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16/04/2017
Pacote de reformas substitui sistema parlamentarista por presidencial. Com aprovação, Erdogan pode permanecer à frente do Estado até 2029.
O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, declarou vitória do "Sim" em referendo realizado neste domingo (16) no país. O partido de oposição CHP disse que vai pedir a recontagem de 37% dos votos. Já o líder do também oposicionista MHP afirmou que o resultado deve ser respeitado.
Aos 99,98% da apuração, o "Sim" aparece com 51,21% dos votos e o "Não" com 48,79%, segundo a agência estatal Anadolu.
O resultado determina mudanças no sistema político do país, que passa do parlamentarismo para o presidencialismo, e em suas relações com a União Europeia. Cerca de 55 milhões de turcos foram às urnas.
O triunfo da reforma, a ser aplicada a partir de 2019, abre o caminho para que Erdogan possa governar até 2029. Na prática, o projeto dá mais poderes ao presidente de 63 anos, que foi eleito em agosto de 2014, depois de passar 12 anos no cargo de primeiro-ministro.
Os últimos colégios eleitorais do referendo na Turquia fecharam às 11h (horário de Brasília), enquanto os localizados nas regiões orientais do país fecharam suas portas uma hora antes. As pesquisas davam possibilidades de vitória tanto ao "sim" como ao "não".
Oposição denunciou irregularidades
Entre as irregularidades denunciadas pela oposição destaca-se a escassez de cédulas de voto em algumas localidades do sudeste e a falta de cabines para manter o voto secreto em outras.
Em vários colégios eleitorais, os selos que eram entregues para estampar a parte branca (Sim) ou marrom (Não) da cédula, não marcavam a palavra "Escolho", como é previsto, mas a palavra "Sim", o que gerou certa confusão.
A Alta Comissão Eleitoral mudou estes selos durante a votação, mas anunciou que os votos já emitidos nesses colégios serão também válidos.
Erdogan disse neste domingo em Istambul que o referendo, que definiu como um dos mais importantes da história do país, servirá para acelerar o desenvolvimento da Turquia.
A própria declaração foi uma inovação, já que normalmente, os políticos não fazem declarações a favor de nenhuma opção durante a jornada eleitoral, como marca a lei.
Os partidários da reforma sustentam que ela daria estabilidade ao país e melhoraria o crescimento econômico e a segurança, enquanto a oposição teme que Turquia se converta em um poder absoluto devido aos enormes poderes que serão atribuídos ao presidente.
Tiroteio
Em todo o país, 380 mil policiais trabalharam para garantir a segurança no referendo. No sudeste do país, na província de Diarbaquir, um tiroteio entre membros de uma família perto de um colégio eleitoral acabou com três mortos e vários feridos, segundo a emissora "NTV".
Parte da imprensa turca citou brigas em família, enquanto outra parte comentou que se tratava de uma disputa política.
Jornalista agredido
Em Istambul, um grupo de cerca de 30 pessoas agrediu o conhecido jornalista Ali Bayramoglu, que foi durante anos próximo ao governante Partido Justiça e Desenvolvimento (AKP), mas explicou recentemente na imprensa pró-governamental que votaria "não" no referendo.
Fonte: g1.globo.com