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14/03/2017

DIA INTERNACIONAL DA MULHER FOI COMEMORADO QUARTA-FEIRA

Dia 8 de março, foi comemorado o dia Internacional da Mulher

Foi comemorado na última quarta-feira, 8 de março, o Dia Internacional da Mulher. Neste ano, a data foi marcada de diversas formas no mundo todo. Houve apresentações artísticas, homenagens e palestras, mas também protestos, passeatas e até mesmo paralisações trabalhistas.

Os motivos para as manifestações são muitos. A cada duas horas, uma mulher é morta no Brasil; a violência contra mulher representou 14% dos casos atendidos pela Polícia Militar no carnaval deste ano; e o Brasil está em quinto lugar no ranking de maior taxa de feminicídios no mundo. Além disso, ainda são poucas as mulheres em cargos de liderança em empresas ou em cargos políticos.

É claro que a situação tem melhorado nos últimos anos, mesmo que a passos pequenos, mas a realidade se mantém longe do ideal. O Brasil teve a sua primeira presidente da República, a ministra do STF, Cármen Lúcia e o número de universitárias tem crescido, bem como o de mulheres em cargos de liderança em empresas.

Primeira prefeita de Ituverava
A Tribuna de Ituverava ouviu o depoimento da primeira prefeita da história de Ituverava, Adriana Quireza Jacob Lima Machado, das vereadoras Ana Paula Yanosteac Mário e Andréa Fonseca Yamada Scotte e da empresária Fabiana Andrade de Branco.

Pela importância na mulher como é fundamental reconhecer a importância desta data, porque a figura da mulher, antes de elemento secundário, passou a ser extremamente importante na sociedade atual, onde ela exerce cada vez mais um papel de protagonista, embora ainda sofra com as heranças históricas do sistema social patriarcalista em seu dia a dia.

Com o tempo, graças às lutas, a mulher vem conseguindo ampliar seu espaço nas estruturas sociais, abandonando a figura de mera dona de casa e assumindo postos de trabalho e cargos importantes em empresas e estruturas hierárquicas.

“Sempre digo que não é de hoje que as mulheres vêm conquistando o seu espaço. Essa data é importante por isso, para representar as conquistas, assim como a independência adquirida, ao longo dos anos. Parabenizo todas as mulheres ituveravenses pelo Dia Internacional das Mulheres e que todas comemorem essa data como uma representação das inúmeras vitórias alcançadas por nós”, afirma a prefeita Adriana Quireza Jacob Lima Machado.

Vereadoras
A vereadora Ana Paula Yanosteac Mário fala sobre a data. “Historicamente essa data foi oficialmente instituída em 1975, após o decreto da ONU como ano Internacional da mulher. A data é em comemoração às conquistas por nós conseguidas, porém, na minha opinião, é necessário intensificar o esforço para diminuir, e quem sabe, um dia terminar com o preconceito e a desvalorização da mulher. Mesmo com todos os avanços ainda sofremos com discriminação nos salários, desvantagens na carreira profissional, violência masculina, dentre outros. Muito já se conseguiu, porém precisamos encarar de frente para avançarmos”.

Segundo a vereadora Andréa Fonseca Yamada Scotte a luta das mulheres por maior igualdade deve continuar. “Apesar de maior presença no mercado de trabalho, ainda há muita desigualdade no que se refere ao sexo oposto. Para mim, é um dia para lembrar que nossa luta por direitos, deveres e oportunidades iguais não deve parar. E que todo o respeito e a admiração que recebemos hoje, sejam realidade em todos os outros dias do ano”, ressalta a vereadora.

Origem da data
As histórias que remetem à criação do Dia Internacional da Mulher alimentam o imaginário de que a data teria surgido a partir de um incêndio em uma fábrica têxtil de Nova Iorque em 1911, quando cerca de 130 operárias morreram carbonizadas. Sem dúvida, o incidente ocorrido em 25 de março daquele ano marcou a trajetória das lutas feministas ao longo do século 20, mas os eventos que levaram à criação da data são bem anteriores a este acontecimento.

Desde o final do século 19, organizações femininas oriundas de movimentos operários protestavam em vários países da Europa e nos Estados Unidos. As jornadas de trabalho de aproximadamente 15 horas diárias e os salários medíocres introduzidos pela Revolução Industrial levaram as mulheres a greves para reivindicar melhores condições de trabalho e o fim do trabalho infantil, comum nas fábricas durante o período.

Dia Nacional da Mulher
O primeiro Dia Nacional da Mulher foi celebrado em maio de 1908 nos Estados Unidos, quando cerca de 1500 mulheres aderiram a uma manifestação em prol da igualdade econômica e política no país. No ano seguinte, o Partido Socialista dos EUA oficializou a data como sendo 28 de fevereiro, com um protesto que reuniu mais de 3 mil pessoas no centro de Nova Iorque e culminou, em novembro de 1909, em uma longa greve têxtil que fechou quase 500 fábricas americanas.

Em 1910, durante a II Conferência Internacional de Mulheres Socialistas na Dinamarca, uma resolução para a criação de uma data anual para a celebração dos direitos da mulher foi aprovada por mais de cem representantes de 17 países. O objetivo era honrar as lutas femininas e, assim, obter suporte para instituir o sufrágio universal em diversas nações.

Com a Primeira Guerra Mundial (1914-1918) eclodiram ainda mais protestos em todo o mundo. Mas foi em 8 de março de 1917 (23 de fevereiro no calendário Juliano, adotado pela Rússia até então), quando aproximadamente 90 mil operárias manifestaram-se contra o Czar Nicolau II, as más condições de trabalho, a fome e a participação russa na guerra - em um protesto conhecido como "Pão e Paz" - que a data se consagrou, embora tenha sido oficializada como Dia Internacional da Mulher, apenas em 1921.

Direitos da mulher no Brasil
No Brasil, as movimentações em prol dos direitos da mulher surgiram em meio aos grupos anarquistas do início do século 20, que buscavam, assim como nos demais países, melhores condições de trabalho e qualidade de vida. A luta feminina ganhou força com o movimento das sufragistas, nas décadas de 1920 e 30, que conseguiram o direito ao voto em 1932, na Constituição promulgada por Getúlio Vargas.

A partir dos anos 1970 emergiram no país organizações que passaram a incluir na pauta das discussões a igualdade entre os gêneros, a sexualidade e a saúde da mulher. Em 1982, o feminismo passou a manter um diálogo importante com o Estado, com a criação do Conselho Estadual da Condição Feminina em São Paulo, e em 1985, com o aparecimento da primeira Delegacia Especializada da Mulher.

Reconhecimento da ONU
Somente mais de 20 anos depois, em 1945,a Organização das Nações Unidas (ONU) assinou o primeiro acordo internacional que afirmava princípios de igualdade entre homens e mulheres.

Nos anos 1960, o movimento feminista ganhou corpo, em 1975 comemorou-se oficialmente o Ano Internacional da Mulher e em 1977 o “8 de março” foi reconhecido oficialmente pelas Nações Unidas.

“O 8 de março deve ser visto como momento de mobilização para a conquista de direitos e para discutir as discriminações e violências morais, físicas e sexuais ainda sofridas pelas mulheres, impedindo que retrocessos ameacem o que já foi alcançado em diversos países”, explica a professora Maria Célia Orlato Selem, mestre em Estudos Feministas pela Universidade de Brasília e doutoranda em História Cultural pela Universidade de Campinas (Unicamp).

Igualdade X Equidade
O sexo biológico é determinado por características genéticas e anatômicas, já o gênero é uma identidade que se refere aos papéis e relacionamentos construídos pela sociedade para todos os sexos que vão muito além do masculino e feminino, hoje há de se considerar dignamente o outros.

Diante disso, percebe-se que o gênero é uma identidade que pode mudar ao longo do tempo, bem como apresentar grandes variações dependendo da cultura e condições apresentadas nos diferentes pontos do mundo.

Igualdade de gênero segundo as Nações Unidas é um termo que descreve que todos os seres humanos, mulheres, homens ou outros, são livres para desenvolver suas capacidades pessoais e fazer suas escolhas. Não significa que mulheres, homens ou outros devem ser idênticos, até porque de fato não o são, mas que seus direitos, responsabilidades e oportunidades não dependem do fato de terem nascido assim ou assado.

Já a equidade é uma das virtudes definidas por Aristóteles como a mais próxima da justiça em sua obra Ética a Nicômaco.

Variáveis
Partindo do pressuposto de que homens, mulheres e outros não são de fato iguais, trata-los com equidade é compreender que existem diversas variáveis, tais como classe, etnia, idade, anatomia, características genéticas, dentre outras, e que só se pode buscar a igualdade plena levando tudo isso em consideração.

Mas calma! Estamos em pleno mês de celebração do Dia Internacional das Mulheres e porque tratar de gêneros? Afinal me pediram apenas um depoimento sobre o que penso desta comemoração e sobre as lutas das mulheres ao longo dos anos na busca por seus espaços.

Discutir sobre os diversos gêneros, sobre igualdade e equidade é fundamental para entender que antes de sermos mulheres somos sim seres humanos, e nesta condição teoricamente deveríamos ter direitos assegurados.

Enganam-se aqueles que pensam que as mulheres que hoje ocupam cargos de liderança no mercado de trabalho querem provar seu poder e fortaleza a todo custo, muitas delas deixam claro que adorariam ser tratadas como meras “mulherzinhas”, amam receber carinhos, amam ser paparicadas, amam ter um companheiro para abrir o pote de azeitona. Isso nada tem a ver com direitos, isso tem a ver com respeito e amor.

Estas mesmas mulheres, acreditem, são capazes de pensar, estudar, amar, comandar suas famílias, tomar decisões de compra, liderar, produzir, cumprir e superar metas, curar doentes, ultrapassar obstáculos, rezar, sorrir, chorar, amar, odiar, ufa.... capazes de tudo! Acreditem!

Desigualdade
O problema é abrir os jornais e nos deparar com a manchete: “Igualdade entre homens e mulheres ainda é um desafio para 76% das empresas do país”, pois pesquisas comprovam que mulheres possuem 30% menos chance de promoção do que os homens nas empresas, em média as mulheres possuem salários 20% mais baixos do que os homens em mesmas condições de cargo, 86% dos entrevistados em uma pesquisa da Amcham (Câmara Americana de Comércio) declaram que o maior problema encontrado na carreira das mulheres ainda é a maternidade.

Há 14 anos gerencio o Departamento de Recursos Humanos do Grupo Santa Maria e este tem sido um dos meus maiores desafios, lembro-me que quando entrei para o RH nosso quadro era comporto por 90% de homens e apenas 10% de mulheres. Hoje me orgulho dos números, são 46% de mulheres, 52% homens e 2% outros. Mas infelizmente ainda não está como deveria, luto constantemente, entendo que precisamos urgentemente aumentar o número de mulheres em cargos de liderança.

Equidade
Por isso, defendo a equidade de gênero, sei que dessa forma seremos mais fortes, pois a diversidade de opiniões, diversidade de pensamentos e estratégias nos fará mais competitivos, mais humanos e sustentáveis enquanto empresa.

Tenho sorte, pois muito da minha formação e ideologia são frutos das mulheres e homens maravilhosos que permearam minha vida, como meus pais, avós e hoje meu marido, e quando encontro machistas de plantão recorro ao maravilhoso trecho de “Uma aprendizagem ou O Livro dos Prazeres” de Clarice Lispector: “O maior obstáculo para eu ir adiante: eu mesma. Tenho sido a maior dificuldade no meu caminho. É com enorme esforço que consigo me sobrepor a mim mesma”.

Fabiana Andrade de Branco. (Departamento de Recursos Humanos do Grupo Santa Maria)



Fabiana Andrade de Branco

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