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06/04/2017
Uma greve geral paralisou o sistema de transporte da Argentina nesta quinta-feira (6). Trens, metrôs e ônibus não circulavam nesta manhã e piquetes foram registrados nas estradas que dão acesso às províncias, segundo o jornal “La Nacion”. Essa é a primeira paralização enfrentada pelo presidente Mauricio Macri, desde que assumiu há 16 meses.
Organizações sociais e grupos de esquerda prometem fechar os acessos a Buenos Aires e realizar diversas passeatas até o centro da cidade.
O tráfego de veículos começou a diminuir a partir da meia-noite (hora local), na Grande Buenos Aires, com relação aos dias normais de trabalho. Praticamente somente os táxis estão circulando pelas ruas da capital argentina.
Para incentivar os trabalhadores a comparecerem em seus postos de trabalho em seus próprios veículos, o governo de Buenos Aires decretou a gratuidade dos pedágios das estradas e dos estacionamentos públicos durante o dia de greve, de acordo com a France Presse.
A companhia aérea Aerolíneas Argentinas cancelou seus voos nacionais e internacionais, que sairiam dos aeroportos de Ezeiza e Aeroparque, por conta da greve, que foi aderida pela Associação do Pessoal Técnico Aeronáutico (APTA) e a Associação do Pessoal Aeronáutico (APA). A greve deve paralisar também bancos e escolas.
O tráfego de caminhões que circulam à noite pelas avenidas Huergo e Madeiro, que ligam os principais setores portuários de Buenos Aires, também caiu. Há previsão de bloqueios nas rodovias Buenos Aires-La Plata, Panamericana e 197, acesso Oeste (na altura Hospital Posadas), Camino Negro, Constituyentes e General Paz, de acordo com informações da agência Télam.
A paralisação de 24 horas coincide com a celebração, em Buenos Aires, do primeiro Fórum Econômico Mundial dedicado à América Latina (WEF AmLat), que reúne políticos, banqueiros e empresários no bairro de Puerto Madero, sob severas medidas de segurança.
Crise econômica
A Argentina, cuja economia recuou 2,3% no primeiro ano do governo Macri, experimentou em janeiro uma leve recuperação, mas a pobreza já atinge 32,9% da população e a produção industrial segue há 13 meses em queda.
A inflação, que segundo analistas chegou a 40% em 2016, evaporou o poder aquisitivo e o consumo interno segue caindo há 13 meses.
Estimativas situam a inflação para 2017 em 21%, enquanto o governo insiste que será de 17% e busca impor seu índice aos reajustes salariais, enquanto os sindicatos exigem uma recomposição em negociações livres com as empresas.
‘Dimensão política’
O ministro do Sistema Federal de Meios Públicos, Hernán Lombardi, disse em entrevista para a emissora "TN", uma hora após a greve entrar em vigor, que o ato tem uma "dimensão política" patrocinada pela oposição, pois eles começam a vislumbrar uma melhora na situação socioeconômica do país.
Lombardi denunciou a existência de "lideranças ocultas" que estão planejando uma "interrupção abrupta" do governo de Mauricio Macri.
"Acredito que as paralisações são uma antiga ferramenta, agora com um governo aberto ao diálogo", disse a vice-presidente, Gabriela Michetti, ao canal de notícias "TN", minutos após o início da greve. "É uma medida extrema que custa bilhões de dólares ao país", lamentou.
Fonte: g1.globo.com