois traz riscos
A bebida feita a partir do cálice da flor de hibisco figura entre as favoritas para quem procura perder peso. E não é à toa: sua ação antioxidante é a principal responsável pela diminuição do acúmulo de gordura no corpo. “Uma pesquisa publicada no Journal of Ethnopharmacology da Sociedade Internacional de Etnofarmacologia concluiu que o chá de hibisco é capaz de reduzir a adipogênese, que é o processo de maturação celular no qual as células pré-adipócitas se convertem em adipócitos maduros capazes de acumular gordura corporal.
Por isso, ao diminuir esse processo, o chá contribui para que se acumule menos na região do abdômen e nos quadris”, explica a Dra. Carolina Mantelli Borges, endocrinologista e metabologista da clínica de especialidades Integrada. Além disso, o hibisco é rico em nutrientes, como cálcio, magnésio, potássio e fósforo, é levemente adocicado e dispensa o uso de adoçantes ou açúcar e tem ação diurética.
“O cálice da flor utilizado para elaborar o chá é rico em vitamina B2, que auxilia na saúde da pele, ossos e cabelos e a vitamina B1, que juntas ajudam o nosso corpo na captação de energia nas células, principalmente ao auxiliar no metabolismo do oxigênio e da glicose, as principais fontes de combustível celular”, explica a médica.
Riscos
Porém o consumo do chá de hibisco requer atenção, principalmente para quem tem problemas de pressão e também para mulheres em idade fértil. “Como qualquer outra planta, o hibisco em chá pode causar toxicidade se for consumido em doses excessivas, pois tudo o que ingerimos precisa ser metabolizado e eliminado pelo fígado e rins”, alerta Carolina.
O limite de ingestão diária não é ainda um consenso entre os especialistas, que varia de 200 ml até de três a quatro xícaras (chá) meia hora antes das principais refeições. Para cada caso a quantidade é específica, mas o excesso (como quase tudo na vida) pode sim trazer problemas para a saúde.
Existem estudos que mostram que o hibisco tem componentes que interferem nos níveis de estrogênio alterando-os, sugerindo até mesmo seu uso como anticoncepcional.
“Para as mulheres que sofrem com a TPM e outras condições do sistema endócrino, o chá de hibisco pode causar piora e até dificuldade para engravidar, ao interferir no processo de ovulação. Por este motivo, também deve ser evitado no período de gravidez”, ressalta.
Limitar Consumo
A orientação da médica é limitar o consumo a um copo de 200 ml de chá por dia, preparados com quatro ou seis gramas da flor seca (uma colher de chá) – igual a dois ou três sachês. “Mesmo assim homens e mulheres precisam ter cuidado antes de inseri-lo no cardápio, pois seu consumo regular pode alterar os níveis hormonais no organismo e trazer complicações”, destaca.
Já gestantes e lactantes devem evitar a bebida, que apresentou ação mutagênica em alguns estudos, ou seja, significa que pode interferir na estrutura dos genes do bebê.
Pressão baixa x pressão alta
Existem estudos que afirmam o benefício do consumo do chá de hibisco em pacientes que têm pressão alta, principalmente por ter uma ação diurética que ajuda a eliminar alguns eletrólitos que são responsáveis pela alteração, como magnésio, cálcio, potássio e sódio. Sendo assim, quem já tem problemas de pressão arterial baixa podem sofrer ainda mais com a hipotensão.
Já quem tem hipertensão e toma medicamentos para a doença também deve evitar o consumo: o remédio ajuda a baixar a pressão, bem como o chá, resultando em uma redução maior do que a necessária, potencializada pelo efeito diurético.