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13/04/2017
O acusado de provocar uma colisão entre uma moto e uma caminhonete que terminou com a morte de um mototaxista de 22 anos em 2 de maio de 2015, em Ribeirão Preto (SP), assumiu, antes da primeira audiência do caso nesta quarta-feira (12), que havia ingerido bebida alcoólica no dia do acidente.
Lucas Soares Gomes morreu após ser atropelado e arrastado com sua moto por aproximadamente 50 metros pelo veículo do administrador de empresas João Henrique Garcia da Silva, de 27 anos, na Avenida Patriarca, zona oeste da cidade.
Imagens registraram o acidente. O acidente ocorreu por volta das 3h, quando o mototaxista levava um cliente para casa, que sobreviveu à colisão.
Segundo informações da Polícia Militar, Garcia da Silva estava embriagado quando bateu na moto e arrastou Gomes.
O motorista da caminhonete foi contido por populares até a chegada da polícia, quando foi preso em flagrante e confessou que dirigia embriagado e havia usado drogas. O barman Cleiton Rodrigo da Silva, de 33 anos, que estava na garupa da moto sofreu ferimentos graves e ficou internado por dois dias em um hospital em Ribeirão Preto até se recuperar.
Primeira audiência
Três testemunhas de acusação foram ouvidas na quarta-feira. Prestaram depoimentos dois policiais que atenderam a ocorrência, além do barman que estava na garupa da moto arrastada.
“Psicologicamente não estou recuperado. Sempre que olho para as cicatrizes me lembro. Pode passar um ano, dois anos, você olha e lembra. Quero que ele seja condenado, que pague pelo que fez. Não estávamos correndo, estávamos a 40 km/h, viemos conversando, batendo papo e do nada sentimos a pancada na traseira da moto”, explica o barman.
Ao chegar para participar da audiência acompanhado de seu advogado, João Henrique evitou falar com a imprensa, mas respondeu aos jornalistas quando perguntado se ele havia ingerido bebida alcoólica no dia do acidente em 2015. “Eu tinha tomado álcool sim”, declarou.
A mãe da vítima fatal esteve na frente do prédio do Ministério Público, onde a audiência ocorreu. Acompanhada de outros familiares de Lucas, ela permaneceu no local até o fim das atividades e levou faixas e camisas com a foto de seu filho. Élida Soares da Rocha Gomes pediu justiça e disse que os irmãos do mototaxista sentem saudades do rapaz.
“O coração está super apertado, dolorido, parece que está faltando um pedaço. A expectativa é para o começo de, vamos dizer assim, uma justiça. O meu filho está fazendo muita falta e por mais que a justiça seja feita jamais vai suprir a necessidade dele estar aqui do nosso lado. Estou sentindo muita falta dele, choro todos os dias”, afirma.
Depois do término da audiência, o barman, que ainda não havia se encontrado com o acusado de causar o acidente, disse que quase se descontrolou ao vê-lo pela primeira vez, mas acredita que a justiça será feita.
“Espero que ele seja preso e fique lá por um bom tempo pagando pelo que ele fez. Uma pessoa tipo ele não tem conserto, cara que bebe, usa drogas, pega carro e sai transtornado que nem louco, provoca acidentes. Uma pessoa dessas tem conserto? Não sei se tem. Agora é entregar na mão de Deus. Só Ele vai dizer se tem ou não tem”, finaliza o barman.
O advogado de acusação afirma que não tem dúvidas que João Henrique será condenado, mas diz que ainda é necessário definir como será o julgamento do acusado. José Carlos Marsico diz que as provas reunidas com o fato de que o homem estava embriagado no dia do acidente devem colaborar para que ele seja levado a júri popular.
“Condenado é certeza que ele vai ser. A questão processual é se ele vai ao tribunal do júri ou se vai responder eventualmente por uma desclassificação do crime de homicídio culposo. Atualmente, o processo indica que ele irá a júri popular”, conclui.
Esta foi a primeira vez que os envolvidos prestaram depoimento à Justiça e outras audiências poderão ser marcadas. O Ministério Público também já expressou o desejo de que o caso seja levado a júri popular.
Fonte: g1.globo.com