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29/06/2017
A maior parte dos homicídios registrados em Franca (SP) está ligada ao tráfico de entorpecentes, ao consumo de álcool e a motivos fúteis, segundo o delegado seccional assistente Daniel Radaeli. A cidade registrou um aumento de 27,2% no número de assassinatos de janeiro a maio deste ano em comparação ao mesmo período de 2016. Foram 14 mortes em 2017 contra 11 no ano passado.
“Não há como determinar e fazer a prevenção do crime de homicídio, embora sejam questões sociais, econômicas, brigas, motivos fúteis, pessoas relacionadas com o crime direta ou indiretamente”, diz Radaeli.
Para o diretor adjunto da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em Franca Braz Porfírio Siqueira, os assassinatos são um problema de saúde pública, uma vez que muitos casos envolvem dependentes químicos e pessoas ligadas a eles.
Violência
Segundo a SSP, a região mais violenta da cidade é a do 4º Distrito Policial. A área que abrange bairros como o Jardim Aeroporto e Jardim Aviação registou seis mortes.
Na sequência, aparece a região do 2º Distrito Policial, que passa pelo Jardim Guanabara, Vila São Sebastião e Estação, com cinco assassinatos. Também aparece nas estatísticas a área do 5º Distrito Policial, correspondente ao Parque Vicente Leporace, com três mortes.
Dos 14 casos, dez foram esclarecidos pela Polícia Civil e quatro tinham autores conhecidos desde o crime. Apenas dois deles seguem sendo investigados. O delegado seccional assistente afirma que o consumo de drogas lícitas e ilícitas é o principal problema enfrentado pela segurança pública em Franca em relação aos homicídios.
“O tráfico de drogas e os dependentes químicos fazem com que aumente a criminalidade da cidade. Há que se destacar também a questão do álcool. Temos alguns crimes que as pessoas embriagadas acabaram esfaqueando outras pessoas que vieram à morte.”
Mudanças na comunidade
O delegado acredita que esta realidade só poderá ser mudada desde que a própria comunidade seja repensada com o engajamento de todos os setores da sociedade. “Há que se analisar todos os fatores sociais que levam a esse crime extremo, porque a vida é o principal bem que nós temos. É um contexto em que todas as entidades e setores têm que participar e colaborar com educação, saneamento básico, iluminação pública, atendimento social.”
Para o diretor adjunto da OAB, os trabalhos realizados pelas polícias civil e militar em Franca são efetivos e a Comissão dos Direitos Humanos atua junto aos órgãos públicos para tentar amenizar o problema dos usuários de drogas.
“É uma questão mais de saúde pública do que de segurança. É impossível que a cada boca de fumo, a cada canto da cidade, esteja um policial civil ou militar. Se esse número fosse maior, poderia ser que evitasse alguma coisa, mas não é possível estar em todos os cantos. Temos que socorrer os usuários de álcool e droga. A briga é entre eles. A maioria dos homicídios em Franca é acerto de contas”, afirma Siqueira.
Fonte: g1.globo.com