Nossa Capa


Publicidade





SAϿ�DE

Voltar | imprimir

10/09/2017

‘SETEMBRO AMARELO’ CONSCIENTIZA SOBRE O SUICÍDIO

Cartaz do “Setembro Amarelo”

32 brasileiros se matam por dia, taxa maior que de Aids e se tipos de câncer

Setembro Amarelo é uma campanha que acontece desde 2014 em todo o país e visa a conscientização sobre a importância da prevenção do suicídio.

Durante todo o mês de setembro, é comum ver espaços públicos e privados decorados ou iluminados com a cor amarela. O período foi escolhido porque 10 de setembro é o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio.

Com o Setembro Amarelo, a ideia é promover eventos que abram espaço para debates sobre suicídio, além de divulgar o tema e alertar a população sobre a importância de sua discussão.

Hoje, o suicídio é um problema de saúde pública no Brasil e a sua ocorrência tem crescido entre os jovens. De acordo com os números oficiais, 32 brasileiros se matam por dia. Essa taxa é maior do que a de vítimas de Aids e da maioria dos tipos de câncer.

Busca de Ajuda
“Tem sido um mal silencioso, pois as pessoas fogem do assunto e, por medo ou desconhecimento, não veem os sinais de que uma pessoa próxima está com ideias suicidas. A esperança é o fato de que, segundo a Organização Mundial da Saúde, nove em cada dez casos podem ser prevenidos. É necessário a pessoa buscar ajuda e atenção de quem está à sua volta“, explica o site oficial da campanha.

O Setembro Amarelo conta com o apoio do Centro de Valorização da Vida (CVV), do Conselho Federal de Medicina (CFM) e da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP). Mundialmente, a Associação Internacional para Prevenção do Suicídio (IASP) também participa da divulgação do projeto.

Assunto se mantém como tabu em pleno século XXI
O suicídio ainda é grande tabu em pleno século XXI. De acordo com o Centro de Valorização da Vida (CVV), a partir de dados do Mapa da Violência, 32 pessoas se suicidam por dia no Brasil, ou uma a cada 45 minutos, o que faz do país o oitavo com mais suicídios do planeta. São quase 800 mil vítimas por ano.

"Para cada caso, são pelo menos outras 20 tentativas. Ou seja, quase 20 milhões de pessoas podem não conseguir se matar, mas tentam. Não é de espantar que, mesmo que a mídia não fale sobre isso, e há muito temor na abordagem do problema, ele está sendo discutido pelas pessoas na internet, especialmente nas redes sociais e nos grupos de WhatsApp", explica Bia Pereira, coordenadora do estudo sobre monitoramento de suicídio nas redes sociais, realizado pelo projeto Comunica Que Muda, da agência nova/sb, especializada em Comunicação de Interesse Público.

Assunto
O tema suicídio é completamente tabu e tratado perifericamente nas redes. Constatamos isso no levantamento que resultou no nosso dossiê. Sem um debate sério, informativo, as pessoas falam do suicídio, mas de maneira superficial, banalizada. Nós avaliamos 1.230.197 menções entre os meses de abril e maio de 2017 nas principais redes sociais (Facebook, Instagram, Twitter e YouTube). A maior parte delas (52,8%) eram neutras, ou seja, sem um posicionamento claro na postagem.

As menções positivas, quando a pessoa demonstrou uma conscientização sobre o tema, somaram 28,8%. Já as negativas, que são mensagens preconceituosas, que reforçam o estigma, incentivam o suicídio ou demonstram falta de conscientização, ficaram com 18,4% do total – ou seja, quase 20% das pessoas que tratam do assunto suicídio o reforçam de forma negativa. Isso inclui piadas e chacotas.

Foi por isso também que decidimos levar o tema suicídio para as redes sociais e o blog do Comunica que Muda, a iniciativa pioneira de comunicação de interesse público da nova/sb, há mais de 10 anos no ar.

Como Evitar
De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), 90% dos suicídios podem ser prevenidos. O CVV e outras iniciativas de apoio têm feito um trabalho magnífico. Mas é preciso encarar a questão dos problemas relacionados à dor, sofrimento, solidão e doenças como ansiedade e depressão fora da caixa do preconceito. A saúde mental precisa ser encarada sem os estigmas que se cristalizaram na sociedade.

As pessoas precisam não ter vergonha de pedir ajuda, buscar tratamento, fazer terapia. Quando a gente fica gripado ou sente dor física, toma medicamentos. Por que tomar um remédio para uma doença mental é vergonha? E é aí que entra a comunicação de interesse público: ao esclarecer, informar e trazer à tona o tema, a gente ajuda no trabalho de prevenção e a diminuir o preconceito.

Especialistas
Ouvindo diversos especialistas, a nova/sb descobriu que, no Brasil, separando-se por faixas etárias, os idosos apresentam as maiores taxas, com oito suicídios para cada 100 mil habitantes. A causa mais comum, com aproximadamente 70% dos suicídios nessa fase, é a depressão, muitas vezes não diagnosticada ou tratada inadequadamente.

Psicoses e abusos de drogas, principalmente o álcool, também estão entre os motivos mais frequentes. Entretanto, é entre os jovens que as taxas apresentaram o maior crescimento, de 2002 a 2012, o que preocupa bastante.

13 Reasons Why
Sem dúvida a série 13 Reasons Why (sucesso da Netflix) ajudou na divulgação do tema, já que gerou um número alto de menções sobre suicídio, além de outros temas importantes, como bullying e machismo. Por exemplo, quando isolamos apenas as menções relacionadas à série, temos 60,9% de comentários positivos, 26,2% neutros, e 12,9% negativos. Isso mostra como o debate sobre a série levou a uma maior conscientização nas redes. Embora os especialistas tenham criticado a cena do suicídio e que durante a série parecia não haver outra saída.

Reduzir números
Claro que o tratamento e a prevenção é algo que precisa ser abordado por especialistas, do ponto de vista terapêutico. Mas a comunicação pode, sim, colaborar com a saúde como uma ferramenta. É inegável o seu poder de modificar comportamentos.

Foi o que aconteceu com a Aids e o cigarro. As campanhas de prevenção à saúde, o debate na mídia, as reportagens, foram fundamentais para difundir o uso da camisinha, evitar o fumo em locais fechados, entre outras conquistas que inicialmente pareciam inalcançáveis.

Pessoas Neutras
A neutralidade das pessoas em relação ao assunto ocorre muito por falta de informação. Muitas vezes, as menções são muito superficiais e sem a conscientização necessária que o tema requer. Além disso, apesar da gravidade da questão, não é um tema que se tenha muitas informações o tempo todo para alimentar discussões de alto nível.

Ao contrário, com o debate empurrado para debaixo do tapete, aumenta-se o preconceito. Um exemplo foi o que aconteceu quando o suposto jogo virtual, na verdade um crime virtual, o Baleia Azul, foi tema de conversas nas redes. As vítimas eram ironizadas, desqualificadas. E, infelizmente, isso acontece quando se fala de outros temas relacionados como a depressão.

Assembleia Flor de Lótus faz palestra sobre tema no dia 12
A Assembleia Flor de Lótus – grupo ligado à Maçonaria e formado por jovens do sexo feminino – promove na terça-feira, 12 de setembro, palestra sobre prevenção ao suicídio.

O evento será na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras (FFCL), a partir das 19h30, e os palestrantes serão a psicóloga Lívia Maria Ferreira da Silva Cabrini e o psiquiatra Eduardo Figueiredo Jorge.

De acordo com a ilustre preceptora da Assembleia Flor de Lótus em Ituverava, Maria Helena de Freitas Lupoli, o evento discutirá as causas e o que as pessoas podem fazer para prevenir o suicídio. “É importante discutirmos sobre o Setembro Amarelo, pois ainda é um tabu, e um assusto tão importante e sério deveria ser discutido mais abertamente, para que jovens e adultos tenham menos medo e vergonha de pedir ajuda”, afirma.

As vagas para o evento são limitadas, e os interessados devem fazer reservar através do telefone (16) 98204-0121.

“A Assembleia Flor de Lótus vem, há três anos está fazendo campanhas para o Setembro Amarelo e neste ano conseguimos dois ótimos palestrantes para abordar este assunto tão sério”, destaca.

“Agradeço a Fundação Educacional de Ituverava, por nos ceder o espaço; à psicóloga Lívia Maria Ferreira da Silva Cabrini e ao psiquiatra Eduardo Figueiredo Jorge por nos prestigiarem com essa palestra”, agradece Maria Helena de Freitas Lupoli.

Voltar | Indique para um amigo | imprimir