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03/08/2017

JUSTIÇA NEGA LIBERDADE A CINCO RÉUS DA OPERAÇÃO SEVANDIJA EM RIBEIRÃO PRETO, SP

O ex-secretário de Administração do governo Dárcy Vera (PSD), Marco Antônio dos Santos (Foto: Reprodução/EPTV)

A Justiça negou nesta quarta-feira (2) o pedido de liberdade provisória a cinco réus da Operação Sevandija, presos desde maio deste ano por acusações de envolvimento em uma organização criminosa na Companhia de Desenvolvimento Econômico (Coderp) e na empresa Atmosphera, detentora de contratos fraudulentos com a Prefeitura de Ribeirão Preto (SP).


Segundo o juiz da 4ª Vara Criminal Lúcio Alberto Eneas da Silva Ferreira, os ex-secretários Layr Luchesi Júnior (Casa Civil), Ângelo Invernizzi (Educação) e Marco Antônio dos Santos (Administração), o ex-superintendente da Coderp, Davi Mansur Cury, e a ex-funcionária da Coderp, Maria Lúcia Pandolfo, deverão permanecer presos.


Em sua decisão, o magistrado alegou que a instrução criminal ainda não está concluída, pois resta a inquirição de testemunhas de defesa e principalmente os interrogatórios. Ainda segundo o juiz, os motivos expostos na decisão que decretou a prisão preventiva dos acusados requerentes ainda persistem e ficam reiterados.


As defesas negam que os acusados tenham participação em qualquer crime.


Veja as acusações, segundo o Ministério Público:


Ângelo Invernizzi: recebeu R$ 100 mil de propina da Atmosphera Construções e Empreendimentos, empresa terceirizada da Prefeitura. Grande parte dos recursos destinados ao pagamento da Atmosphera eram provenientes da Secretaria de Educação, contando com seu aval.


Davi Mansur Cury: organização criminosa, dispensa indevida de licitação, fraude em licitação, peculato, corrupção passiva-indicações e corrupção ativa dos vereadores.


Maria Lúcia Pandolfo: apontada como operadora do controle de pessoas contratadas pela Atmosphera por indicação de vereadores da base aliada de Dárcy Vera.


Marco Antônio dos Santos: principal articulador do esquema de desvio de dinheiro dos cofres da Prefeitura de Ribeirão, articulador da compra de apoio dos vereadores.


Layr Luchesi Junior: acusado de participar das fraudes nas licitações e desvios dos cofres públicos, e apadrinhar funcionários na Atmosphera.


Na última semana de julho, a Justiça começou a ouvir os depoimentos das testemunhas de acusação no processo. Integrantes da força-tarefa da investigação, além de ex-funcionários da Prefeitura de Ribeirão Preto, deram detalhes sobre a atuação dos acusados nas fraudes apresentadas pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e da Polícia Federal (PF).





Ao todo, 21 réus respondem ao processo que envolve a empresa Atmosphera e a Coderp – todos negam envolvimentos em crimes. Também estão presos o advogado Sandro Rovani e o ex-presidente da Câmara dos Vereadores de Ribeirão Preto, Walter Gomes (PTB).





Organização criminosa


Responsável pelos sistemas de informática da administração municipal e pela manutenção de quase 14 mil equipamentos eletrônicos, a Coderp é uma empresa de economia mista, cujo principal acionista é a própria Prefeitura.


A Companhia também é responsável por serviços terceirizados, como gestão e administração do cemitério Bom Pastor, do Mercado Municipal, do Parque Permanente de Exposições e do atendimento realizado pela Prefeitura dentro do Poupatempo.





Foi justamente em contratos desse tipo que a Polícia Federal e o Gaeco identificaram fraudes, que resultaram em desvio de verbas dos cofres municipais. Membros do alto escalão do governo Dárcy Vera e funcionários da Coderp atuaram nas fraudes.


Segundo a PF e o Gaeco, nove vereadores da base aliada de Dárcy Vera usaram a Atmosphera como cabide para empregar cabos eleitorais. Em troca, eles deveriam apoiar projetos de interesse da Prefeitura na Câmara de Ribeirão Preto. O grupo também é acusado de receber propina paga pelo dono da empresa, Marcelo Plastino. O dinheiro era entregue pelo empresário em encontros chamados por ele de “cafés”, como apontam as interceptações telefônicas e vídeos obtidos pela força-tarefa.


Respondem ao processo envolvendo o esquema na Atmosphera: Samuel Zanferdini (PSD), Evaldo Mendonça da Silva, o Giló (PTB), Capela Novas (PPS), Genivaldo Gomes (PSD), Cícero Gomes (PMDB), José Carlos de Oliveira, o Bebé (PSD), Maurilio Romano (PP) e Saulo Rodrigues da Silva, o Pastor Saulo (PRB), e o ex-presidente Walter Gomes.


Todos foram afastados do cargo em setembro de 2016, com a deflagração da Operação Sevandija, e não concluíram os mandatos. Dos nove, apenas Walter Gomes está preso.


Com o apoio dos parlamentares, Marcelo Plastino se beneficiava diretamente de licitações fraudadas. Documentos mostram que em três anos, o empresário e a namorada dele, Alexandra Ferreira Martins, também acusada pelo Gaeco e que chegou a ser presa, sacaram R$ 4 milhões no caixa de um único banco – R$ 1,5 milhão só em 2016. O dinheiro, segundo a acusação, era usado para pagamento de propina aos ex-vereadores e aos ex-secretários municipais Layr Luchesi Junior, Ângelo Invernizzi e Marco Antônio dos Santos, apontado como articulador de todo o esquema.


De acordo com a investigação, o advogado Sandro Rovani era o operador do pagamento de propina aos secretários.





Marcelo Plastino cometeu suicídio em novembro de 2016, quando estava em liberdade condicional. A Justiça tornou extinta sua culpabilidade, embora tenha mantido o bloqueio dos bens, uma vez que eles seriam produtos de crime ou teriam sido adquiridos com dinheiro desviado.

Fonte: g1.globo.com

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