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25/07/2017
Ex-dono da Atmosphera Construções e Empreendimentos, que prestava serviços à Prefeitura de Ribeirão Preto (SP), o empresário Marcelo Plastino, confirmou à Polícia Federal, antes de ser encontrado morto, ter entregado propina aos ex-presidentes da Câmara Municipal Cícero Gomes e Walter Gomes.
A declaração foi dada pelo delegado da PF Flávio Vieitez Reis, em depoimento à Justiça nesta segunda-feira (24), no primeiro dia de audiências de um dos processos resultantes da Operação Sevandija. Além de Reis, também foram ouvidos dois investigadores da PF.
“Isso foi informal, tanto que, provavelmente, não vai ser nem considerado nas investigações. Isso só foi informado, mas, não é uma declaração formal. Só falou que era dinheiro”, disse Reis na saída do Fórum. Os depoimentos duraram seis horas nesta segunda-feira.
Acompanhado de seus advogados, Cícero não quis comentar as acusações contra ele. Walter está preso em Tremembé (SP), mas foi transferido para Ribeirão para participar das audiências. O advogado dele, Júlio Mossin, sempre negou as acusações.
O delegado da PF contou que a conversa com Plastino ocorreu logo que o empresário foi colocado na cela, após ser preso em 3 de setembro do ano passado, quando voltava de uma viagem ao exterior com a namorada, Alexandra Ferreira Martins, que também foi presa.
“Foi natural, mas não foi nem em tratativa de delação. Isso foi em uma conversa informal, logo que ele chegou à delegacia. É como se ele estivesse desabafando e, é uma coisa que não é levado como prova, tanto é que não consta nos autos”, completou o delegado.
Plastino foi encontrado morto com um tiro na cabeça no apartamento onde morava, em 25 de novembro do ano passado. Alvo da Sevandija, ele foi acusado de pagar propina a funcionários da Prefeitura e a vereadores, e era apontado como beneficiário direto de licitações fraudadas.
Em uma carta escrita antes de morrer, Plastino fez acusações contra a ex-prefeita Dárcy Vera, que está presa por suspeita de chefiar as fraudes, e disse que os vereadores da base aliada estavam envolvidos em um esquema de corrupção para apoiá-la.
Além do ex-presidente da Câmara Walter Gomes, outros oito ex-vereadores se tornaram réus nesse processo. Todos foram afastados dos cargos em 1º de setembro do ano passado, quando a primeira fase da Operação Sevandija foi deflagrada.
“Nas investigações, nós só apuramos nove vereadores. Os demais, não tivemos como chegar até eles”, disse o delegado da PF, destacando que 12 parlamentares participaram do esquema de recebimento de propina. “Muito provavelmente, sim”, completou.
A namorada de Marcelo Plastino, Alexandra Ferreira Martins, evitou a imprensa na saída do Fórum de Ribeirão (Foto: Claudio Oliveira/EPTV) A namorada de Marcelo Plastino, Alexandra Ferreira Martins, evitou a imprensa na saída do Fórum de Ribeirão (Foto: Claudio Oliveira/EPTV)
A namorada de Marcelo Plastino, Alexandra Ferreira Martins, evitou a imprensa na saída do Fórum de Ribeirão (Foto: Claudio Oliveira/EPTV)
Flagrante
Nesta segunda-feira, o juiz Lúcio Alberto Enéas da Silva Ferreira ouviu os depoimentos das testemunhas de acusação, entre elas o delegado da PF e agentes responsáveis pela análise das interceptações telefônicas e pelo monitoramento em campo dos acusados.
Presos em Tremembé (SP), os ex-secretários Layr Luchesi Junior (Casa Civil), Marco Antônio dos Santos (Administração), e Ângelo Invernizzi (Educação) foram levados para Ribeirão em carros da Secretaria de Administração Penitenciária (SAP) para participar das audiências.
O ex-secretário de Administração de Ribeirão Preto Marco Antonio dos Santos deixa o Fórum de Ribeirão Preto (Foto: Luciano Tolentino/EPTV) O ex-secretário de Administração de Ribeirão Preto Marco Antonio dos Santos deixa o Fórum de Ribeirão Preto (Foto: Luciano Tolentino/EPTV)
O ex-secretário de Administração de Ribeirão Preto Marco Antonio dos Santos deixa o Fórum de Ribeirão Preto (Foto: Luciano Tolentino/EPTV)
O ex-advogado do Sindicato dos Servidores Municipais Sandro Rovani e o ex-superintendente da Coderp Davi Mansur Cury na saída do Fórum de Ribeirão Preto (Foto: Luciano Tolentino/EPTV) O ex-advogado do Sindicato dos Servidores Municipais Sandro Rovani e o ex-superintendente da Coderp Davi Mansur Cury na saída do Fórum de Ribeirão Preto (Foto: Luciano Tolentino/EPTV)
O ex-advogado do Sindicato dos Servidores Municipais Sandro Rovani e o ex-superintendente da Coderp Davi Mansur Cury na saída do Fórum de Ribeirão Preto (Foto: Luciano Tolentino/EPTV)
Também foram transferidos para Ribeirão os presos: Maria Lúcia Pandolfo, ex-funcionária da Coderp, David Mansur Cury, ex-superintendente da Coderp, Sandro Rovani, ex-advogado do Sindicato dos Servidores Municipais, e o ex-presidente da Câmara Walter Gomes.
O Jornal da EPTV flagrou a saída de todos os réus do Fórum de Ribeirão Preto, na noite de segunda-feira. Eles devem permanecer em presídios da região até o fim das audiências. Todos usavam uniformes do sistema prisional, mas não estavam algemados.
A expectativa é que 150 pessoas sejam ouvidas pela Justiça até o fim desta fase.
O ex-secretário da Educação Angelo Invernizzi (esquerda) e o ex-secretário da Casa Civil Layr Luchesi Junior (direita) na saída do Fórum em Ribeirão Preto (Foto: Luciano Tolentino/EPTV) O ex-secretário da Educação Angelo Invernizzi (esquerda) e o ex-secretário da Casa Civil Layr Luchesi Junior (direita) na saída do Fórum em Ribeirão Preto (Foto: Luciano Tolentino/EPTV)
O ex-secretário da Educação Angelo Invernizzi (esquerda) e o ex-secretário da Casa Civil Layr Luchesi Junior (direita) na saída do Fórum em Ribeirão Preto (Foto: Luciano Tolentino/EPTV)
A ex-funcionária da Coderp Mária Lúcia Pandolfo deixa o Fórum sem algemas (Foto: Luciano Tolentino/EPTV) A ex-funcionária da Coderp Mária Lúcia Pandolfo deixa o Fórum sem algemas (Foto: Luciano Tolentino/EPTV)
A ex-funcionária da Coderp Mária Lúcia Pandolfo deixa o Fórum sem algemas (Foto: Luciano Tolentino/EPTV)
Vereadores em silêncio
Na saída do Fórum, os ex-vereadores Cícero Gomes, Capela Novas e Samuel Zanferdini ficaram em silêncio diante dos jornalistas. A mesma atitude teve Saulo Rodrigues da Silva, o Pastor Saulo, quando chegou ao Fórum ainda durante à tarde.
O ex-vereador Capela Novas se manteve em silêncio na saída do Fórum de Ribeirão Preto (Foto: Claudio Oliveira/EPTV) O ex-vereador Capela Novas se manteve em silêncio na saída do Fórum de Ribeirão Preto (Foto: Claudio Oliveira/EPTV)
O ex-vereador Capela Novas se manteve em silêncio na saída do Fórum de Ribeirão Preto (Foto: Claudio Oliveira/EPTV)
O delegado e ex-vereador Samuel Zanferdini é réu em processo da Operação Sevandija (Foto: Claudio Oliveira/EPTV) O delegado e ex-vereador Samuel Zanferdini é réu em processo da Operação Sevandija (Foto: Claudio Oliveira/EPTV)
O delegado e ex-vereador Samuel Zanferdini é réu em processo da Operação Sevandija (Foto: Claudio Oliveira/EPTV)
O ex-vereador Saulo Rodrigues da Silva, o Pastor Saulo, é réu em processo da Operação Sevandija (Foto: Carlos Trinca/EPTV) O ex-vereador Saulo Rodrigues da Silva, o Pastor Saulo, é réu em processo da Operação Sevandija (Foto: Carlos Trinca/EPTV)
O ex-vereador Saulo Rodrigues da Silva, o Pastor Saulo, é réu em processo da Operação Sevandija (Foto: Carlos Trinca/EPTV)
“Não devo nada e vou provar a minha inocência”, disse José Carlos de Oliveira, o Bebé, na chegada para as audiências. “Não vou falar nada, só vou ouvir. Não devo nada e vou provar a minha inocência”, completou.
“Vim só ouvir, só”, afirmou Genilvado Gomes. “Nada, só ouvir”, completou.
O ex-vereador José Carlos de Oliveira, o Bebé, é réu em processo da Operação Sevandija (Foto: Carlos Trinca/EPTV) O ex-vereador José Carlos de Oliveira, o Bebé, é réu em processo da Operação Sevandija (Foto: Carlos Trinca/EPTV)
O ex-vereador José Carlos de Oliveira, o Bebé, é réu em processo da Operação Sevandija (Foto: Carlos Trinca/EPTV)
O ex-vereador Genivaldo Gomes é réu em processo da Operação Sevandija (Foto: Carlos Trinca/EPTV) O ex-vereador Genivaldo Gomes é réu em processo da Operação Sevandija (Foto: Carlos Trinca/EPTV)
O ex-vereador Genivaldo Gomes é réu em processo da Operação Sevandija (Foto: Carlos Trinca/EPTV)
“Os fatos, agora, vão ser esclarecidos”, afirmou Evaldo Mendonça da Silva, o Giló, negando que tenha indicado cabos eleitorais para trabalhar na Atmosphera, em troca de apoio político à ex-prefeita Dárcy Vera, como acusa o Ministério Público.
“De forma nenhuma, se você fizer um levantamento dos projetos de lei que foram votados, inclusive, um que eu cito, que é da maior importância para Ribeirão Preto nos últimos anos, que é a questão da prorrogação do esgoto, eu votei contra”, disse o ex-vereador.
O ex-vereador Evaldo Mendonça da Silva, o Giló, nega acusações contra ele na Operação Sevandija (Foto: Carlos Trinca/EPTV) O ex-vereador Evaldo Mendonça da Silva, o Giló, nega acusações contra ele na Operação Sevandija (Foto: Carlos Trinca/EPTV)
O ex-vereador Evaldo Mendonça da Silva, o Giló, nega acusações contra ele na Operação Sevandija (Foto: Carlos Trinca/EPTV)
“No final, nós vamos conseguir provar a inocência”, afirmou Maurílio Romano ao deixar o Fórum na noite de segunda-feira e destacando que não tem envolvimento nas fraudes. “Meus advogados vão provar”, finalizou.
A ex-coordenadora de recursos humanos da Companhia de Desenvolvimento Econômico de Ribeirão Preto (Coderp) Vanilza da Silva Daniel, que também é ré no processo da Operação Sevandija, permaneceu em silêncio diante dos jornalistas.
A mesma atitude teve Alexandra Ferreira Martins, namorada de Marcelo Plastino, que evitou a imprensa ao chegar e sair do Fórum de Ribeirão Preto nesta segunda-feira.
O ex-vereador Maurílio Romano é réu em processo da Operação Sevandija (Foto: Claudio Oliveira/EPTV) O ex-vereador Maurílio Romano é réu em processo da Operação Sevandija (Foto: Claudio Oliveira/EPTV)
O ex-vereador Maurílio Romano é réu em processo da Operação Sevandija (Foto: Claudio Oliveira/EPTV)
A ex-funcionária da Coderp Vanilza da Silva Daniel também é acusada de fraudes pela Operação Sevandija (Foto: Carlos Trinca/EPTV) A ex-funcionária da Coderp Vanilza da Silva Daniel também é acusada de fraudes pela Operação Sevandija (Foto: Carlos Trinca/EPTV)
A ex-funcionária da Coderp Vanilza da Silva Daniel também é acusada de fraudes pela Operação Sevandija (Foto: Carlos Trinca/EPTV)
Investigação
Segundo investigação da Operação Sevandija, a Atmosphera era usada como cabide de empregos pelos vereadores acusados. Eles indicavam apadrinhados políticos para cargos terceirizados pela Coderp na Atmosphera e, em troca, aprovavam projetos de interesse do Executivo.
Ainda de acordo com a força-tarefa, os parlamentares recebiam propina e os pagamentos eram feitos em encontros chamados por Plastino de “café”.
Vídeos e gravações obtidas pela investigação com autorização da Justiça registraram vários desses encontros entre vereadores e o empresário. Em um deles, Plastino entregou uma espécie de envelope a Walter Gomes, com suposto dinheiro de propina. O ex-presidente da Câmara sempre negou o recebimento de qualquer valor ilícito.
Responsável pelos sistemas de informática da administração municipal e pela manutenção de quase 14 mil equipamentos eletrônicos, a Coderp é uma empresa de economia mista, cujo principal acionista é a própria Prefeitura.
A Companhia também é responsável por serviços terceirizados, como gestão e administração do cemitério Bom Pastor, do Mercado Municipal, do Parque Permanente de Exposições e do atendimento realizado pela Prefeitura dentro do Poupatempo.
E foi justamente em contratos desse tipo que a PF e o Gaeco identificaram fraudes, que resultaram em desvio de verbas dos cofres municipais. Membros do alto escalão do governo Dárcy Vera e funcionários da Coderp atuaram nas fraudes. Todos negam participação no esquema.
Fonte: g1.globo.com