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20/08/2017
Tristeza é um dos sintomas da Síndrome de BorderlineTranstorno é muito comum e atinge ao menos 1,6% da população, sendo 75% mulheres
Também conhecido como transtorno de personalidade limítrofe (TPL), borderline é um distúrbio que afeta principalmente o equilíbrio emocional. O quadro interfere em todas as esferas da vida, desde trabalho até.
relacionamentos amorosos e familiares, impede o planejamento em longo prazo e ainda pode surgir concomitantemente a outros quadros psiquiátricos como depressão e bipolaridade.
Apesar de ser menos conhecido do que outras condições do mesmo tipo, como esquizofrenia e transtorno antissocial, o borderline é muito mais comum e atinge ao menos 1,6% da população, sendo 75% mulheres.
A TPL é um tipo de transtorno de personalidade caracterizado pela instabilidade emocional, que muda ao longo do dia muitas vezes sem ter nenhum episódio desencadeante. O distúrbio afeta principalmente as relações pessoais, a autoimagem e a visão dos relacionamentos.
Borderline e personalidade limítrofe são termos que surgiram em referência aos pacientes que vivem na “borda”, ou seja, fronteira, entre duas formas de atividade psíquica: a psicose e a neurose.
A primeira é caracterizada pela perda de contato com a realidade, gerando delírios, já a segunda é o desequilíbrio mental que causa instabilidade emocional, mas não desconfigura a percepção da realidade.
Causas
Assim como a maioria dos distúrbios psiquiátricos, não se sabe com precisão quais são as causas do TPL, mas entende-se que fatores ambientais e genéticos podem influenciar seu aparecimento.
Há especialistas e estudos que indicam que o distúrbio pode ter origem em episódios de abusos na infância. Já outros acreditam que a predisposição genética também deve ser levada em conta.
Características do
transtorno borderline
É preciso lembrar que cada pessoa é única e lida com seus sentimentos de maneira individual. Contudo, os sintomas de transtorno borderline mais conhecidos incluem: instabilidade emocional, medo de abandono, impulsividade, comportamento autodestrutivo e compulsões, desenvolvimento de outros transtornos, relacionamentos conturbados, percepção instável de si mesmo, vontade de suicídio.
Instabilidade emocional
Angústia, ansiedade, medo e inquietude são sentimentos que surgem em episódios para “borderlines”, como costuma se chamar coloquialmente quem possui o transtorno. Além disso, é frequentemente relatada uma sensação intensa de vazio.
Medo de abandono
O medo de solidão é um de seus sentimentos mais marcantes. Essas pessoas vivem constantemente com o medo de serem abandonados. Para eles, o abandono real ou ilusório significa que são seres ruins. Por isso, possuem raiva inadequada diante de episódios comuns, como fim de compromissos, atrasos ou cancelamento de encontros por terceiros.
Essa característica faz com que grande parte de seus relacionamentos sejam caóticos, com brigas, discussão, ciúmes etc.
Impulsividade
Podem ocorrer ataques de raiva sem que necessariamente haja algum estímulo externo, visto que o próprio pensamento já é capaz de alterar o humor. Alguns também costumam ser sarcásticos e ficar entediados facilmente.
Em casos menos frequentes, os momentos de nervosismo podem vir acompanhados de alucinações.
Comportamento
autodestrutivo e compulsões
Em momentos de muito sofrimento emocional, as pessoas com transtorno borderline podem usar a dor física como uma forma de externalizar e aliviar o que sentem, podendo apresentar acesso de raiva e automutilação. Amigos e familiares devem ficar atentos a essa forma de manifestação da doença, já que pode ser uma maneira dessas pessoas mostrarem que estão precisando de ajuda.
Outra possibilidade é se envolver em situações potencialmente perigosas, como fazer sexo desprotegido e realizar infrações no trânsito. Ainda costumam se autossabotar, regredindo após receberem elogios ou incentivos por exemplo.
Por último, possuem tendência a compulsões, como vício em drogas, consumismo, sexo, jogos e comida.
Desenvolvimento
de outros transtornos
Grande parte das pessoas com transtorno de personalidade borderline podem desenvolver outras condições ao mesmo tempo. Entram nessa lista depressão, ansiedade, bipolaridade, distúrbios alimentares e causados pelo abuso de substâncias, estresse pós-traumático, entre outros.
Relacionamentos conturbados
A idealização de companheiros e amigos faz com que compartilhem histórias íntimas e segredos com pessoas logo após conhecê-las.
Contudo, sinais mínimos de que o conhecido não está disponível para ouvir ou conversar, como atraso em um compromisso ou demora em responder uma mensagem, pode ser o gatilho que desperta sentimentos negativos para os portadores desse distúrbio, como ciúmes, raiva, culpa e desvalorização do relacionamento.
Percepção instável de si mesmo
A instabilidade também é marcante na autoimagem, fazendo com que variem constantemente entre atitudes de vingança e vitimização.
Suicídio e Transtorno Borderline
Pessoas com borderline têm mais risco de cometer suicídio. Isso se deve à sensação de vazio e solidão, principalmente quando há depressão envolvida. Algumas vezes, a descoberta do quadro ocorre justamente após uma tentativa de acabar com a própria vida.
No entanto, a simples observação dos sinais de comportamento suicida, como consumo de substâncias e mudanças anormais no comportamento, e a busca por um especialista pode evitar com que o paciente chegue a este limite.
Tratamento
Apesar de a condição acarretar em muito sofrimento, alguns tratamentos melhoram muito a qualidade de vida do paciente. Começar a fazer psicoterapia e tomar medicação pode ajudar bastante.
Psicóloga explica como é possível lidar com borderline
As emoções extremas dos indivíduos com transtorno borderline podem ser muito difíceis de lidar por parte de familiares, companheiros e amigos. É necessário paciência e sensibilidade para apoiar e compreender esses indivíduos, como explica a psicóloga Marina Rodrigues Bernardini.
“Indivíduos com Transtorno de Personalidade Borderline se caracterizam especialmente por sofrerem grande instabilidade emocional, desregulação afetiva excessiva, sentimentos intensos e polarizados do tipo ‘tudo ótimo e tudo péssimo’ ou ‘eu te adoro e eu te odeio’, angústia de abandono, percepção de invasão do self, entre outros, que não raro geram comportamentos impulsivos perigosos sendo comum a presença recorrente de atos autolesivos, tentativas de suicídio e sentimentos profundos de vazio e tédio. O início do transtorno pode ocorrer na adolescência ou na idade adulta e o uso dos recursos de saúde e saúde mental é expressivo nesses pacientes”.
“Pessoas com Transtorno de Personalidade Borderline são verdadeiros vulcões prontos a explodir a qualquer instante. Elas apresentam alterações súbitas e expressivas de humor e suas relações interpessoais são intensas e instáveis sendo muito difícil o convívio próximo com elas”.
Ainda segundo Marina, elas temem o abandono real ou temido, com frequência vivenciam sentimento crônico de vazio e reação pungente ao estresse, protagonizando sucessivas ameaças (ou tentativas) de suicídio e automutilação.
“O modus operandis desses pacientes traz um sofrimento enorme tanto para si próprios como para os que com eles convivem. Uma só palavra mal colocada, uma situação inesperada sem relevância ou uma leve frustração pode levar o borderline a um acesso de raiva e ódio que duram em média poucas horas. Outra característica importante é que o borderline nem sempre sabe lidar com o êxito. É comum que eles abandonem ou destruam seus alvos e metas justo quando a perspectiva de consegui-las é real e próxima”, destaca.
“É muito importante que busque o indivíduo busque ajuda de profissionais especializados tais como psiquiatras e psicólogos no intuito de diagnóstico e tratamento para minimizar os sintomas apresentados pelo transtorno”.
Terapias
Medicação
Não existem medicações específicas para o transtorno, todavia algumas drogas podem controlar determinadas características. Por exemplo, é possível usar anticompulsivos para irritabilidade, estabilizadores de humor para instabilidade e antidepressivos para casos em que também haja depressão.
Terapia
A psicoterapia individual e/ou em grupo é importantíssima para aprender a controlar sentimentos de abandono e impulsividade.
Esse tratamento reduz o sofrimento do indivíduo com personalidade borderline e faz com que ele deixe de perder laços afetivos e conquistas, como empregos.
O terapeuta deve estar especialmente focado em casos de transtorno de personalidade limítrofe, visto que a instabilidade desses pacientes pode fazer com que surjam consultas e ligações de emergência. Assim, indica-se buscar um profissional disponível e, de preferência, com experiência em lidar com o distúrbio.
Internação
Em casos em que haja comportamento de risco para integridade física, pode ser necessária internação, visto que a proteção nem sempre é possível no ambiente domiciliar. Além disso, uma ala voltada a pacientes psiquiátricos disponibiliza atendimento em período integral com psicólogos, psiquiatras e outros especialistas, fornecendo o suporte necessário para o border.