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28/07/2017
Luiz Alberto Mantilla firmou acordo de delação premiada com a força-tarefa da Operação Sevandija (Foto: Reprodução/EPTV
scutas telefônicas autorizadas pela Justiça flagraram o ex-diretor da Aegea Engenharia Jorge Carlos Amin comemorando a assinatura de um aditivo de R$ 15 milhões ao contrato firmado entre a empresa e o Departamento de Água e Esgoto de Ribeirão Preto (Daerp) em 2014.
O interlocutor é Marcello Dall´ovo Filho, funcionário direto de Amin na Aegea. Ambos são réus em processo decorrente da Operação Sevandija, que descobriu fraudes em licitações no valor total de R$ 203 milhões na Prefeitura de Ribeirão.
Amin: Oh, parabéns pelo aditivo
Dall´ovo Filho: Obrigado, para nós, né?!
Amin: É, o que eu fiz foi assinar e autorizar ainda (risos)
Dall´ovo Filho: (risos)
Em nota, a Aegea informou que todos os serviços executados constavam no contrato, e que tudo foi feito com transparência. A empresa afirmou ainda que está à disposição da Justiça.
Marcelo Dall´ovo e Jorge Amim sempre negaram participação em qualquer esquema de fraude.
Licitado no valor inicial de R$ 68,4 milhões, o contrato entre Aegea e Daerp previa a troca de 80 quilômetros de tubulações da rede de água. Mas, segundo as interceptações feitas pela Operação Sevandija, nem todo o serviço foi executado.
Amin: (...) a medição saiu pelo valor maior, porque está nota, tudo, certo?!
Dall´ovo: Está tudo certo.
Amin: Olha, aumentar o volume de faturamento, né?!
Dall´ovo: É
Em outra ligação interceptada pela Polícia Federal e pelo Ministério Público, Amin demonstra preocupação porque a medição do serviço que outra empresa realizou, a pedido do Daerp, não estava da forma como eles planejavam.
Amin: A medição já fechou, né?! Não mudou?!
Dall´ovo Filho: Não mudei, ficou naquilo mesmo.
Amin: Então, 4.200, né?
Dall´ovo Filho: É, 4.186.
Amin: Ruim, né?!
Dall´ovo Filho: É
Amin: Nós vamos apanhar, vamos apanhar.
Dall´ovo Filho: Então, no mês que vem, nós vamos ter que recuperar.
A medição que os dois tratam na conversa se refere à extensão de tubos instalados na rede de água. A PF e o MP suspeitavam de superfaturamento nas obras, que se confirmou em uma auditoria encomendada pelo próprio Daerp, após a Operação Sevandija ser deflagrada.
Com aditivos, o contrato entre a Aegea e o Daerp passou a R$ 86 milhões. A auditoria apontou que R$ 52 milhões já foram pagos, mas somente R$ 45 milhões em serviços foram executados - os pagamentos estão suspensos por decisão judicial.
Para a PF e o MP, ao menos R$ 1,5 milhão foi desviado na forma de propina. Em delação premiada, o ex-diretor do Daerp Luiz Alberto Mantilla confirmou ter repassado R$ 600 mil ao ex-superintendente Marco Antonio dos Santos. Ambos também são réus no caso.
Fonte: g1.globo.com