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06/03/2017

EDIÇÃO - 3220 - CLUBES SERÃO OBRIGADOS A TER EQUIPES FEMININAS EM 2018

América, atualmente o único de Minas Gerais com um departamento profissional da categoria

Investir no futebol feminino passa a ser uma obrigação dos times que disputam a Série A do Campeonato Brasileiro

A empolgação tem ciclos e intervalos regulares. A cada quatro anos, com a realização dos Copa do Mundo e Jogos Olímpicos, torcida, imprensa e patrocinadores emocionam-se com o desempenho da seleção feminina de futebol. Então, ouve-se de tudo: “Com mais estrutura, essas meninas poderiam render muito mais” ou “são heroínas, imagina o que não seria se recebessem o mesmo tratamento dos homens”.

A partir de frases como essas e de suas variações, o movimento seguinte é conhecido. Políticos e dirigentes prometem que desta vez será diferente. Que desta vez o futebol feminino receberá o devido apoio. Que desta vez a coisa vai. Mas a coisa não vai.

O futebol feminino, no entanto, é construído por personagens, acima de tudo, otimistas. E aqui estão elas, em 2017, menos de um ano após os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, mais otimistas do que nunca. Desta vez, porém, a esperança reside menos em promessas e mais em atitudes.

A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) divulgou uma série de orientações que os clubes brasileiros terão de seguir para participar das competições nacionais e internacionais a partir de 2018. Segundo a entidade, as novas regras foram instituídas a partir da necessidade de existência de um sistema nacional eficiente para incentivar o desenvolvimento estrutural e a adoção de melhores práticas de gestão, transparência e equilíbrio financeiro pelos clubes.

Equipe Feminina
Dentre as regras determinadas estão a criação e manutenção de uma equipe feminina “ou manter acordo de parceria ou associação com um clube que mantenha uma equipe feminina principal estruturada, da melhor forma que puder desenvolver o esporte”, além de um programa de desenvolvimento das categorias de base, com faixa etária de 15 a 21 anos e descrição dos objetivos e da filosofia adotados.

O documento não garante a profissionalização das jogadoras, mas obriga o fornecimento de suporte técnico, equipamentos, campo para treino e calendário de partidas e competições oficiais. Os clubes também terão de ter diretores geral (como CEO), financeiro, administrativo, comunicação e marketing além de ouvidor e oficial de segurança.

Outras determinações


Todos os diretores - além do responsável pela segurança - deverão ser remunerados, porém, determinação que não é exigida para o futebol feminino. A confederação também cobra que os clubes entreguem demonstrativos financeiras "completas, anuais e auditadas" com balanço patrimonial, demonstração do déficit ou superávit do exercício, demonstração dos resultados abrangentes, demonstração das mutações do patrimônio líquido, fluxo de caixa e notas explicativas.

Por fim, fica definido que os times deverão ter técnicos “com formação e habilitação compatíveis e certificação da CBF, como, por exemplo, a Licença A”. Segundo o regulamento, as mudanças são gradativas.

Para os times da Série A do Brasileiro, a adoção das novas regras entra em vigor já em 2018; na Série B, estará valendo a partir de 2019; na terceira divisão, em 2020; e na quarta e última escala nacional, em 2021.

Punição
O clube que descumprir a regulamentação sofrerá sanções, que vão desde uma simples advertência para retenção de quaisquer cotas, premiações ou créditos, vedação de registro ou transferência de atletas até a denegação ou revogação da licença.

Atualmente, dos 20 clubes da Série A apenas sete possuem equipes femininas: Corinthians, Flamengo, Santos, Ponte Preta, Vitória, Grêmio e Sport. Dos três grandes de Minas Gerais, apenas o América já atende à exigência.

Atleta de Ituverava comemora iniciativa tomada pela CBF
As mulheres possuem um trabalho marcante no esporte em Ituverava. E muito disso se deve à enfermeira Rose Baltazar, que com muito idealismo tem coordenado equipes de vôlei e futsal no município há mais de uma década.

Os resultados vieram de diversas formas. Foram títulos, atletas consideradas destaques em competições, entre outras conquistas. Porém, a principal, sem dúvida, é o incentivo à prática esportiva e a prova de que as mulheres devem, sim, ter o mesmo espaço que os homens em qualquer situação.

Em entrevista à Tribuna de Ituverava, Rose comemora a iniciativa da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). “Concordo com a medida e acredito que contribuirá muito para elevar o futebol feminino. As atenções sempre estiveram voltadas ao futebol masculino, porém o feminino sempre mereceu destaque, e essa medida valorizará e divulgará o que as mulheres fazem em campo”, completa a enfermeira e atleta, Rose Baltazar.

Enquete
Para saber o que a população pensa a respeito da decisão da CBF, a Tribuna de Ituverava foi às ruas nesta semana.

Confira as respostas:

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