Nossa Capa


Publicidade





ESPORTE

Voltar | imprimir

30/04/2017

40 ANOS DEPOIS TIMÃO ENCARA A PONTE EM FINAL DE PAULISTÃO

E se Basílio não tivesse feito aquele gol? Quem seria campeão? Rui Rei jogou vendido? A decisão tem o recorde de público do Morumbi?

Corinthians trata o Campeonato Paulista de 1977 como uma das maiores conquistas de sua história. A Ponte Preta, como uma das suas grandes decepções em 116 anos de vida. Perto de um reencontro histórico neste domingo, às 16h, em Campinas, a grande final de 40 anos atrás voltou à tona.

Por que o título de 1977 é tão importante na história do Corinthians?

Porque encerrou um período de quase 23 anos sem títulos importantes. De 6 de fevereiro de 1955, dia da conquista sobre o Palmeiras, pelo Paulista, até 13 de outubro de 1977, dia da vitória por 1 a 0 sobre a Ponte Preta, passaram-se 22 anos, oito meses e sete dias.

E o Corinthians não conquistou títulos nesse período? Nenhum mesmo?

Conquistou 15 taças, nenhuma delas relevante. A mais conhecida é a do Torneio Rio-São Paulo de 1966, dividido com Botafogo, Vasco e Santos – alguém comemoraria? Fora isso, o Timão venceu só torneios amistosos como o Charles Miller, em 1955, o Pentagonal do Recife, em 1965, o Torneio Costa do Sol, em 1969, o Torneio do Povo, em 1971...

E o Basílio? Por que é ídolo do Corinthians?

Simples. Foi dele o gol do título paulista. Basílio já era um jogador de relevância dentro do clube, mas entrou para a história a partir dali. Entre 1975 e 1981, ele fez 253 jogos e 29 gols com a camisa alvinegra. Não fosse o gol, porém, ele não seria ídolo eterno do clube.

Se o gol de Basílio não tivesse saído, o Corinthians seria campeão com o 0 x 0?

Não. Caso o jogo terminasse empatado sem gols, haveria uma prorrogação de 30 minutos. Se o empate persistisse, aí sim o Timão seria declarado campeão – por ter tido melhor campanha nas fases iniciais. O regulamento previa dois jogos para a decisão, mais um terceiro caso nenhum dos rivais atingisse quatro pontos somados (uma vitória, naquela época, valia apenas dois pontos). O Timão iniciou a decisão com um ponto extra, também por causa da melhor campanha, venceu o primeiro jogo por 1 a 0, mas perdeu o segundo por 2 a 1.

Se o Timão tivesse ao menos empatado o segundo jogo, já seria campeão?

Sim. Com o ponto extra, os dois pontos da vitória do primeiro jogo, mais o ponto do empate no segundo, o Corinthians atingiria os quatro pontos necessários para o título.

Por que todos os jogos foram no Morumbi? A Ponte não tinha o direito de jogar em Campinas?

A decisão foi da Federação Paulista de Futebol, que preferiu jogar as partidas em um estádio maior. Dirigentes da Macaca reclamaram na época, mas a medida foi mantida.

A finalíssima recebeu o maior público da história do Morumbi?

Não. O terceiro jogo recebeu “apenas” 86.677 pagantes numa noite de quinta-feira. O segundo jogo, com vitória da Ponte, num domingo à tarde, foram 138.032 pagantes. Este, sim, é o maior público da história do estádio, que pertence ao rival São Paulo.

Rui Rei, atacante da Ponte, jogou a final negociado com o Corinthians?

Não. O fato é espalhado erroneamente porque ele foi expulso logo no início do terceiro jogo da final pelo árbitro Dulcídio Wanderley Boschillia e gerou suspeitas de que estaria “vendido” para facilitar a vida do rival – mesmo tendo feito o gol da vitória da Ponte no segundo jogo da final.

Rui foi contratado, sim, pelo Timão, mas só meses depois. Chegou em janeiro de 1978, ganhou o Paulista de 1979 e ficou até 1981. Tem 77 jogos e 21 gols pelo clube. Vicente Matheus, então presidente do Corinthians, tentou tirar a suspeita com a seguinte frase: "Quem seria burro de comprar um jogador desonesto?".

Além de Rui Rei, quem mais se destacava naquele time da Ponte?

Carlos, Oscar, Polozi, Dicá... Todos esses craques faziam parte da equipe de 77, uma das melhores da história da Macaca.

E o Corinthians? Quem tinha além do Basílio?

O melhor jogador do Timão na época, Palhinha, não participou do jogo do título por estar lesionado, mas fez, de rosto, o gol da vitória por 1 a 0 no primeiro duelo da decisão.

Havia outros bons nomes, como o goleiro Tobias, os laterais Zé Maria e Wladimir, o atacante Geraldão. O técnico Oswaldo Brandão foi o responsável por montar a equipe.

Essa foi última decisão entre Corinthians e Ponte?

Não. Dois anos depois, em 1979, os rivais se reencontraram na final estadual. O Timão, mais forte e sem o peso do jejum, levou a melhor em três partidas. A última delas teve vitória por 2 a 0, gols de Sócrates e Palhinha. Quase 38 anos depois, os alvinegros farão uma nova decisão.

Começa domingo final do Paulista 2017

O Corinthians se classificou para a final do Paulistão ao eliminar o São Paulo (no Morumbi, placar de 2 a 0; e na Arena, empate em 1 a 1). Já a Ponte Preta deixou para trás o Palmeiras (em Campinas, vitória por 3 a 0; no Allianz Parque, derrota por 1 a 0).

Voltar | Indique para um amigo | imprimir