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07/02/2017
Fundação Hemocentro de Ribeirão Preto está com estoque de sangue 40% abaixo do necessário
Com estoque de sangue 40% abaixo do necessário, a Fundação Hemocentro de Ribeirão Preto, que atende um terço dos hospitais no Estado de São Paulo, inclusive de Ituverava, está em alerta. Em um período de poucas doações, devido às férias e à proximidade do carnaval, as nove unidades de coleta recebem 30 bolsas por dia, quando deveriam obter pelo menos 50.
A biomédica do hemocentro Mirian Castanheira afirma que os dados apontam uma tendência de queda na adesão de voluntários, sobretudo nos últimos três anos. Em 2015, quando foi feito o último balanço de doações, foram contabilizadas 93.077 bolsas, menor número em oito anos. A expectativa é de que o resultado alcançado em 2016, ainda não fechado, não supere o ano anterior.
“Por mais que a gente lute para que a cultura do cidadão mude, parece que menos ele se conscientiza da importância de doar. É preciso mudar o comportamento, o conceito das pessoas, para que entendam que sangue não se fabrica”, afirma Mirian Castanheira, biomédica do Hemocentro.
Captações em Baixa
Com uma média de 7,7 mil doações por mês, a Fundação Hemocentro de Ribeirão atende 120 hospitais em 220 municípios. O sangue coletado em suas nove unidades - duas em Ribeirão e mais sete no interior, em cidades como Fernandópolis, Franca e Presidente Prudente - não é destinado apenas à rede pública, mas também a hospitais particulares, quando necessário.
“O Hemocentro de Ribeirão Preto é um centro regional e distribuidor de sangue para 33% do Estado de São Paulo. Nós abastecemos todos os hospitais que precisarem, inclusive bancos de sangue particulares”, diz Mirian.
De acordo com a fundação, as nove unidades coletam, em média, 30 bolsas de sangue por dia, quando o ideal seria obter entre 50 e 70 doações diárias.
Segundo o hemocentro, em 2015 o hemocentro registrou seu pior índice de coleta em oito anos, com 93.077 bolsas. Em 2007, pior resultado até então, a coleta tinha sido de 93.023.
“Quando falamos em saúde, não existem dados matemáticos precisos. Ao ver a queda em números, realmente não parece muito, mas, isso porque está sendo analisada a doação e não a demanda. Não existe um dado de quanto os hospitais demandaram nesses anos analisados por causa da quantidade de hospitais que atendemos”, esclarece.
Instituição enxerga mudança de comportamento na população
Segundo a biomédica do hemocentro Mirian Castanheira, o número de doações no Brasil nunca foi constante e nunca fez parte da cultura do brasileiro por não ter havido uma política de educação voltada para o assunto. Para a biomédica, a queda nas coletas representa o imediatismo e falta de empatia das gerações mais recentes.
"Não é porque o brasileiro é ruim ou egoísta. Na verdade, ele é muito bom, mas não tem essa cultura, essa educação. Ele não consegue entender a importância de se doar até que alguém da família passe apuros. Não existe sangue sintético, apenas único e exclusivamente do ser humano para salvar outro. Se houvesse uma forma de doar sangue pelo mouse, nós teríamos um estoque muito maior", critica.
Mirian ressalta que essas captações caem ainda mais no período de férias e feriados, quando a população viaja. Para lutar contra isso, o Hemocentro realiza campanhas durante todo o ano com frases de efeito justamente para tentar chocar a população. A campanha das férias deste ano recebeu o slogan “Não dê férias à solidariedade".
As campanhas, segundo ela, mobilizam muitas pessoas em um determinado período, mas os mesmos doadores não retornam depois do prazo estipulado para novas coletas e o estado de alerta se mantém.
“Depois de um tempo, abandonam e deixam de doar, mas, dali cinco dias eu vou precisar de plaquetas novamente. Plaquetas só duram cinco dias, hemácias só duram um mês. Ou seja, não adianta lotar de gente aqui em um pequeno período e achar que o hemocentro terá sangue para o resto da vida, porque esse sangue precisa ser renovado”, explica.
A aproximação do carnaval já preocupa a organização do Hemocentro. Segundo Mirian, a equipe de marketing da fundação já se organiza para enviar aos setores de relações humanas das empresas para convidar os funcionários a doar. Em março, a frase de efeito será “Comece o carnaval fazendo a alegria de alguém: doe sangue”.
Doadores
Podem doar pessoas desde os 16 anos - acompanhadas dos responsáveis - até os 70 anos que pesem no mínimo 50kg (homens) e 51kg (mulheres) e estejam em boas condições de saúde. Não é preciso agendamento prévio, mas o voluntário deve portar documento com foto.
Ituverava
De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, ainda não há data prevista, mas será realizada uma coleta em prol do Hemocentro de Ribeirão Preto. No ano passado, foram coletadas 174 bolsas, sendo que cada uma é responsável por salvar até três vidas.
Na ocasião, o Hemocentro entregou certificados a todos os participantes e, de acordo com o órgão, Ituverava tem sido o recordista da região em ações deste porte.