Clique aqui para ver a previsão completa da semana
14/07/2017
Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que apura irregularidades na obra do anexo da Câmara dos Vereadores pediu nesta quinta-feira (13) a rescisão imediata do contrato com a empresa Cedro, vencedora da licitação e responsável pela execução do projeto orçado em R$ 6,8 milhões. O pedido foi apresentado ao presidente da Casa, Rodrigo Simões (PDT), e será submetido à mesa diretora.
Durante a sessão, os vereadores aprovaram, por unanimidade, o relatório que apontou problemas desde o projeto, elaborado pela Contec, passando pela autorização do então secretário municipal de Obras, Abranche Fuad Abdo, pela expedição de documentos assinados pelo então presidente, Walter Gomes (PTB), até a construção do prédio.
Iniciada em agosto de 2015, a construção do anexo com cinco mil metros quadrados de área, estava prevista para terminar em agosto de 2016, mas está parada desde junho do ano passado. A Cedro diz que precisa de mais R$ 1,7 milhão para concluir a obra.
Segundo a comissão, até agora, já foram pagos R$ 6,4 milhões.
Relatório
De acordo com o vereador Isaac Antunes (PR), relator da CPI instalada em fevereiro deste ano, a obra apresentou uma série de erros desde o início e que resultaram em prejuízo aos cofres públicos.
O relatório leva em consideração a auditoria contratada pela própria Câmara e que apontou problemas na fundação do prédio, além da necessidade de mudanças, como a ampliação do teto em 60 centímetros para instalação elétrica, que foi “esquecida” no projeto básico.
O laudo destaca que o prédio é totalmente fechado, sem iluminação natural, e só pode funcionar à base de lâmpadas e de um sofisticado e caro sistema de ventilação de ar.
“Contrataram uma empresa que não atendia os requisitos técnicos legais, que fez um projeto totalmente errado, e uma próxima empresa que ganhou a licitação, sabendo que o projeto inicial era defeituoso”, diz Antunes.
Durante as oitivas da CPI, o responsável pelo projeto básico e dono da Contec Serviços, Murilo Marcon, afirmou que nunca foi notificado sobre falhas graves ou mesmo solicitado a fazer qualquer tipo de alteração no documento.
Ele destacou que a alegação da construtora Cedro de que o orçamento teve que ser reajustado devido a erros no projeto não é válida e afirmou que, se houvesse algum problema, bastava a empresa não ter iniciado a obra.
Na época, a Cedro declarou que o projeto – feito com base nos pedidos dos vereadores – continha extravagâncias, como instalação de vidro blindado entre o plenário e o público, mas deixava de lado itens fundamentais, como saídas de emergência em caso de incêndio.
A construtora alegou, no entanto, que não questionou o projeto porque a Contec já o havia elaborado antes mesmo de sua entrada na licitação.
Um laudo elaborado pela USP São Carlos após vistoria na obra concluiu que foi gasto R$ 1 milhão a mais na parte estrutural do prédio, e apontou que a construtora não justificou a alteração de valores em documentos aos quais a equipe técnica teve acesso. Ainda segundo o laudo, faltam 22% para que a edificação seja finalizada.
‘Ação entre amigos’
O vereador Isaac Antunes classificou as irregularidades como uma ação entre amigos, ao citar as empresas e o ex-presidente da Câmara, Walter Gomes, e o ex-secretário de Obras, Abranche Fuad Abdo. Um documento apresentado à CPI aponta que Walter Gomes assinou um atestado de capacidade técnica em uma lauda da Prefeitura de Ribeirão Preto, o que é irregular.
Abdo chegou a dizer em depoimento à CPI que, inicialmente, o projeto completo de ampliação da sede do Legislativo custaria R$ 14 milhões, o dobro do valor licitado, mas que Gomes optou por realizar a obra em partes desmembradas. O valor de R$ 6,8 milhões, então, seria insuficiente para concluir o prédio. O ex-presidente negou conhecimento, assim como o fato de ter assinado o documento da prefeitura.
“Fizeram uma péssima obra. Foi uma série de erros em efeito cascata que fizeram com que a Câmara Municipal de Ribeirão Preto gastasse mais de R$ 6,5 milhão nesse elefante branco e que ainda a empresa pede mais R$ 2 milhões pra terminar”, diz Antunes.
Nova licitação
A comissão quer que o contrato com a Cedro seja rescindido, e sugere que seja aberta uma nova licitação para que o prédio seja concluído. O presidente da CPI, vereador Otoniel Lima (PRB), não acredita que a abertura de um novo certame traga mais prejuízos ao erário público.
“Nós temos em conta R$ 424 mil que não foram empenhados e que podem ser usados para uma nova etapa. A Casa vai ficar livre pra fazer uma nova licitação e terminar de vez a obra. O que nós não podemos é colocar mais dinheiro em um empreendimento que de início custava R$ 6,8 milhões e que a Câmara pagou R$ 6,4 milhões e não terminou a obra”, afirma.
Construtora
O advogado da Cedro, Sérgio Moya, acompanhou a leitura do relatório e disse que o documento será analisado. Moya não descartou a proposição de um acordo para que a empresa finalize a obra.
“Solicitamos à mesa diretora que fosse ao MP, por iniciativa nossa. Submetemos a matéria ao MP, se for o caso, pra fazer um TAC, pra que a gente termine a obra e entregue esse equipamento público à Câmara e a população de Ribeirão Preto.”
Fonte: g1.globo.com