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06/06/2017

EDIÇÃO - 3233 CRACK DEIXA 558 DAS 645 CIDADES DO ESTADO DE SÃO PAULO EM ALERTA

Segundo Observatório do Crack, da Confederação Nacional de Municípios (CNM), problema é grave em Ituverava

O crack não para de avançar pelo Estado de São Paulo. Dos 645 municípios do Estado, pelo menos 558, incluindo Ituverava, enfrentam problemas relacionados à droga, conforme mapeamento do Observatório do Crack, da Confederação Nacional de Municípios (CNM).

Em 193 cidades do interior, o nível desses problemas é muito alto, segundo o ranking, atualizado em tempo real com informações de prefeituras. Em outras 259, o alerta é médio; e, em 105, baixo.

Apenas 20 cidades disseram não ter problemas com o crack. Outras 67 não responderam oficialmente o levantamento (mais informações abaixo). De 608 municípios paulistas ouvidos este mês (incluindo dados parciais), 92% afirmaram enfrentar problemas com a circulação de drogas, enquanto 95% confirmaram problemas com o consumo delas. As prefeituras informaram ainda que as principais áreas afetadas são Saúde (67,1%), Assistência Social (57,5%) e Segurança (49,1%).

O Observatório do Crack inclui grandes cidades do interior na “lista vermelha” da droga, entre elas Ribeirão Preto, São José do Rio Preto, Bauru e Marília. O avanço das drogas pelo interior não teve melhora com o passar do tempo, segundo Ernesto Stranz, consultor da CNM. E a droga continua avançando em municípios menores e rurais, como Campos Novos Paulista, Planalto e Colômbia, com menos de 7 mil moradores.

Gravidade do problema
Segundo ele, o fato de a maioria dos municípios responder espontaneamente ao questionário indica a gravidade do problema. “São prefeituras que têm a coragem de se expor porque é algo que afeta muito a população. É como um grito de socorro”, diz.

Apesar disso, praticamente nada mudou na política de governo. “Não houve investimento e o recurso que estava previsto em alguns programas sofreu contingenciamento”, ressalta.

Número de Usuários
Procurada, a Secretaria da Saúde do Estado informou ter ampliado em seis vezes o número de vagas para dependentes químicos, de 500 em 2011 para 3,3 mil atualmente, em serviços próprios ou conveniados. Desse total, 2 mil vagas, ou 60%, estão no interior (integralmente custeadas pelo Estado). O encaminhamento é feito pelos municípios. A pasta destacou que a internação só é indicada para casos graves.

O Estado ainda mantém o Serviço de Atenção e Referência em Álcool e Drogas (Sarad) em Botucatu, onde foram realizados 13 mil atendimentos desde 2014. Das cerca de 2 mil internações na unidade, 77% aconteceram de forma voluntária, 13% involuntária e 10% compulsória.

O Observatório trabalha agora em uma nova metodologia para estimar a população envolvida com o crack no Estado, já que não há dados precisos. A Secretaria Nacional de Política sobre Drogas (Senad) estima o usuário regular em 0,5% da população – o equivalente a cerca de 164 mil pessoas no Estado, desconsiderando a capital.

Droga é capaz de deixar usuário dependente no primeiro contato
O crack está entre as drogas com maior potencial de dependência. É produzido a partir da pasta da cocaína, misturada com outras substâncias como água e bicarbonato de sódio. Por isso, os efeitos do crack e da cocaína são muito semelhantes. No entanto, nas pedras do crack há muitas outras substâncias com variados graus de impurezas que podem causar danos irreversíveis ao organismo. Conheça mais sobre os perigos da droga:

O crack vicia mais que a cocaína?

Sim. O poder de dependência do crack parece ser duas vezes maior que o da cocaína. O crack é fumado com o uso de “cachimbos” improvisados, onde as pedras são colocadas, queimadas e aspiradas. É muito quente, e por isso frequentemente os usuários têm os lábios queimados. Por ser fumado, atinge rapidamente os pulmões.

Como a superfície pulmonar é ampla e intensamente vascularizada, em mais ou menos 30 segundos as pessoas já sentem o efeito da droga. A cocaína, por sua vez, é normalmente aspirada pela mucosa respiratória, que tem uma superfície menor e é menos vascularizada.

Por isso os efeitos da cocaína demoram mais para começar e duram mais tempo, em geral em torno de 20-45 minutos. Os efeitos do crack são muito mais intensos e terminam muito mais rapidamente, geralmente em torno de 5 minutos. Resultado: as pessoas querem fumar mais e mais, fazendo com que se exponham à droga com maior frequência, inalando quantidades bem maiores, que levam à dependência com mais facilidade.

Quais os efeitos do crack no organismo?

Assim que inalado, em apenas alguns segundos o crack atinge o sistema nervoso central, causando uma intensa euforia, sensação de prazer e bem-estar. A autoestima aumenta, tem-se a impressão de superpoderes, com muita excitação e hiperatividade.

O problema é que estes efeitos duram apenas uns 5 minutos. Assim que cessam, os dependentes químicos entram na “fissura” de querer mais. Depois mais e mais. Quando não conseguem a droga podem entrar em estado de “paranoia”. Daí vem o termo “noias” que popularmente se aplica aos que dependem do crack.

Quais os danos que o crack causa na saúde?

O crack pode matar. Seus efeitos deletérios podem atingir vários sistemas orgânicos vitais e causar psicoses ou lesões irreversíveis no funcionamento dos órgãos. Mas o mais degradante talvez seja a decomposição humana a que o crack impele as pessoas.

A abstinência da droga transforma os que dela dependem. A perda da própria dignidade, do auto respeito, da liberdade de existir, ou a deterioração e decadência da pessoa física são consequências inevitáveis e por vezes tão intensas e chocantes.

É um caminho sem volta?

Para muitos, sim. Mas, para quem efetivamente decide sair, há uma porta. O esforço para vencer a abstinência é absurdamente hercúleo, mas não é impossível. Muitos já conseguiram e estão aí para provar que é possível.

Vencer a si mesmo. Este é o desafio maior. Recuperar-se como pessoa, resgatar os próprios valores e, mais que tudo, a própria dignidade. É um esforço quase que sobre-humano, mas, felizmente, viável para os que têm vontade, determinação e força. Muita força.

A Justiça derrubou decisão que autorizava a gestão João Doria (PSDB) a recolher moradores de rua à força na cidade de São Paulo.

A decisão traz incertezas e limita as opções do programa de Doria, que começa a segunda semana seguida tendo de se adaptar a situações que fugiram de seu controle.

O resultado foram percalços como a demolição de construções com pessoas dentro, que deixou três feridos, e resultou em liminar judicial vetando novas remoções na região sem encaminhamento a moradia.

Na nova derrota judicial, o desembargador Reinaldo Miluzzi, do TJ (Tribunal de Justiça) de São Paulo, atendeu pedido do Ministério Público e da Defensoria Pública para barrar a liminar de primeira instância que autorizava remoções compulsórias de viciados para avaliação médica.

Por um período definido de 30 dias, agentes sociais e de saúde, com a ajuda de guardas-civis, poderiam retirar à força os usuários da região da cracolândia para uma avaliação de psiquiatras e médicos e posteriormente de um juiz.

Miluzzi afirmou na decisão que a autorização que havia sido dada à gestão Doria “contrasta com o Estado Democrático de Direito, porquanto concede à Municipalidade carta branca” para eleger viciados para recolher à força.

A prefeitura diz que irá recorrer, e o caso ainda vai a julgamento por um colegiado de desembargadores do TJ.

Apesar de dizer que há outras estratégias na ação anticrack, a remoção compulsória dos viciados era a cartada da gestão para lidar com a dispersão dos viciados por 22 pontos, além da aglomeração que se formou na praça Princesa Isabel.

Ambulâncias especializadas nesse tipo de trabalho seriam contratadas para remover um total estimado de cem pessoas das ruas –há cerca de 600 dependentes apenas na praça Princesa Isabel.

Em centros psicossociais, médicos tratariam e avaliariam se seria necessário pedido de internação compulsória.

A medida não constava do projeto original da prefeitura, o Redenção, que consistia no cadastramento de viciados e a elaboração de plano personalizado, que passaria por internação ou tratamento ambulatorial, além de fornecer moradia e encaminhamento para emprego.

Práticas Adotadas
Para o promotor da área da saúde Arthur Pinto Filho, o ideal seria que a prefeitura apostasse no convencimento dos usuários de drogas de agora em diante.

Rafael Lessa, da Defensoria Pública, afirma que a prefeitura já dispõe de instrumentos para atuar em casos que necessitem de internações involuntárias e não precisa recorrer à “medida que não faz o menor sentido jurídico”. Como exemplo, ele cita às práticas adotadas pelo programa Recomeço, do governo Alckmin, que realiza internações compulsórias.

Estratégias
A gestão João Doria (PSDB) afirma que a remoção compulsória de viciados em crack não é a única estratégia do programa Redenção.

“Se não for possível fazer a compulsória, há um monte de estratégias sendo feitas”, afirmou secretário de Governo, Júlio Semeghini, coordenador da ação municipal.

Atualmente, o programa Recomeço, do governo estadual, já faz internações compulsórias, embora sejam a minoria. A diferença é que a prefeitura solicitava que agentes de saúde e sociais pudessem fazer a avaliação, com base em protocolos psiquiátricos, para a remoção à força das pessoas das ruas.

Ambulâncias especializadas nesse tipo de ação levariam os pacientes aos centros psicossociais (CAPs) para avaliação, que poderia ou não resultar em um pedido de internação compulsória.

O secretário afirmou que o plano a respeito da compulsória continuará sendo preparado, enquanto se aguarda a resolução na Justiça.

Em nota, a gestão Doria informou que vai recorrer e que “o trabalho de acolhimento e tratamento dos usuários que aceitam se internar continuará sendo feito”.

Apesar de a prefeitura ter se proposto a montar uma estrutura para recolher os viciados compulsoriamente, Semeghini afirma que essa prática seria uma exceção. “Nós não vamos resolver o problema dessas pessoas através da compulsória, mas de uma grande estrutura e aumentando significativamente o número de abordagem e equipes”, afirmou.

IVVI é essencial para que usuários se recuperassem
É importante destacar o trabalho desenvolvido no município pelo IVVI (Instituto de Valorização à Vida de Ituverava), entidade que assiste a dependentes químicos, tendo recuperado muitos deles, inclusive usuários de crack.

Atualmente o IVVI atende 19 residentes, dependentes de entorpecentes, que desenvolvem atividades recreativas e laborativas. Eles também recebem orientação espiritual dos movimentos católico, espírita e evangélico.

No total, já passaram 2.578 pessoas pela entidade ao longo dos 17 anos de funcionamento.

O Sindicato Rural de Ituverava é um parcero importante, pois através do Senar ministra cursos profissionalizantes aos residentes.

A diretoria da entidade é formada por Marcos Carlos Augusto (presidente), Fábio de Oliveira Alves (vice-presidente), Fabiano de Paula Galdeano (1º secretário), José Paulo Friso (2º secretário), José Constantino Silva (1º tesoureiro) e César Batistella Sanches (2º tesoureiro).

A coordenadora da entidade é a assistente social Cristiane Machado Garcia de Almeida, que brilhantemente coordena diversos trabalhos da entidade.

Abordagem equilibrada
Segundo ela, reduzir o debate a uma questão simplista entre legalizar ou proibir as drogas tende a tirar o foco do que realmente deve ser o principal eixo de interesse, que é a busca por uma abordagem equilibrada entre as ações de prevenção, incluindo o amplo acesso dos usuários aos serviços de saúde, e às ações de repressão, focadas no combate ao crime organizado transnacional e dos grandes financiadores do tráfico.

“É preciso trabalhar de forma conjunta e simultânea no controle da demanda e oferta de substâncias ilícitas. Faz-se necessário investir mais em prevenção por meio da conscientização dos cidadãos sobre as consequências nocivas do uso de drogas à saúde”, afirma Cristiane.

Ainda segundo ela, a temática do uso de drogas deve ser abordada de forma abrangente nas escolas, junto às famílias e à comunidade por meio de campanhas educativas e informativas sobre o uso de drogas, sobre a responsabilidade que cada um tem diante do problema.

“Por fim, cabe ressaltar que uma discussão sobre políticas de drogas é ampla e se faz necessária. É complexa e deve incluir todos os agentes da sociedade. Não pode apenas envolver os governos, mas deve mobilizar os mais diversos segmentos da sociedade civil. Somente com a compreensão de que a problemática das drogas é responsabilidade de toda a sociedade e de que não deve ficar limitada à discussão superficial sobre a legalização ou proibição das drogas”, afirma Cristiane.

Problema é acompanhado de perto por Prefeitura e Polícias
E m Ituverava, o problema do crack não é recente, mas parece estar crescendo nos últimos anos, acompanhando o que tem ocorrido em todo o país. Infelizmente se deparar com usuários de droga pelas ruas não é raro, mesmo durante o dia.

Por conta disso, a Secretaria do Bem-Estar e Integração Social tem promovido ações de prevenção ao uso de crack, como campanhas de conscientização, além de acompanhamento feito por assistentes sociais.

Outro importante serviço desenvolvido pela Prefeitura é o CAPS-Viver, instituição que assiste a pessoas com transtornos mentais, o que inclui acompanhamento para dependentes químicos, sobretudo de crack, durante a sua recuperação.

Consequências
Além das questões relacionadas à saúde e à assistência social, o crack também traz consequências na área de segurança. Isso porque diante da dependência, o usuário é capaz de atos extremos para conseguir dinheiro, o que inclui assaltar.

Por conta disso, a Polícia Militar faz constantes patrulhamentos em toda a cidade e distritos para evitar que situações desse tipo aconteçam. Casos assim são tão comuns que as apreensões de pedras de crack acontecem quase todas as semanas em Ituverava.

A Polícia Civil também atua com bastante empenho na investigação de possíveis traficantes, que têm o crack como uma de suas principais fontes de renda.

Região
Em toda a região a situação é parecida. Além de Ituverava, Observatório do Crack, da Confederação Nacional de Municípios (CNM), aponta que a gravidade do uso de crack é alta em Morro Agudo, Orlândia, Sales de Oliveira, São Joaquim da Barra e Guará.

O levantamento ainda aponta que a gravidade é media em Miguelópolis, Nuporanga e Igarapava e baixa em Ipuã, Aramina e Buritizal. Das três maiores cidades da região, Ribeirão Preto possui gravidade alta. Já as Prefeituras de Franca e Uberaba (MG) não informaram os dados necessários para que a pesquisa fosse realizada.

Confira as respostas:

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