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10/05/2017
Dados divulgados pela Secretaria de Segurança Pública (SSP) do Estado de São Paulo revelam que Ribeirão Preto teve, em 2017, o 1° trimestre com o maior número de casos de mortes no trânsito desde 2012. O aposentado José Gonçalves Nunes, cuja filha é uma das 13 pessoas que morreram em decorrência de acidentes de trânsito entre janeiro e março deste ano na cidade, diz que ainda está se recuperando da tragédia e classifica o trânsito na região como perigoso.
Segundo a SSP, os acidentes de trânsito deixaram sete pessoas mortas no primeiro trimestre de 2016. Em 2015, foram registradas 12 mortes contra seis em 2014 e 11 em 2013. Apenas nos três primeiros meses de 2012 é o que o número foi superior ao deste ano, quando 14 pessoas morreram devido a acidentes.
O trânsito violento acionou um alerta entre as autoridades. Todas as 13 mortes foram registradas ainda no local do acidente e não incluem outras vítimas que vieram a óbito após terem sido resgatadas. O advogado de trânsito Ademar Padrão explica que o trânsito em Ribeirão Preto pode ser considerado caótico devido a uma série de fatores diferentes.
“Nós não temos uma engenharia de tráfego que está seguindo na mesma proporção então nós temos aqui um trânsito nervoso. É mais risco para o motorista, para o pedestre inclusive e para os usuários de motocicletas, que são as vítimas mais fatais no trânsito de veículos”, afirma.
Apesar da falta de estrutura nas vias ser a grande responsável por muitos dos acidentes, Ademar destaca que o comportamento dos motoristas nas ruas de Ribeirão ainda é motivo de preocupação. O advogado se diz alarmado com a falta de preparo de muitos condutores.
“Eu vejo que todos os condutores de veículos, sejam de automóvel, caminhão, ônibus, motocicleta, têm feito uma condução de maneira inadequada. Só que o motociclista, em virtude da estrutura do veículo, que na verdade não tem estrutura, quando acidentado, quando se envolve se torna a vítima mais grave”.
Josiane Gonçalves Nunes tinha 38 anos quando morreu em um acidente no bairro Ipiranga, em Janeiro, após a moto dela ter sido atingida por um ônibus. Quatro meses após o acidente, seu pai diz ainda não se conformar com a morte e afirma que a filha não tinha o hábito de dirigir de maneira irresponsável.
“Não existe coisa pior na vida do que você passar por um trauma desses. A família fica muito mal né, você fica mal, fica sem chão. Era uma moça que estava sempre aqui dentro de casa, se preocupava muito com a gente, com todos e ela tinha cuidado, andava devagarzinho. Andava sempre na mão dela, certa, parava e não corria e mesmo assim foi vítima do trânsito”, afirma José Gonçalves.
Ademar destaca ainda a falta de controle da velocidade utilizada nas vias do município e diz ter certeza que a formação dos condutores acaba sendo um fator que contribuiu com o alto número de mortes no primeiro trimestre deste ano em Ribeirão Preto.
“Eles não têm a perícia necessária, inclusive os mais jovens. Tem também a parte viária, a estrutura do sistema viário está deficiente e no caso da velocidade não há controle. Isso acaba contribuindo para o acidente”, conclui o advogado.
A solução, ainda segundo Ademar, seria reformular o sistema viário de Ribeirão Preto e realizar um estudo que crie uma agenda específica para corrigir falhas estruturais e de fiscalização com o passar dos meses. Apesar disso, ele afirma que a prática da direção defensiva por parte dos motoristas seria o ideal enquanto as autoridades não determinam mudanças a curto ou longo prazo.
Em nota, a Prefeitura de Ribeirão Preto diz que já está avaliando um plano de mobilidade urbana elaborado pela gestão de Dárcy Vera (PSD) para concluir se deverá coloca-lo em prática como foi concebido ou se será necessário realizar alterações no mesmo.
Fonte:
g1.globo.com