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06/07/2017
A receita da vitória do Santos sobre o Atlético-PR, por 3 a 2, na última quarta-feira, pela Libertadores, passou por dois fatores fundamentais: a marcação alta e a exibição de Lucas Lima. Claro que os gols de Kayke e Bruno Henrique foram essenciais para o Peixe construir uma boa vantagem de olho na vaga às quartas de final, mas eles, por si só, não explicam taticamente os acertos do time paulista - que, é bem verdade, fez primeiro tempo bem inferior aos 45 minutos finais.
A estratégia de apertar o Furacão no campo de defesa já se mostrara eficaz no último encontro entre as equipes em Curitiba, quando o Alvinegro também se saiu vitorioso, daquela vez, com o placar de 2 a 0. A diferença foi que, na Vila Capanema, o Santos não ficou em seu campo de defesa, à espera dos contragolpes. Especialmente no segundo tempo, a ação já se dava na intermediária paranaense. O GloboEsporte.com contabilizou ao menos sete ocasiões em que os paulistas cercaram os defensores do Furacão e os obrigaram a forçar um passe ou lançamento.
Foi em uma dessas blitzes, por exemplo, que o Peixe recuperou a bola e trocou passes até a finalização de Victor Ferraz, no segundo gol. Aqui, aliás, vale um parênteses. O lateral-direito santista virou praticamente um meio-campista na formação dos 45 minutos finais, quando Levir Culpi percebeu que o adversário estava acuado e posicionou a equipe de forma a deixar apenas três homens atrás da linha do meio de campo, como está demonstrado no campinho abaixo (Copete e Bruno Henrique trocaram de lado em um determinado momento):
Não à toa, Ferraz foi o jogador que mais tocou na bola: 63 dos 313 passes santistas no jogo, ou seja, 20% deles, saíram dos pés do camisa 4. E ele errou apenas oito. Quer ter uma ideia do que isso representa no contexto do time? O segundo na lista foi Lucas Lima, com 35 passes. Mas já falaremos a seguir sobre o camisa 10. Antes, aqui vai um dado interessante. Em termos de posse, o Atlético-PR, como já era de esperar, ficou mais com a redonda (54% a 46%).
Voltando a Lucas Lima, o meia mostrou, enfim, um pouco da sua velha forma. Deu a assistência para Kayke abrir o placar, acertou lançamentos (quatro, de seis) e ainda deixou os companheiros três vezes em situação de finalizar. E, se é verdade que o jogador vem se esforçando para não ficar com a imagem no clube queimada, a exemplo do que houve com Ganso, também é verdade que ele teve um gesto ao fim do jogo capaz de ser comparado a um dos mais célebres do ex-Maestro em sua passagem pela Vila.
Quem não se lembra quando, irritado com Dorival Júnior, Ganso não quis deixar o campo para ser substituído na final do Paulistão de 2010, e disse que ali ficaria? Os adeptos do copo meio vazio dirão que Lucas Lima deu xilique ao ser trocado por Vecchio, já aos 42 do segundo tempo, que não pode demonstrar publicamente sua insatisfação, chutar copo d´água... Outros verão na atitude do camisa 10 o "sangue nos olhos" que tanto se cobra dele em 2017. Eu sou da turma do copo meio cheio.
Fonte: globoesporte.globo.com