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12/05/2017
A marqueteira Mônica Moura afirmou em delação premiada à Procuradoria-Geral da República que o ex-ministro Antônio Palocci exigiu, em 2004, que parte do pagamento da campanha para a reeleição do prefeito Gilberto Maggioni (PT), em Ribeirão Preto (SP), fosse feita de forma não declarada.
Mônica e o marido dela, o marqueteiro João Santana, são investigados por indícios de terem recebido dinheiro de caixa 2 por trabalhos em campanhas eleitorais. Nesta quinta-feira (11), o ministro Edson Facchin, relator da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a retirada do sigilo das delações premiadas do casal.
O ministro também retirou o sigilo da delação de André Luis Reis Santana, funcionário deles.
Valor não oficial
Segundo Mônica Moura, o pedido de Palocci foi feito durante a negociação de valores do marketing para a campanha à reeleição de Maggioni, em 2004. O petista havia assumido a Prefeitura de Ribeirão Preto depois que Palocci foi nomeado ministro da Fazenda pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2003. Maggioni, no entanto, não chegou a disputar o segundo turno do pleito que acabou com o tucano Welson Gasparini (PSDB) eleito.
De acordo com o relato da marqueteira aos procuradores, Palocci disse que o montante seria pago por um empresário da Cutrale, gigante da indústria de suco de laranja na região de Ribeirão Preto.
Mônica alegou não se lembrar do valor, mas afirmou que fez várias visitas à empresa em 2004, após conversar com Palocci sobre o pagamento. Segundo a marqueteira, o filho do proprietário da Cutrale era quem a recebia e entregava dinheiro em espécie a ela.
Ainda segundo a delatora, “boa parte deste valor não contabilizado” foi pago em dinheiro a ela por Juscelino Dourado, assessor direto de Palocci. Os encontros aconteciam no endereço onde funcionava a produtora de Mônica Moura em Ribeirão Preto.
Aos procuradores, Mônica entregou cópias de anotações de agendas sobre reuniões e jantares com Juscelino Dourado e com Antônio Palocci, além de um orçamento detalhado.
Citados na delação
Por telefone, o G1 entrou em contato com o escritório do advogado José Roberto Batocchio, que defende Antônio Palocci, mas não obteve um posicionamento até a publicação desta matéria.
O ex-prefeito de Ribeirão Preto, Gilberto Maggioni, não foi encontrado para comentar o assunto.
Por e-mail, a assessoria de imprensa da Cutrale informou que os membros da diretoria não foram localizados.
O G1 não localizou o ex-assessor de Palocci, Juscelino Dourado, para comentar o teor da delação.
Fonte: g1.globo.com