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ESPORTE

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01/07/2017

ITUVERAVENSE TEM MAIS DE 30 ANOS DE CARREIRA NO RADIOJORNALISMO DA BAHIA

Mão de Onça recepcionando em Salvador o conterrâneo Zé do Coração

O locutor José Georgides da Silva, o “Mão de Onça” faz uma retrospectiva de sua carreira de sucesso no rádio da Bahia

Um bom vinho com o passar do temo se torna melhor. Assim é o radialista José Georgides da Silva, 67, mais conhecido em Ituverava como “Mão de Onça”, que, é hoje, um dos mais reconhecidos profissionais do rádio esportivo da Bahia e já tem sua marca registrada na história do esporte.

Com coberturas memoráveis no currículo, que incluem Copa do Mundo, Copa das Américas, Campeonato Brasileiro, Taça Libertadores da América e Liga Mundial de Vôlei, ele é dos mais reverenciados radialistas esportivos da Bahia



Com um estilo próprio e narração vibrante, José Georgides ou “Jota Jota” como é popularmente conhecido na Bahia, também foi cantor de orquestra quando jovem, mas foi na área esportiva que ganhou fama e destaque. Nascido em 1949, o radialista deixou Ituverava aos 17 anos, quando se mudou para Ribeirão Preto e ingressou no Colégio Técnico Agrícola José Bonifácio, de Jaboticabal.

Em um bate-papo descontraído com a Tribuna de Ituverava, Mão de Onça faz uma retrospectiva de sua carreira de sucesso no rádio, compara o futebol moderno com o de antigamente, relembra as suas melhores narrações, nega aposentadoria e fala sobre o futuro.

Cantor e Radialista
Sua história com o microfone ocorreu pouco tempo depois de ingressar no curso de técnico agrícola, quando se tornou a mais bela voz do interior, ao vencer um concurso em Bebedouro. “Quando ainda estudava passei a cantar na “Orquestra Sul América”, de Jaboticabal”.



“De lá, fui direto para a Rádio Colorado de Ribeirão Preto, onde passei a exercer a função de plantonista esportivo, cuja equipe era comandada por Nelson Antônio Gonçalves, o “NAG” (in memoriam), ao lado de profissionais como José Luiz Datena e Márcio Bernardes, que também estavam iniciando a carreira. Posteriormente passei a narrar jogos pela emissora”.

Além da rádio ribeirão-pretana, Mão de Onça passou por diversas emissoras do Brasil, dentre elas a 7 Colinas, de Uberaba; Nacional de Brasília; Centro América de Rio Preto e em todas as emissoras que transmitem esportes em Salvador - local onde foi residir.

Sobre a comunicação esportiva, ele conta que o interesse pelo esporte surgiu naturalmente e desde muito cedo. “Pouco tempos antes de me mudar, tive a oportunidade de jogar com goleiro na Associação Atlética Ituverava, ou como era chamada “Tigre do Ramal”, disputando a primeira divisão, ao lado de craques como Piolim, Carlito Santiago, Salata, Neiriberto, Cuié, Ditinho (depois Ferreira no Comercial), Vila Lobos, Clóvis e tantos outros, que meus neurônios de 67 primaveras teimam em não me fazer lembrar (risos)”, conta.

Raio X
Nome: José Georgides da Silva



Apelido: “Jota Jota”, na Bahia ou “Mão de Onça” para os ituveravenses



Idade: 67 anos



Data de nascimento: 5 de setembro de 1949



Profissão: Radialista



Filiação: Maria Durvalina de Jesus



Pais adotivos: José Soares de Oliveira (“Zé Galo”) e Manoela Neaime Soares de Oliveira (“Dona Nena”)



Filhos: José Alberto, Ricardo Alexandre, Kleber Jhonathan e Thiago Emmanoel, todos do primeiro casamento com Maria Aparecida Caetano, e Gustavo Emanoel Januário da Silva, do segundo casamento com Maria Irleide Januário.



Irmãos: José Antônio Soares de Oliveira (in memorian), casado com Adelina Matar Montagnini Soares de Oliveira; Liana Neaime Soares de Oliveira Luipoli (in memoriam), casada com José Glimovaldo Lupoli (ambos falecidos; José Antoninho Soares I(engenheiro da Sabesb) e José Nagib Neaima (in memoriam)







Careira foi inspirada pelo Ituveravense Nelson Cordaro
“Mas sempre fui aficionado mesmo pelo microfone, e minha grande inspiração foi o nosso conterrâneo, o narrador esportivo Nelson Cordaro. Me lembro que, quando podia, estava sempre no degrau abaixo da Rádio Cultura, no estádio da Rua Victor Venerando da Fonseca, ouvindo e ‘vendo’ Cordaro dar o seu show radiofônico. Pois não deu outra, botei na cabeça e hoje também me tornei um locutor esportivo, narrando a maioria das modalidades esportivas”.

Há mais de 30 anos nos microfones, o que não falta ao radialista são histórias para contar. Relembrando suas andanças pelo Brasil, Mão de Onça falou sobre as narrações que ele considera como as mais importantes de sua carreira. “Foram tantos (jogos narrados), que para enumerá-los, provavelmente ocuparíamos duas páginas da nossa Tribuna de Ituverava (risos). Mas o título do Bahia conquistado em Porto Alegre, em 1988, é uma das que me recordo com mais carinho”, afirma.

“A cobertura de alguns jogos do selecionado brasileiro de futebol, da seleção brasileira de basquete, a inauguração do Ginásio de Esportes Rio Vermelho em Goiânia, com um belo duelo entre Brasil e USA, a inauguração do autódromo de Brasília, quando Carlos Reutmman, da Argentina, ainda era protagonista das pistas e uma luta de boxe do Miguel de Oliveira, também são lembranças que de alguma forma, marcaram minha carreira”, destaca.

Juventude
Aproveitando o momento nostalgia, o radialista também relembrou alguns momentos de sua juventude em Ituverava e com a equipe da Associação Atlética Ituverava. “Nossa! O famoso e imbatível “Tigre do Ramal” me traz lembranças agradabilíssimas, de jogos memoráveis com o Orlândia, Igarapavense, Tanabi, Mirassol, equipes que nem tomávamos conhecimento”.

“Tínhamos uma turma de atletas verdadeiramente amigos, e que muitos deles, jogariam em qualquer time grande do futebol brasileiro de hoje, assim como alguns fizeram. O estádio enchia nos dias de jogos, e o ituveravense da época era um verdadeiro apaixonado pelo futebol”, enfatiza.

O futebol de hoje e de ontem
O futebol mudou muito em relação há algumas décadas atrás e muitos se arriscam em dizer que não se fazem mais craques como antigamente. Com a evolução em muitos aspectos, são inevitáveis, e visíveis, as comparações entre o atual e o antigo futebol. Porém para Jota Jota, é uma difícil comparação a se fazer.

“É complicado fazer tal comparação, uma vez que os novos comunicadores esportivos não acreditam que o futebol arte existiu, e que o Barcelona joga hoje, o que Santos, Botafogo, Cruzeiro, Bahia e até o Clube Náutico Capibaribe, jogaram no passado. Um futebol espetáculo, cheio de artes e de jogadores excepcionais, que deu lugar a um “futebol força”, onde o preparo físico e a marcação truculenta, imperam”.

“Um drible desconcertante hoje é considerado agressividade, ou até falta de respeito ao adversário. Coitado do seu Mané [Garrincha] atuando hoje (risos). Mas temos sim, bons jogadores, alguns craques, porém jogadores excepcionais não se vê mais, imaginem os fora de série. Não se pode comparar, e olha que falo sem saudosismo, apenas ressalto a dura realidade do futebol moderno”, observa.

O locutor também fez uma breve análise sobre o futebol Norte-Nordeste em relação ao Sul-Sudeste, e aponta o poder financeiro como principal fator de desigualdade entre os dois eixos. “O futebol nesta região, sempre esteve bem abaixo do eixo Rio-São Paulo, haja vista o poder financeiro dos chamados ‘grandes do futebol brasileiro’”.

“Enquanto Flamengo, Corinthians, Palmeiras e outros clubes, incluindo mineiros e gaúchos tem orçamentos de R$ 450 milhões ao ano, os nordestinos não chegam na casa dos R$ 150 milhões. A disparidade é monstruosa, assim os melhores jogadores acabam preferindo o Sul e só sobem, quando não conseguem mais espaços nos clubes desse eixo”.

Longevidade
Se sentindo com a mesma vitalidade do garoto que um dia correu pelos corredores da EMEF “Fabiano Alves de Freitas”, Mão de Onça continua bem ativo profissionalmente. E, apesar dos 67 anos e de muitas perguntas sobre sua aposentadoria, Mão de Onça mostra que está mais disposto do que muitos iniciantes no jornalismo esportivo.



Como locutor esportivo, trabalha atualmente na Rede Excelsior de Rádio FM - uma rede de emissoras católicas com o slogam de “A voz do Senhor do Bonfim” – e também compõe o time do programa “Os Feras da Bola”.

“No rádio, continuo como locutor esportivo na função de narrador. Entretanto, também escrevo para três sites do estado da Bahia. Dois em Salvador, o www.centraldenoticiasrms.com e o www.hojetembavi.com.br e em Juazeiro, no interior do estado, no portal www.noticiasch.com, com a coluna “Falôôôô: A Opinião de Jota Jota”. Faço também, entrevistas especiais para o “Hoje Tem Bavi”, com personalidades do Youtube”.

Aposentadoria
“Que aposentar, que nada! Vou correr atrás da bola nos microfones, até que a visão me impeça de fazê-lo. Como já dei um drible nas cataratas, estou igual ao menino que estudou na Escola “Fabiano”.



“Agradeço a consideração da Tribuna de Ituverava, por mais essa oportunidade. São muitos os conterrâneos que levam o nome da nossa Cachoeira do Salto Belo para os rincões do país, nunca esquecendo de onde vieram. E quem sabe um dia, voltaremos?!”



“Um ‘axé’ para todos e que o Senhor do Bonfim continue lhes protegendo com o amor de Nossa Senhora do Carmo”, completa José Georgides da Silva, ou simplesmente “Mão de Onça”.

Saudades
“O destino e o trabalho me afastaram da família e da terra natal que eu amo de paixão. Sin“O destino e o trabalho me afastaram da família e da terra natal que eu amo de paixão. Sinto muitas saudades de todos os amigos e parentes. A família Soares Oliveira ajudou-me a tornar um ser humano, hoje querido e respeitado em Salvador e na crônica esportiva brasileira”.

“Quanto voltar a residir em Ituverava? Por que não? Espero que meu amigo irmão José Luiz Alves Cassiano, compre logo uma emissora e mande me buscar, vou correndo, ôh se vou” (risos).

Nestes últimos dias, revivi Ituverava com lembranças inimagináveis, com a visita do amigo de infância José Alberto Fonseca, o “Zé do Coração”. Ele estava a caminho de Fortaleza, mas resolveu fazer uma parada na Bahia e me fazer uma visita. Foram quatro dias de muitas risadas, lembranças, revendo fotos dos amigos e amigas. Deferência especial assim, só para ituveravense mesmo”.

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