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20/08/2017
Exportações de produtos agrícolas deverão continuar a assegurar boa parte dos saldos positivos da balança comercial
A nova estimativa da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) para a safra 2017/2018 reforça a expectativa de que não haverá pressão sobre os preços dos alimentos básicos nos próximos meses e em 2018, o que contribuirá para manter baixa a inflação.
Além disso, as exportações de produtos agrícolas deverão continuar a assegurar boa parte dos saldos positivos da balança comercial. De acordo com a Conab, a safra de grãos pode chegar a 237,2 milhões de toneladas, 1 milhão de a mais que o previsto anteriormente, e aumento em nada menos do que 51,6 milhões de toneladas em relação à safra 2016/2017 (186,6 milhões de toneladas), um avanço de 27,7%.
Em termos de produtividade, as grandes estrelas continuam a ser soja e milho. No caso da soja, a área plantada cresceu 2%, mas o volume estimado de produção teve alta de 19,5%, podendo alcançar 114 milhões de toneladas.
Quanto ao milho, o Brasil firma sua posição como terceiro produtor mundial, abaixo dos EUA e da China, com um volume esperado de 97,2 milhões de toneladas, somadas a primeira e a segunda safras, 36,1% acima da safra 2015/2016, com ampliação da área de 9,7%.
Produção de grãos
O crescimento da produção desses grãos deve refletir-se nos preços das rações animais, o que pode contribuir para estabilidade ou redução dos preços das carnes.
A recuperação do feijão apontada pela Conab, com a produção devendo alcançar 3,4 milhões de toneladas, graças à reavaliação positiva da produção da Região Nordeste, deverá regularizar o abastecimento interno desse produto essencial na mesa do brasileiro.
Os técnicos da Conab asseguram que não haverá necessidade de importação de feijão em futuro próximo.
Com supersafras seguidas, o país poderá continuar elevando suas vendas externas de commodities agrícolas, ainda que as cotações internacionais sejam menos atrativas. A queda dos preços poderá ser compensada pelo aumento do volume exportado.
Como já tem sido observado, a renda e o emprego no agronegócio tendem a aumentar, com impacto direto sobre o ritmo de atividade econômica em geral.
O quadro poderia ser ainda mais benéfico se mais investimentos fossem destinados à expansão e à melhoria da infraestrutura necessária ao escoamento das safras, de modo a reduzir perdas milionárias com deficiências de transporte e armazenagem.
Valor Bruto de Produção
A grande safra de grãos deverá salvar o resultado final do VBP (Valor Bruto de Produção) neste ano, estimado em R$ 535 bilhões, 4,5% mais do que em 2016. Os 20 produtos agrícolas pesquisados pelo Ministério da Agricultura vão atingir R$ 367 bilhões, 10% mais do que em 2016.
“O agro é o responsável por garantir comida na mesa do brasileiro, excedente para garantir as exportações (mantendo o superávit na balança comercial), segurando a inflação, gerando riqueza e empregos neste Brasil, que passa por uma crise sem precedentes”, afirma o presidente da Aprosoja BR e do Sindicato Rural de Ituverava, Gustavo Ribeiro Rocha Chavaglia.
“Esta supersafra foi positiva ao Brasil e aos Brasileiros, porém negativa ao produtor, pois com a desaceleração da economia e com este ‘excesso’ de produção, jogaram os preços dos produtos agrícolas para baixo, deixando o produtor com custos altos, impedindo a remuneração de um trabalho duro”, completa.
Um dos destaques negativos neste ano fica para o trigo, cujo valor de produção recua para R$ 3,3 bilhões, 31% menos que em 2016. Essa queda resulta de área menor de plantio e de problemas climáticos nas lavouras.
Segundo José Gasques, coordenador-geral de Estudos e Análises da SPA (Secretaria de Política Agrícola), a situação da pecuária (bovino, frango, suíno, leite e ovos) não foi tão favorável neste ano quanto a da lavoura.
A queda do faturamento na produção de frango e de bovinos forçou uma redução de 6% no setor neste ano.
Afetado por várias crises no primeiro semestre, o faturamento total da pecuária deverá cair para R$ 167,5 bilhões.